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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Em Gravataí (RS), empresa privada recebe milhões de prefeitura em troca de péssimo serviço

Empresa monopolista de ônibus em cidade gaúcha recebe milhões em troca de péssimo serviço. Passagens caras, falta de segurança e péssimas condições de trabalho para motoristas marcam situação do transporte público de Gravataí, no Rio Grande do Sul.

Júlia Bitelo | Gravataí-RS


TRABALHADOR UNIDO – Gravataí é uma das tantas cidades da região metropolitana de Porto Alegre que pena com a questão do transporte público. Além de sofrer com a falta de ônibus, passagens de R$ 9,20 para a capital e um tempo de espera de, no mínimo, 40 minutos nas paradas da cidade, os gravataienses ainda precisam lidar com os repasses milionários da prefeitura para a empresa privada que administra o transporte público na cidade: a SOGIL. 

Em 2021, durante a pandemia de Covid-19 com falta de leitos destinados aos pacientes vítimas do vírus no único hospital da cidade, houve o repasse de 5 milhões de reais para a empresa privada. O Projeto 26/2021, elaborado pela gestão do prefeito Luiz Zaffalon (MDB), previu o repasse como uma forma de “socorro emergencial” à SOGIL, que ameaçava subir de novo o valor da passagem a fim de reduzir os “prejuízos” ocasionados pela pandemia.

O Projeto estabelece um subsídio de R$194 mil durante 20 meses, além R$1,15 milhões em compra de passagens pela Prefeitura. A fim de reduzir ainda mais seus custos, a empresa demitiu os cobradores e foi autorizada pela prefeitura a reduzir a frota de 73 ônibus para 50 durante o período da pandemia.

Enquanto a Sogil clama por auxílio do dinheiro público dos gravataienses, Sérgio Pereira, um dos sócios da Sogil, está entre os maiores empresários do estado do Rio Grande do Sul. Ele é associado, também, na empresa Navegantes, em Porto Alegre, dono da Viação Santa Tereza (Caxias do Sul) e da empresa de Santo Anjo (Florianópolis). Este fato deixa evidente e reforça o interesse dos grandes empresários de lucrar acima das demandas da sociedade, mesmo que isso custe caro a quem depende dos serviços públicos, pois apesar de todo o repasse concedido à empresa privada, isso não garantiu melhorias reais para o serviço prestado à população.

Ainda em 2021, a prefeitura justificou a aprovação do repasse milionário com a perspectiva de diminuição das passagens de ônibus na cidade. De R$5,35 do valor da tarifa as linhas municipais diminuiriam para R$ 3,75 e, apesar disso, para os cerca de 80 bairros que compõem a cidade, a frota dispõe de apenas 72 ônibus municipais dos 293 da frota toda, os quais oferecem a passagem a esse valor reduzido, sendo necessário que a população muitas vezes recorra aos ônibus intermunicipais (ainda no valor de R$ 5,35) pela falta de horários em determinados bairros.

Bruna, trabalhadora do Centro de Referência de Assistência Social e estudante diz: “Pra mim, o maior problema é a falta de linhas, porque o municipal tem um só de cada e é a cada 40, 45 minutos, dependendo do horário é um por hora, e por isso, fica superlotado e não conseguimos nem sentar”. 

Além disso, sobre as “melhorias” apresentadas pela empresa, estão a conexão Wifi e entrada USB para carregar aparelhos celulares, das quais a Sogil alega serem demandas da população. Porém, a conexão Wifi está disponível apenas na frota “midi”, em que a passagem custa R$7,35. Como se não bastasse as tarifas exuberantes das linhas intermunicipais (R$ 5,35, R$ 9,20 até a capital e R$ 13,15 nos ônibus executivos), os e as passageiras, além dos motoristas, correm o risco de serem assaltados à mão armada.

Carine da Silva, estudante e trabalhadora de clínica médica na cidade disse ao Jornal A Verdade: “Meu vizinho foi assaltado dentro do intermunicipal, os assaltantes entraram na parada do Carrefour e foram até a parada do Shopping de Gravataí pegando os celulares e as coisas de todo mundo”.

Mais dinheiro para o barão do ônibus de Gravataí

Já em outubro desse ano, foi votado o Projeto de Lei 106/2022, que prevê mais de R$10 milhões em repasses para a Sogil em 2023. De 20 vereadores presentes, 13 deles votaram de forma favorável ao PLE 106/22, dentre eles Alan Vieira (MDB), Alex Peixe (PTB), Policial Evandro Coruja (PP), Márcia Becker (MDB) e Dila (PDT). Isso demonstra, mais uma vez, que aqueles que deveriam representar os interesses da população gravataiense, em sua maioria não votam a favor do povo.

Enquanto isso, movimentos sociais e partidos políticos, como a União da Juventude Rebelião e a Unidade Popular, discutem na cidade a falta do passe livre estudantil, de elevadores para cadeirantes e a ausência de linhas em seus bairros. Por isso, é indispensável que a população de Gravataí se organize para combater a vontade de políticos e empresários que colocam como prioridade o lucro acima das necessidades básicas dos e das gravataienses.

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