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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A luta da Casa de Referência Mulheres Mirabal contra os ataques institucionais

Foto: Jornal A Verdade
Foto: Jornal A Verdade

Nana Sanches*

PORTO ALEGRE – Desde 2016, a Casa de Referência Mulheres Mirabal e o Movimento de Mulheres Olga Benario são atacados pelo Poder Público. Há mais de 5 anos, enfrentamos reintegração de posse e a criminalização do nosso movimento social.

Tais medidas refletem o descaso com a vida das mulheres. Não é à toa que no estado do Rio Grande do Sul houve um aumento de 21% dos casos de feminicídio no último ano. Ao invés de construir políticas que assegurem que as mulheres vivam, o poder público cria obstáculos e dificulta o acesso das mulheres à rede de enfrentamento à violência de gênero.

E por que iniciativas como a Casa de Referência Mulheres Mirabal são atacadas?

Exatamente por denunciar o machismo institucional que deixa as mulheres à margem dos seus direitos. O Estado capitalista é misógino e despreza a organização de mulheres combativas e atuantes contra o machismo.

Seria importante que cada promotor de justiça, juiz, prefeito, governador vivenciasse 24h da rotina que as militantes das casas do Movimento de Mulheres Olga Benario passam. Dedicamos nossa vida, abrindo mão de tempo com família, amigos, colocando nossos corpos à frente do combate à violência contra a mulher.

Nesta última quinta-feira (20/01/2021) enfrentamos mais um ataque, desta vez através do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que tem imposto medidas arbitrárias e burocráticas que visam acabar com nosso serviço e submetem as mulheres a uma violência institucional.

Não podemos achar que isso é natural. Mesmo que a Mirabal forneça serviço de assistência social, jurídico e psicológico, não somos respeitadas e tratadas como um serviço essencial para o combate à violência. Há uma escassez de vagas para abrigar mulheres vítimas de violência e a resposta que o poder público dá é que as mulheres sigam em ambientes domésticos violentos, ou na rua.

Não temos dúvida da importância do nosso serviço. Vivemos a demanda e a violência de gênero diariamente. E por isso, nós vamos seguir. São mais de 5 anos de muita luta e cada dia que mantemos a Mirabal é mais um dia de resistência da luta das mulheres pela vida.

*Coordenadora Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario

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