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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Prefeitura de Salvador quer expulsar população sem-teto do Centro

População sem-teto se abriga embaixo de uma ponte na cidade de Salvador. (Foto: A TARDE)

Danilo Boa Morte, Salvador-BA

O antigo Terminal do Aquidabã, localizado na região do Centro Histórico de Salvador, já serviu por muito tempo como um importante ponto rodoviário da cidade. Contudo, por conta dos grandes shoppings centers e do crescimento de lojas nos bairros periféricos, houve a decadência do comércio nessa região da cidade. Desde então, a antiga estação do Aquidabã foi perdendo linhas e sendo, aos poucos, abandonada pelo poder público.

Com o passar dos anos, muitas pessoas em situação de rua passaram a ocupar o espaço, visto que os equipamentos urbanos não morrem, mas adquirem novos usos e significados. Em fevereiro foi anunciado uma requalificação nesse terminal, que será transformado numa grande praça. O que se torna evidente no projeto para a reforma é a falta da cobertura marcante do local, revelando uma tentativa brusca de expulsão das pessoas que se abrigam ali.

Em nenhum momento, nas entrevistas sobre a requalificação, o prefeito Bruno Reis (DEM) nos diz para onde irão os sem-teto que ocupam essa região. É importante ressaltar que, a retirada dessa cobertura não irá eliminar o problema da falta de moradia na cidade. A tentativa de mascarar essa situação apenas escancara a aceleração do processo de higienização social e gentrificação pela qual passa Salvador.

A prefeitura tem promovido ações que buscam, em outras palavras, entregar a nossa cidade aos grandes empreendimentos e hotéis de luxo. Isso não é um caso isolado. Pouco tempo antes, as pessoas em situação de rua já vinham denunciando as intervenções urbanas da prefeitura feitas com o objetivo de expulsar a população de rua. Em janeiro, a Secretaria de Promoção Social e Combate a Pobreza junto à LIMPURB (empresa de limpeza urbana de Salvador) retiraram em caminhões os pertences dos sem-tetos nessa região. Essa ação demonstra que a prefeitura enxerga que os objetos pessoais da população de rua não possuem valor e são como lixo que podem ser retirados e jogados fora.

Na mesma região do Centro Antigo foram alocadas “esculturas” que tem como objetivo evitar que pessoas durmam ou repousem nesses lugares. Esse ato representa mais uma tentativa de expulsar pessoas em situação de rua dos lugares onde se abrigam. Em Salvador, há uma contradição enorme: de um lado, centenas de casarões e prédios abandonados, enquanto que de outro, milhares de pessoas não têm onde morar. Um exemplo dessa situação é a Ocupação Carlos Marighella, construída num prédio abandonado pelo governo do estado (PT) a mais de 12 anos, e que agora abriga mais de 280 famílias. Essa ocupação construída pelo Movimento de Luta nos Bairros mostra que, mesmo com pouquíssimos recurso e muita luta, é possível restabelecer a função social de um prédio e dar moradia a população.

Todas essas ações da prefeitura de Salvador mostram um poder público dominado pela burguesia e seus planos de mercantilizar o que for possível, inclusive as regiões, edifícios e equipamentos da cidade. O custo dessa mercantilização é a gentrificação e a higienização social e racial, que buscam expulsar e exterminar os moradores de suas regiões. Por isso, se faz necessário mais do que nunca a organização da povo contra essas ações. É preciso construir o poder popular e uma profunda reforma urbana em nosso país, que visa democratizar o acesso à cidade, a cultura, emprego, saúde, saneamento e a moradia digna para todos.

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