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terça-feira, 9 de agosto de 2022

Estudantes são barrados durante ato contra o atraso das bolsas Capes

MANIFESTAÇÃO – Estudantes protestaram contra atrasos nas bolsas estudantis no IFSP (Foto: Movimento Correnteza)

Movimento Correnteza IFSP

SÃO PAULO – Durante um ato organizado por bolsistas de diversos campi do IFSP no campus da capital, apesar de autorização prévia, os estudantes foram impedidos de se reunirem dentro do campus por orientação da direção. Em comunicado aos terceirizados da segurança a direção do campus afirmou: “ESTUDANTES NÃO ENTRAM!”.

Fruto de grandes agitações nas aulas remotas e grupos de turma, as denúncias dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e da Residência Pedagógica realizaram o segundo ato presencial em defesa do pagamento das bolsas e de seu reajuste.

O Ato contou com a participação de estudantes de campi do IFSP como: São Paulo, Barretos, Boituva, Piracicaba, Cubatão e outras localidades e se uniu ao ato de servidores contra o autoritarismo da reitoria que suprimiu a comunidade no debate sobre o reordenamento do IFSP.

Após assembleia construída pelo Movimento Correnteza e pelo Comitê de Mobilização do IFSP os estudantes avaliaram os passos dados na luta em defesa do Pibid e RP que vêm mobilizando de norte a sul do país milhares de estudantes.

Nacionalmente também se realizou uma assembleia que priorizou a luta dos bolsistas e a intervenções nas redes na esperança da aprovação do PL 17/2021 que seria referente ao pagamento das bolsas do mês de setembro e a PL 31/2021 que garante o pagamento das bolsas pelo menos até o final do ano de 2021 (as bolsas até o final do edital ficariam à espera a aprovação da Lei orçamentária anual para 2022).

No IF, porém, os estudantes foram unânimes: é inconsequente limitar a luta a hashtags e “tuitaços” esperando a canetada. O pagamento das bolsas e a luta pela permanência estudantil só pode ser conquistada na rua!

Em todo país são 60 mil estudantes que estão sendo afetados com o atraso das bolsas de R$400,00 – valor que não é reajustado desde 2013. O principal inimigo da Educação, Bolsonaro e seus ministros, esbanjam falácias que o ensino superior deve ser apenas para aqueles que possuem dinheiro promovendo a exclusão para os estudantes mais pobres que são os filhos da classe trabalhadora.

Como tais falas excludentes não são para eles suficientes, atacam constantemente com cortes – como o de 92% na CAPES – agência que além de construir editais como Pibid e RP fomenta a ciência desenvolvida nas universidades em todo país.

As políticas autoritárias e a tentativa de sufocar a organização estudantil respinga na nossa instituição e foi presenciada com a burocracia injustificada de barrar o acesso dos estudantes ao campus.

Porém, a restrição não foi aplicada aos coronéis do exército brasileiro que se reuniram no campus São Paulo com o diretor Alberto Akio Shiga.

Vale lembrar que Eremias Delizoicov, estudante de Mecânica do Instituto Federal de São Paulo, chamado na época de Escola Técnica Federal de São Paulo, foi morto fuzilado e teve seu corpo omitido pela ditadura militar fascista que o mesmo exército sustentou em nosso país.

“A direção não pode achar que o campus é um quintal particular que o diretor manda e desmanda. A estrutura do IFSP precisa servir aos estudantes e a toda a comunidade. Isso demonstra que o autoritarismo não se restringe a Bolsonaro e ao militarismo, mas também quem se dispõe a construir educação com a responsabilidade de diretor não precisa nem de jaqueta camuflada [que] quer pagar de general. Pelo que parece militar tem muito medo de estudante!”, afirmou um estudante que não quis ser identificado.

ASSEMBLEIA – Estudantes se reuniram no campus São Paulo do IFSP para organizar a luta em defesa das bolsas estudantis (Foto: Movimento Correnteza).

Os estudantes não tiveram tempo de ter medo ou abaixar suas cabeças, como dizia Marighella (herói do povo brasileiro que dias antes foi homenageado em dezenas de pichações próximas ao campus São Paulo/Reitoria).

Os bolsistas saíram em marcha carregando faixas e cartazes, cantando palavras de ordem e parando o trânsito. Fizeram uma panfletagem explicando o caráter do ato para os trabalhadores e estudantes que passavam próximos da estação do metrô Armênia.

A população se mostrou bastante aberta para escutar e apoiar a luta por uma educação pública e de qualidade no Brasil e os trabalhadores gritavam “FORA BOLSONARO!” ao pegarem o panfleto.

Outros gravaram vídeos das palavras de ordem e incentivaram a continuação da luta. Foram muitas as palavras acolhedoras de solidariedade aos estudantes que estão sem condições de viver dignamente.

A palavra de ordem “nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil” precisa ser compreendida profundamente pelos estudantes e em especial pelos militantes do Movimento Correnteza.

Mesmo quando a social-democracia tenta frear a luta estudantil é possível propor um caminho mais avançado que leve a cabo nossas demandas e reivindicações. A política dos estudantes só pode ser construída com quem sofre na pele o desmonte da educação e o risco de evadir.

Portanto, nossas entidades precisam de espaços como assembleias que canalizem a voz real de cada estudante numa luta consequente em defesa da nossa permanência.

É possível uma política revolucionária dos estudantes! É possível que no conjunto de lutas e enfrentamentos por suas reivindicações os estudantes se apropriem de um programa em defesa da educação que enfrente os interesses do capital.

É possível que nesses processos se formem lutadores comprometidos até os ossos com a luta do nosso povo contra os que nos oprimem e na construção do poder popular. A permanência estudantil e a luta em defesa das bolsas é a expressão da luta de classes dentro da universidade e só há uma forma de ser enfrentada: pela via revolucionária.

É urgente, portanto, que se amplie iniciativas que não se submetam à paralisia da social-democracia.

Precisamos ocupar as ruas com atos de bolsistas, fazer aulões abertos nos bairros, feira de ciência nas vilas, cine-debates nas praças, ocupar cada vez mais espaços e afirmar que na terra de Manoel Lisboa, Eremias Delizoicov, Emmanuel Bezerra e tantos outros estudantes torturados e assassinados pela ditadura fascista, o movimento estudantil continua vivo, resistindo e avançando!

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