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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Luta popular avança contra governo Lasso no Equador 

Indígenas, trabalhadores, camponeses, estudantes, mulheres, organizações populares e partidos de esquerda tomam as cidades contra a política de Guillermo Lasso e desafiam seu estado de exceção, para frear sua política antipopular e exigir de que cumpra a agenda dos povos.

Jornal Em Marcha, edição n° 2.006 de 22 de junho a 28 de junho de 2022
Órgão central do Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador


Uma nova revolta indígena-popular tem se construído no Equador. Dezenas de milhares de indígenas, trabalhadores, camponeses, jovens, estudantes, mulheres, moradores de bairros populares, desempregados, feirantes e ambulantes, estão protestando em todo o país, porque não é possível continuar suportando o alto custo de vida, a pobreza, a fome que ronda as suas casas, a falta de emprego, os baixos salários, a impossibilidade de acesso à saúde e à educação.

O descontentamento popular com a política do governo é generalizado em todo o país e assume a forma de luta aberta. Desde 13 de junho, todas as províncias foram palco da luta do movimento indígena, da juventude, dos professores, homens e mulheres dos setores populares. Anteriormente, as ações de protesto eram realizadas por estudantes do ensino médio e universitário, professores organizados na União Nacional dos Educadores (UNE), parte de um conjunto de ações elaboradas por organizações integrantes da Frente Popular. 

Fora Lasso! Por um governo popular!

A luta se generalizou após o apelo da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) por um protesto progressivo e indefinido, para exigir que o governo cumpra uma plataforma de dez pontos que inclui as aspirações da grande maioria do povo equatoriano. A plataforma reivindica o congelamento de preços dos combustíveis, moratória de dívidas e alívio econômico em entidades bancárias, preços justos para produtos agrícolas, emprego e direitos trabalhistas, o fim da expansão da fronteira minerária e extrativista, orçamento para saúde e educação, controle de preços e especulação em necessidades básicas, segurança e geração de políticas públicas para conter a onda de violência criminosa que assola o país.

Em 16 de junho, em vinte e três províncias, estudantes e professores universitários, trabalhadores agrupados na UGTE, coletivos e organizações de mulheres, professores sindicalizados na UNE, pequenos lojistas, estudantes organizados na FESE e FEUE e outras forças da Frente Popular realizaram mobilizações, rompendo as barreiras policiais instaladas pela força pública. 

UNIDADE POPULAR. indígenas, jovens, mulheres, movimentos sociais e partidos de esquerda se unem na luta. Foto: EFE/Santiago Fernández.

Em ações conjuntas com o movimento indígena, a militância da Unidade Popular e o PCMLE participaram e apoiaram o fechamento de estradas. Nelson Erazo, presidente da Frente Popular, indica que “a luta que os povos indígenas e camponeses sustentam não é apenas por seus direitos, mas por todos os equatorianos, que se levantam contra o alto custo de vida”.

A crise que o país vive há meses em todos os níveis, hoje tem um elemento qualitativamente novo, o protagonismo das massas nas ruas, que se tornou o principal elemento no cenário político atual. A contradição povo-governo se tornou tensa a ponto de, juntamente com as reivindicações iniciais que motivaram a luta das massas, hoje o presidente ser convidado a sair. Lasso para fora, governo popular! Ecoa por todo o país.

Não há soluções, somente repressão

A ascensão da luta das massas quebrou, de fato, o estado de emergência decretado pelo governo para interromper os protestos. A mobilização de numerosas tropas do Exército e da Polícia não foi capaz de deter as ações de combate distribuídas em todas as províncias e o avanço dos contingentes de homens e mulheres que chegam a Quito. A ameaça não tem efeito quando a consciência e a coragem se unem; a experiência de outros combates permite-nos enfrentar em melhores condições as forças repressivas e evitar os seus ataques e cercos.

A luta está empurrando o governo para trás. Lasso deixou de dizer que  “nada está acontecendo aqui e não há motivo para protestar”, sendo forçado a adotar algumas medidas, como a declaração de emergência sanitária e o aumento do orçamento para a educação intercultural bilíngue, O governo anunciou que as outras medidas permanecerão em debate, nada mais. Achou que isso bastava para desmobilizar o protesto, mas mais uma vez errou: a luta cresceu, na convicção de que é possível alcançar uma vitória maior.

REPRESSÃO. Governo decretou estado de sítio em províncias como resposta à mobilização popular. Foto: Rodrigo Buendia/AFP.

A repressão não vai parar a luta

O povo está encurralando o governo, enfrentando os efeitos da aplicação da política neoliberal e do próprio neoliberalismo, que é o credo político-econômico das facções burguesas mais poderosas do país, enfrentando por sua vez os efeitos da exploração e da opressão exercida pelo capitalismo.

Há em nosso país um povo que se levanta, que escreve a história com sua luta, que forja a unidade dos explorados e oprimidos lutando contra o governo que representa os interesses dos donos do grande capital. A cidade está construindo uma nova vitória.

O Equador se levanta!

O povo se levanta em todo o país, demonstrando seu espírito indomável, sua decisão de fazer ouvir suas vozes, para forçar as mudanças que o Equador precisa. 

Nos campos e nas ruas forja sua unidade, fortalece sua organização e avança, afastando seus inimigos, desafiando balas e cadeias. 

O povo se levanta porque sabe que sua luta abre horizontes, constrói seu próprio destino. A unidade dos povos, quando amassada pela consciência de classe, é inquebrável.

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. A luta de classes virou guerra de classes. Essa é uma chama acesa para a América Latina! Essa é a hora da luta pela Pátria Grande, a AL ao socialismo, livre das amarras do Imperialismo.

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