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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Estudantes da UFSC lutam contra os cortes na educação realizados pelo governo Bolsonaro

Denunciando os cortes na educação, os estudantes fecharam todas as entradas para carros na universidade e fizeram barricadas em todos os centros.

João Rio, Gabi Bala e João Victor | Florianópolis


JUVENTUDE Nos últimos meses do mandato fascista do Governo Bolsonaro, que desde o início faz de tudo para impedir o funcionamento do ensino público, o ex-capitão aproveitou para roubar o dinheiro das instituições federais de ensino. No dia 28 de novembro de 2022, foram saqueados ao todo 1,68 bilhões do orçamento da educação e 224 milhões das universidades. A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sofreu um bloqueio nos recursos financeiros de  R$7,9 milhões. 

O que significa materialmente falando, que, se existia alguma garantia de funcionamento até o final do ano, esta foi totalmente aniquilada pelos novos cortes. 

O financeiro de uma das principais universidades catarinenses já vinha empurrando o pagamento de contas e destinando o possível para o funcionamento básico da instituição. Tentando manter principalmente o funcionamento do restaurante universitário, o pagamento de bolsas e o acerto das contas de água e luz. 

Porém, a nova retaliação criminosa do governo, deixa os estudantes sem perspectiva para a posteridade. Durante a primeira semana de Dezembro, bolsistas Pibe, Prae e monitores, tanto da graduação quanto da pós-graduação, ficaram sem o recebimento das suas bolsas. 

O que pode gerar situações de vulnerabilidade alimentar, financeira e psicológica, devido não saber quando vão ter seu direito enquanto bolsista novamente garantido. Além disso, o funcionamento do RU foi atingido e o salário dos trabalhadores terceirizados veio atrasado, descontado, e sem o vale transporte e alimentação.

Com isso, em assembleia geral, os estudantes deliberaram consensualmente a paralisação total da universidade durante a quinta-feira, dia 08/12.

Greve geral

Os estudantes fecharam todas as entradas para carros na universidade e fizeram barricadas em todos os centros. Através da ação de impedir a entrada dos carros, estudantes abordaram professores e alunos que tentavam seguir com as aulas rotineiras, e a partir do diálogo e agitação, proporcione a possibilidade de elevar a consciência dos trabalhadores e estudantes, para então se somar à luta contra o fascismo e os cortes das verbas da educação. 

Na hora do almoço, foi feita uma agitação no restaurante universitário, em protesto realizaram de forma organizada um catracaço. Servindo como exemplo e ressaltando a força dos estudantes em resistir à expulsão que vem sendo tentada pelo governo, num plano de precarização que continua avançando, atrelado ao projeto criminoso de desmonte do ensino público. 

Durante o dia, foi dada a notícia da liberação de 300 milhões de reais para repasse de recursos para o MEC, o que possibilitaria o pagamento de todas das bolsas de monitoria, do Programa Institucional de Bolsas de Estágio (Pibe/Prograd) e do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Este último, contempla os benefícios da Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae): Bolsa Estudantil, Auxílio Moradia, Auxílio Creche e Programa de Assistência Estudantil para Estudantes Indígenas e Quilombolas (PAIQ). Isso desafogou a situação dos estudantes trabalhadores, mas que também não pode ser visto como uma medida de uma solução do real problema. 

Situação desumana para os trabalhadores

Os estudantes e trabalhadores das universidades federais, estão diretamente ligados ao plano neoliberal de privatização das universidades e de destruição de direitos e garantias de acesso e permanência para a classe trabalhadora. 

Esse plano vem sendo alimentado desde muito antes do atual governo. O valor arrecadado pelo estado, recolhidos de impostos pagos por trabalhadores, deveria reverter a educação pública, e este capital está na verdade, enchendo os bolsos de capitalistas que lucram com a educação, através de políticas públicas como Fies e Prouni, que tem por fim inserir estudantes em faculdades privadas e não proporcionando mais universidades pública. 

As faculdades privadas podem até proporcionar uma forma de acesso, entretanto ocasiona o endividamento do estado e até mesmo dos estudantes. Além de privar a formação gratuita de qualidade e o direito a políticas referentes à permanência estudantil, servindo para garantir o mínimo, como a refeição, moradia, lazer e estrutura, e sobretudo se distanciando da lógica lucrativa na formação em geral. 

Assim, o Movimento Correnteza compromete-se em pensar uma articulação desta luta coletiva, sendo os estudantes a ponta de lança das mobilizações universitárias. Pensando para além da institucionalidade, tendo a preocupação de construir atividades sem que prejudique, por exemplo, os trabalhadores terceirizados que têm seus salários nas mãos de patrões preocupados somente com a estabilidade do lucro.

Mesmo que haja o retorno das verbas retiradas, devemos permanecer politizando todos os espaços onde nossa militância está, arrastando muito mais estudantes para a luta coletiva por uma educação 100% gratuita e preocupada com o acesso da população.

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