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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Exemplo de Irmã Dorothy segue firme 17 anos depois

Irmâ Dorothy, assassinada em 12 de Fevereiro de 2005

Marcada por uma profunda sensibilidade, Irmã Dorothy foi uma grande lutadora, mantinha sua combatividade e firmeza e não se intimidava com as ameaças de morte que recebia.

Fernando Alves


O ano é 2005, o dia é 12 de Fevereiro. Estamos em pleno Século XXI, embora os avanços tecnológicos sejam grandes, os conflitos e violência são ainda maiores, seja nas grandes cidades ou em longe rincões. A luta de classes não cessa. E assim a luta pela terra segue seu curso implacável. Nesse cenário de contradições é que a Irmã Dorothy Stang foi assassinada, na localidade de Anapu-PA, alvejada com seis tiros em uma tocaia.

Irmã Dorothy iniciou sua atividade pastoral e social quando chegou ao Brasil em 1966, sempre ligada a atuação junto às comunidades pobres de camponeses e pequenos agricultores. Dedicou grande parte de sua atividade em apoio e solidariedades na região do Xingu, Pará, no trabalho de geração de emprego e renda, intermediando conflitos fundiários entre trabalhadores rurais e madeireiros, latifundiários e garimpeiros. Também no trabalho de reflorestamento e no chamado desenvolvimento sustentável, em defesa da floresta e seus povos. Sua atuação em movimentos sociais da região foi muito forte e significativo, em especial, na Comissão Pastoral da Terra (CPT), tendo grande reconhecimento internacional na defesa dos direitos humanos.

Marcada por uma profunda sensibilidade, Irmã Dorothy foi uma grande lutadora, mantinha sua combatividade e firmeza e não se intimidava com as ameaças de morte que recebia. “Nao vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade e sem devastação.”, disse num desses momentos de ameaças.

Na manhã em que foi emboscada, enfrentou seus assassinos lendo versos da Bíblia: ”Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. Perguntada se estava armada, respondeu “essa é minha arma” mostrando a Bíblia. Em seguida foi morta pelos pistoleiros Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, contratado por Amair Feijoli da Cunha (Tato) a mando dos latifundiários Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Reginaldo Pereira Galvão (Taradão).

Justiça para Irmã Dorothy Stang. Seu exemplo de luta contínua viva na luta dos trabalhadores rurais e camponeses pelo direito à terra, pela reforma agrária e na defesa da floresta amazônica.

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