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domingo, 14 de abril de 2024

Guerra na Ucrânia completa um ano sem fim à vista

Felipe Annunziata | Rio de Janeiro (RJ)


INTERNACIONAL – No último dia 24 de fevereiro, a invasão russa ao território ucraniano completou um ano. Desde então, o conflito já contabiliza mais de 100 mil mortos, entre ucranianos e russos, militares e civis; 14 milhões de desalojados e mais de 5 milhões de refugiados. Embora os números de mortos e feridos sejam pouco confiáveis (dado que os governos nacionais omitem isso ou subestimam a quantidade), é fato que temos o conflito mais sangrento do século.

A guerra foi vista pelos russos como a maneira de garantir a Ucrânia como uma nação na esfera de influência dos seus interesses imperialistas. Isto porque a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar imperialista entre os EUA e a Europa, vem, desde o fim da URSS, em 1991, aproximando-se das fronteiras russas com a adesão de novos países, como a Polônia, Estônia,Lituânia, entre outros.

É por isso que o governo reacionário ucraniano de Volodymyr Zelensky vem sendo fortemente apoiado com armas e dinheiro pelo chamado Ocidente. Portanto, esta é mais uma guerra imperialista que não tem mocinhos nem bandidos, enquanto os trabalhadores de Rússia e Ucrânia são mortos e massacrados. Rússia e Otan erraram previsões desde o início da guerra e se enfiaram num conflito que não sabem como sair sem serem derrotados. Todas as previsões de russos, ucranianos, europeus e estadunidenses falharam.

Ao invadir a Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin e seus generais pensaram que esta seria uma vitória rápida e tranquila. A inteligência russa via o governo de Zelensky como fraco, e, de fato, é. No entanto, além de não ter caído tão facilmente, os russos desconsideraram o potencial de defesa dos ucranianos. A despeito de desatualizado, os ucranianos ainda contam com um amplo arsenal de tanques e armas soviéticas, herança do período socialista naquele país.

Este armamento, aliado a erros militares graves dos próprios russos, ajudaram os ucranianos na defesa inicial do território. Isso deu tempo e condições para que a Otan armasse ainda mais a Ucrânia e transformasse o projeto de guerra rápida russa num atoleiro ucraniano.

Por sua vez, europeus e estadunidenses acreditaram que impor sanções aos russos quebraria a economia do país. Com todas as sanções, os economistas liberais correram para dizer que a economia da Rússia iria cair entre 10% e 15% em 2022, ao passo que
ela caiu apenas 2,5%.

O fato é que, ao contrário do que a mídia liberal imperialista pensava, os russos conseguiram encontrar alternativas. Eles desviaram as exportações de gás e petróleo (principais produtos russos) para outros mercados, principalmente a China e a Índia. Ao mesmo tempo, a Rússia conseguiu manter a maior parte do mundo neutra na guerra: países da América Latina, África e da maior parte da Ásia não tomaram lado no conflito, mantendo as relações comerciais com os russos. Só o Brasil, por exemplo, durante o primeiro semestre de 2022, recebeu 95% mais importações da Rússia, segundo o Governo Federal.

EUA e Europa lucram com a guerra

Ao passo que os russos dão passos de tartaruga no campo de batalha, mas conseguem obter vitórias econômicas, os imperialistas norte-americanos e europeus veem seus objetivos primários serem alcançados. Hoje, boa parte da capacidade da indústria bélica
da Otan está sendo usada para apoiar o Governo Ucraniano.

Na prática, os EUA e a União Europeia estão usando a Ucrânia como laboratório de testes de armas contra os russos e um lugar para despejar armamentos mais antigos e também em excesso nos seus estoques. O envio de munições e armas aos ucranianos é tão intenso que o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, declarou, no último dia 13, que a Ucrânia usa armas e munições acima da capacidade de produção e reposição da
Otan. Ou seja, os bilionários da indústria de armas do chamado Ocidente não poderiam
estar comemorando mais. Com o fim da Guerra do Afeganistão e a paralisação da guerra civil na Síria, a Ucrânia se tornou o principal mercado para seus produtos.

Rússia e China consolidam bloco

Do outro lado do front, a Rússia utilizou a guerra para fortalecer seu bloco estratégico com a China. Hoje, o gigante asiático é o principal fornecedor de materiais fundamentais para a manutenção da máquina de guerra russa e vem aproveitando a guerra na Europa para expandir sua influência geopolítica na África e América Latina.

Além de ter se consolidado como principal parceiro comercial de quase todos os países do mundo, a China passou a financiar ainda mais as dívidas nacionais de vários países, como Sri Lanka e Myanmar, por exemplo.

Isso tem colocado os chineses em condições de criar, aos poucos, uma aliança com o Governo Russo, em que este se comporta como parceiro menor. Isso tudo em vista de fortalecer seu bloco imperialista no enfrentamento ao bloco dos EUAe da Europa.

Morte e destruição

O fato é que toda essa nova conjuntura internacional traz graves consequências para o mundo. Além de somar milhares de mortos e milhões de refugiados, a guerra está elevando o preço dos alimentos no mercado internacional, já que ucranianos e russos são dois dos maiores produtores de grãos no mundo.

A guerra também vem ampliando a propaganda nacionalista reacionária em todos os lugares da Europa e na Rússia, além de estar fortalecendo grupos fascistas. Hoje, o Exército ucraniano tem em grupos armados neonazistas e mercenários as suas principais bases de combate.

Na Rússia, o Exército também vem utilizando grupos mercenários fascistas e buscando o apoio das alas mais reacionárias da Igreja Ortodoxa. Por sua vez, a Europa vem ampliando as políticas russofóbicas, tal como fazia na época da dominação nazista. Desde o início do conflito, obras de arte russas foram destruídas ou escondidas na Europa, russos residentes são vistos com desconfiança e a propaganda de guerra nesses
países sempre evoca memórias do nazismo.

A única saída para o atual conflito é a cessação imediata das hostilidades. A existência de alianças militares imperialistas (como a Otan) ou a expansão da política de armas nucleares (como propõem Putin e os EUA) não são uma saída para os povos, apenas para a burguesia internacional.

É preciso acabar com a estrutura de guerra do capitalismo. Por isso, a unidade de todos os povos explorados do mundo, russos e ucranianos em especial, é fundamental para acabar com essa guerra imperialista e criar as condições para uma nova ordem onde a fraternidade entre os povos seja a regra.

Matéria publicada na edição impressa nº 266 do jornal A Verdade

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