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POESIA | Reflexões de uma pessoa explorada

Foto: Jorge Ferreira

Kelvin Gomes da Costa, Rio de Janeiro

Reflexões de uma pessoa explorada

Acho que toda a minha loucura deve ser respeitada

Marginalizada, oprimida 

Oh sistema que me oprime

Me liberte dessas amarras

Meus pulsos já estão machucados

Já não está feliz com a minha dor ?

Eu grito a verdade

Pois li em livro que a verdade liberta

Mas como vou me libertar se mal sei ler?

Como vou me libertar se quem amo ajuda a me prender ?

Eu falo a verdade, a verdade que eu vivo, a verdade que aprendi depois de tanto apanhar

Não vejo caminhos para ser feliz, minha infelicidade gera lucro

Trabalhei desde nova e isso não me fez bem, não vejo caminhos para entrar em uma

faculdade

Não vejo caminhos para ter dignidade

Não vejo caminhos

Não vejo

Não aguento tanta dor

O medo de não ser amada por causa da minha cor

Não consigo mais fingir um sorriso

Minhas lágrimas são as minhas angústias transbordando

Mesmo rodeada me sinto só

Mas o mundo está aí

O mundo não para só pq estou chorando

O sistema não para só pq não tenho mais forças para sustentá-lo

Nada para

É como ouvi da tv da minha patroa uma vez ” o carrossel nunca para de girar “

Não sei se aguento

Tudo é tão difícil, não vejo como me livrar disso

Isso consome minhas forças, consome minha alma, me consome

Sinto falta do tempo que eu escutava de minha mãe como eu era linda, como eu era forte, e

como eu era importante

Nunca mais ouvi essas palavras

Sinto falta

Sinto tudo

Apenas sinto

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