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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Recenseadores vão às ruas no dia 26 de agosto e organizam greve nacional no dia 1 de setembro

Ícaro Vergne
Salvador-BA

Na manhã do dia 26 de agosto os recenseadores do IBGE se manifestaram em várias cidades do país como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador contra contra a exploração que vem sofrendo. Muitos recenseadores estão trabalhando sem receber sequer uma ajuda de custo para o transporte e o pagamento é feito apenas após a conclusão de pelo menos 95% do setor. Há também aqueles que enfrentam dificuldades em acessar determinadas regiões, bairros, condomínios e prédios ou ficam estagnados em seu progresso devido a recusa e ausência elevada. Ou seja, se por conta de uma dessas situações o setor demorar 2 meses para ser concluído, o recenseador ficará 60 dias sem receber nada. Além disso, muitos não receberam nem a ajuda de custo relacionada à semana do treinamento realizado há mais de um mês. Outros, já terminaram o seu setor e aguardam o pagamento há semanas.

Diante disso, os recenseadores foram as ruas no dia 26, ocuparam as sedes do IBGE e agitaram em torno da greve nacional no dia 1 de setembro como forma de paralisar a coleta do censo e pressionar para que as seguintes reivindicações sejam atendidas: pagamento prévio da ajuda de custo do transporte, pois muitos não conseguem ir à campo devido à falta de dinheiro para o transporte e a imediata quitação do atraso dos valores referentes à ajuda de custo do treinamento e a ajuda de custo do transporte, assim como o pagamento aqueles que concluíram seu setor e ainda não receberam.

Recenseadores em reunião com André Urpia, superintendente regional do IBGE na Bahia para exigir melhoria nas condições de trabalho.

É um absurdo que um órgão público, a serviço do governo federal e que tem grande importância para o país, revelando importantes estatísticas sobre distribuição de renda, analfabetismo, população urbana e rural, taxa de natalidade e mortalidade, etc. esteja tratando dessa forma os servidores públicos. O método adotado pelo IBGE de fazer do censo um trabalho por produção, atende aos interesses do neoliberalismo e da lógica de “uberizacao” do trabalho que estimula a concorrência e explora ainda mais o trabalhador. Por exemplo, nesse formato não são contabilizadas as horas em que o mesmo está em serviço mas não consegue progredir no trabalho devido ao número de ausências ou recusas. Não à toa o IBGE está dando prioridade ao pagamento daqueles que estão mais adiantados em seu setor, sendo que cada região apresenta dificuldades diversas e por tanto, a velocidade com que se faz a coleta em determinado setor também varia.

Resultado da falta de boas condições de trabalho, mais de 8 mil recenseadores já deixaram o serviço mesmo com o desemprego elevado como está e o IBGE, apesar de não dar satisfações aos trabalhadores que estão sem receber, abriu um novo concurso público para substituir essa elevada quantidade de trabalhadores que deixaram o trabalho por falta de condições básicas. O culpado de todo esse caos que atinge os trabalhadores em nosso país é o fascista Jair Bolsonaro, que a serviço da burguesia, surgiu para aumentar a exploração sobre os trabalhadores, despejando a crise sobre as nossas costas, enquanto os ricos se tornam cada vez mais ricos.

O censo do IBGE, que deveria ter sido realizado em 2020, foi remarcado para 2021 devido à pandemia e foi novamente adiado para 2022 por conta de um corte de verbas que atingiu o instituto no ano passado. A verdade é que, se dependesse do governo federal o censo não seria realizado, pois é um governo que não tem compromisso com a pesquisa e a ciência. E mesmo com a autorização para a realização do censo em 2022, o IBGE também sofreu um grande corte de verbas no orçamento de aproximadamente 700 milhões de reais. O levantamento para o censo era estimado em 3 bilhões de reais e quando aprovado, foi reduzido para 2,3 bilhões. Bolsonaro diz não ter verba para o censo. Diz o mesmo em relação à educação e a saúde pública. Por outro lado, seu governo gastou milhões de reais com viagra, prótese peniana e leite condensado para militares e trilhões de reais para salvar os bancos privados da crise econômica.

É evidente que é sobre as costas dos trabalhadores mais explorados, como os recenseadores, que são despejadas as crises econômicas e os cortes de verba. Os trabalhadores que se inscreveram no concurso público para recenseador e obtiveram a aprovação, foram iludidos com promessas de um emprego estável, ainda que temporário, e hoje passam dificuldades para pagar contas ao fim do mês devido aos atrasos no pagamento. É por tudo isso que no dia 1 os recenseadores organizam uma greve nacional, com atos em várias cidades para dizer não a exploração e exigir melhorias nas condições de trabalho.

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