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A saúde mental e o capitalismo

Os Murais da Indústria de Detroit de Diego Rivera.

Reinilson Câmara


Caro leitor, você se sente mentalmente bem? fisicamente bem? Você é feliz e vê perspectivas para o futuro? Ou você sente um cansaço que não passa? Uma enorme insegurança e falta de perspectivas no futuro? 

A ideologia liberal, que sustenta o sistema capitalista, nos ensina desde o nascimento que o chamado “sucesso” depende de nós, que se dedicarmos, estudarmos, trabalharmos, vamos ter uma vida satisfatória. Muitas vezes nós fazemos tudo isso, e não conseguimos ter um momento de lazer, uma perspectiva de futuro para nós e para nossos filhos, muito menos uma aposentadoria. Quando isso acontece fica a impressão que a culpa é nossa, já que fomos ensinados que o sucesso depende de nós. Sempre a culpa do fracasso é do indivíduo, não do modo de produção que reproduz a materialidade que o indivíduo precisa para viver. Nunca é apontado que o problema está na estrutura que distribui a riqueza. O trabalhador passa a maior parte da sua vida produzindo, pagando um preço caro na sua saúde mental.

Não podemos falar de saúde mental do indivíduo sem falar da sociedade, existe uma relação dialética, você só é João ou Maria, por que você se desenvolveu assim, mas as pessoas que estão ao seu redor também participam da construção da sua identidade. Para você se reconhecer como pessoa você precisa do outro. 

O capitalismo prega o desenvolvimento egoísta, através da propriedade privada, deixando de lado as relações coletivas, sendo esse fato uma grande contradição. Nós precisamos das relações coletivas para nos reconhecermos enquanto pessoa, mas o sistema prega as relações individuais de posse, de propriedade.

Dessa forma, o sistema capitalista cria diversos subterfúgios, como drogas, vícios alimentares, religião, dentre outros, deixando subentendido que a solução desses problemas são uma melhor relação dos indivíduos consigo mesmo e da sociedade com os indivíduos que não se adaptam a essa rotina de super exploração.

O livro “O nível: Por que uma sociedade mais igualitária é melhor para todos:” escrito por dois epidemiologistas, Richard Wilkinson e Kate Pickett, trás por meio de gráficos, feito com auxílio de diversos estudos epidemiológicos, a constatação de que em países onde há leis que buscam criar condições para uma sociedade mais igualitária, há menos casos de depressão e suicídio. Constatando que sim, uma sociedade mais igualitária faz toda diferença na saúde mental da população.

Por fim, o fato de observarmos cada vez mais pessoas com problemas de saúde mental escancara o problema estrutural do modo de produção capitalista em que vivemos. Quanto mais esse sistema se desenvolve, maiores os níveis de exploração, desigualdade, mais a ideologia atua tentando culpabilizar o indivíduo para que ele não perceba que o sistema capitalista é o verdadeiro culpado.

Por isso, é primordial trabalharmos na elevação da consciência de classe dos trabalhadores, mostrando que o caminho para uma sociedade nova, começa pela derrubada desse sistema fracassado que se alimenta da exploração dos trabalhadores, destruindo o meio ambiente e produzindo guerras. Passando pela coletivização das nossas relações, dos nossos problemas, da nossa vida, e que só através da luta e da construção do poder verdadeiramente popular, podemos libertar as pessoas desse sofrimento e dessa exploração diária, e consequentemente nós mesmos para que possamos ser verdadeiramente felizes.

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