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domingo, 7 de agosto de 2022

Estudantes denunciam assédio e estupro em universidades do interior de SP

Estudantes da UNESP relataram assédio praticado por professor, e realizaram colagem no campus denunciando frases machistas ditas em sala de aula. Aluna da Universidade Federal de São Carlos também relatou estupro na moradia universitária, situação em que a instituição não tomou providências. 

Giovanna Zulim e Juliana Gregório


BAURU (SP) – Na sexta-feira, 1 de julho, o campus da UNESP de Bauru amanheceu com cartazes denunciando mensagens de conotação sexual de um professor adjunto da universidade. As mensagens como “a verdade é que nosso desejo não passa” foram escancaradas nos arredores do campus numa tentativa das alunas de ter uma posição justa da universidade, exigindo que o professor fosse impedido de dar aulas. Tempo depois, no mesmo dia, uma outra ex-aluna relatou em sua conta do twitter que já houveram outras denúncias formais, com relatos de dezenas de meninas e prints de e-mails e mensagens abusivas desde 2013, e os autos do processo de investigação e averiguação foram arquivados. 

As estudantes também divulgaram uma petição pública a favor da exoneração do professor, e na sexta-feira fizeram um ato de protesto em frente a sala onde o professor dá aulas, pedindo uma posição da administração e da coordenação do curso, e o impedimento de continuar estando na universidade mesmo após as divulgações dos assédios praticados. 

Semanas antes, em outra universidade de Bauru, a UNISAGRADO, uma estudante denunciou ter sofrido violência sexual dentro do campus, e a posição da reitoria da universidade foi de que a mulher vítima estava “em crise” e que o caso deveria ser abafado. Nesse ocorrido, também houve manifestação das estudantes para expressar a indignação com o caso e com a omissão dos órgãos administrativos, muitas alunas relataram que a má iluminação dos arredores do campus as deixam inseguras para andar até suas salas de aula no período noturno.

A recorrência desses casos de assédio nas universidades é grande, e na maioria das vezes a posição das coordenações são omissas e relativizam e duvidam da palavra das vítimas, ficando ao lado do assediador e protegendo-o. A universidade se torna um ambiente hostil no momento em que ao denunciar a violência sofrida, as mulheres não encontram apoio por parte da instituição, se sentindo abandonadas.

Ao falarmos de permanência estudantil, pensamos em direitos básicos como alimentação, moradia etc. No entanto, a segurança dos alunos também faz parte das políticas assistencialistas e, neste caso, a das mulheres segue sendo violada a todo tempo e em todo lugar e nada é feito por parte das instituições. Muitas mulheres desistem da graduação após serem assediadas e nada acontecer. “Não posso circular tranquilamente pela universidade e pelo que eu saiba outras meninas foram vítimas de assédio pelo mesmo rapaz. A universidade não nos dá suporte algum, fico a imaginar quantas meninas já desistiram de suas vidas acadêmicas por conta de abusadores e a defesa da universidade aos agressores”. Esse é o relato de uma aluna da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), vítima de estupro na moradia universitária, onde apesar da denúncia, nada foi feito por parte da instituição. 

Pensando nesse contexto de violência, é muito importante ter um movimento de mulheres combativo presente nas universidades, que fomente a resistência, dê amparo às mulheres vítimas e direcione a revolta para criar ações de combate à violência contra a mulher, tanto entre os estudantes como envolvendo também o corpo docente, pois esse é um problema de escala social que deve ser combatido em toda a comunidade. Criar momentos de debate, rodas de conversa, redes de apoio e proteção, denunciar os casos e exigir justiça é o caminho para acabar com o clima hostil às mulheres dentro das universidades. 

Apresentar o Movimento de Mulheres Olga Benario para todas as mulheres dentro da universidade deve ser o trabalho de toda companheira que está presente nesse ambiente. Só a luta organizada das mulheres pode trazer justiça a casos como esses. Nós, enquanto mulheres e estudantes, temos o direito de não ter medo de ir para a universidade, temos o direito de estudar e não sermos impedidas, seja por abuso, violência, falta de creche, falta de moradia, etc.  Não podemos mais deixar que casos como esses fiquem impunes! A universidade precisa ser um lugar seguro para todas! 

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