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A mulher, a maternidade e o seu corpo para o mundo capitalista

PATRIARCADO – Capitalismo se utiliza da opressão às mulheres para aumentar a exploração do trabalho e o lucro dos patrões (Foto: Reprodução)

Maria Eduarda Piliçari

RIO DE JANEIRO – Cuidar dos filhos e das tarefas do lar é visto, até os dias atuais, como um trabalho feminino; inclusive, estendendo as obrigações para as filhas e irmãs, que possuem o papel de limpar a bagunça do irmão. Muitas vezes, mulheres que estão em relacionamentos com homens (seja um casamento ou um namoro) se veem subordinadas à posição de “segundas mães”: monitorando o tempo que os parceiros passam no videogame, preparando a comida e cuidando dos serviços domésticos sem qualquer tipo de ajuda do homem ao seu lado.

Há quem justifique esse comportamento como algo natural e normal, afinal, as mulheres nasceram para “servir e cuidar”, o que é errado dizer, já que, desde muito cedo, o sexo feminino é empurrado para a ideia romantizada do que é ser mãe e esposa. Isso acontece, por exemplo, quando os brinquedos de meninas são bonecas em formatos de bebês com mamadeiras, e seu objetivo de vida é limitado ao que a televisão mostra: ser uma bela princesa, resgatada por um príncipe, amar, ser amada e ser feliz para todo o sempre. Atualmente, as mulheres realizam uma dupla jornada, onde existem obrigações com o trabalho e a casa ao mesmo tempo, pois é necessário que o dinheiro entre para a sua independência, mas não há liberdade o bastante para que o cuidado com os filhos não seja cansativo.

Contudo, uma maneira que o capitalismo encontrou para lucrar com a entrada das mulheres no mercado de trabalho foi criando um padrão de beleza inalcançável, onde o corpo magro, branco e “perfeito” se torna essencial e de desejo de todas. Quando as meninas crescem ouvindo que devem se encaixar nesse ideal feminino, é isso que elas buscam – a beleza a todo custo, a delicadeza, a sensualidade – e, ao crescer e ver que tudo isso parece tão impossível, o desespero vem e faz com que aquelas que possuem condições gastem rios de dinheiro em procedimentos estéticos, e sempre se sintam insatisfeitas, porque nunca será o suficiente.

Mesmo aquelas que não possuem dinheiro para cirurgias extremas estão sendo influenciadas pelo padrão: afinal, a depilação, o esmalte, a progressiva e a escova nos cabelos também são imposições; por mais que a mulher se sinta bem e feliz com o cabelo alisado, a virilha depilada e as unhas e sobrancelhas feitas, é de se parar para pensar o porquê dessa necessidade e esse alívio ao “se cuidar”. Novamente, mais um monte de gastos saindo do bolso da mulher para se encaixar no modelo do que é belo e perfeito, e mais dinheiro sendo tirado de suas mãos.

É possível dizer e afirmar que a mulher possui um papel fundamental dentro do capitalismo, porque, além do investimento em roupas e estética ser muito grande, o ventre é onde se carregam novos trabalhadores. Dessa forma, a mão de obra é sempre renovada, principalmente se tratando de mulheres pobres e sem estudo, pois não se tem o conhecimento de educação sexual, e os métodos contraceptivos são de pouco conhecimento.

A forma que a sociedade machista e patriarcal encontrou de oprimir o sexo feminino foi colocando limites em seus desejos: aumentar o tom da voz e dizer o que pensa é considerado coisa de mulher louca, afinal, os homens gostam das que não reclamam. As mulheres se dão conta disso quando passam a se relacionar amorosamente, e todo aquele conto de fadas que foi construído para que pensassem que um príncipe iria salvá-las e torná-las felizes cai por água abaixo.

Os homens não são criados para serem “príncipes”: eles são criados, desde cedo, para serem fortes, provedores, para nunca chorar e, além de tudo, a sexualidade é desde cedo estimulada para eles. Quando essa menina, então romântica, e esse menino que aprendeu que certas coisas eram de “mulherzinha” se encontram, as expectativas se abaixam mais, fazendo com que, ao longo do tempo, a mulher aceite o amor que julgue pouco merecer, e a vida se torna mais “prática”: trabalhos, filhos, casa.

Sendo assim, o que pode ser feito para que as mulheres se empoderem e se valorizem é que sejam desde cedo estimuladas a pensar por si, sonhar alto e a não depender da aprovação e do amor de ninguém. Ao invés de elogiar umas as outras de “bonitas” ou “magras”, deve-se valorizar a inteligência e a coragem de cada menina e cada mulher. A individualidade e o respeito a si devem ser ensinados para que, assim, todas possam ter o controle do próprio corpo. É importante lutar contra esse sistema que empurra o comportamento passivo e que exclui mulheres, principalmente as da periferia, pobres e pretas. Estimular o estudo e a informação para essas pessoas é essencial para que elas entendam o seu lugar no mundo, lutem pelos seus direitos e gritem suas opiniões. O silêncio do oprimido é uma grande arma para a opressão. Portanto, não se deve ficar calada.

 

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