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terça-feira, 28 de maio de 2024

No Dia Internacional da Mulher, memória do acidente em antiga fábrica de Caxias do Sul (RS) revela a realidade das mulheres trabalhadoras

No dia 22 de julho de 1943, uma grande explosão na antiga Metalúrgica Gazola, em Caxias do Sul (RS) vitimou 6 mulheres operárias. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, relembre esta tragédia e as diversas lutas das mulheres trabalhadoras em defesa de seus direitos.

Luiz Cláudio de Paiva Júnior*


BRASIL – Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, hoje lembramos de uma tragédia ocorrida na cidade de Caxias do Sul (RS) em 22 de julho de 1943.  Neste dia, houve uma grande explosão na antiga Metalúrgica Gazola que vitimou 6 trabalhadoras: Graciema Formolo, Maria Bohn e as irmãs Julia e Olívia Gomes, que morreram no momento da explosão, além de Tereza Morais e Irma Zago, que vieram a falecer depois de uma semana internadas. A jovem Odila Gubert sobreviveu à explosão, mas teve a perna amputada.

O acontecimento não está separado do contexto de exploração das trabalhadoras em que proporcionou outro trágico acidente, esse de maiores proporções, que foi o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist em Nova Iorque, o qual vitimou 125 operárias no dia 25 de março de 1911 e impulsionou ainda mais batalha das mulheres nos EUA por condições dignas de trabalho.

O depoimento de Remi Gazzola no documentário “Aos Olhos de Santa Bárbara”, dirigido por André Costantin, que retrata o acidente na metalúrgica Gazola, deixa claro o porquê de tantas mulheres vitimadas nos acidentes em fábricas. Segundo ele, havia muitas mulheres na fábrica porque a mão de obra era mais barata, já que recebiam menos do que os homens.

O acidente na cidade da Serra Gaúcha foi há 80 anos, mas a desigualdade entre os gêneros dentro das empresas nunca foi embora. Numa lista de 149 nações, o Brasil ocupa o 132º lugar no ranking de equidade salarial divulgado em 2018 no Fórum Econômico Mundial, com as mulheres recebendo salários médios 20,5% menores que aqueles pagos aos homens em funções similares, segundo o IBGE. Há setores e profissões em que a diferença sobe para cerca de 35%, não poupando sequer profissões tradicionais como médicos especialistas e advogados.

Lei proíbe a discriminação mas empresas descumprem

Embora a Constituição de 1988 e a CLT proíbam a discriminação da mulher no ambiente de trabalho, na prática os patrões e gestores continuam rebaixando os direitos das trabalhadoras. Em agosto de 2018, uma empresa da cidade de Itapira (SP) foi condenada por pagar salário menor a uma operadora de torno, situação que lhe rendia, além do prejuízo financeiro, ridicularização por parte dos colegas. Enquanto ela recebia R$ 8,29 por hora trabalhada, seus colegas homens recebiam cerca de R$ 15,00 a mais na mesma função.

A fiscalização desse tipo de ilegalidade é atribuição do MTE, por meio da Secretaria do Trabalho, mas é crucial que as próprias trabalhadoras se organizem em sindicatos, para juntas coibir tais práticas preventivamente, devendo os trabalhadores homens, evidentemente, estarem ao lado delas nessa luta, constituindo organizações sindicais combativas e atentas à urgência de pôr abaixo o sistema econômico que intensifica a exploração sobre o trabalho feminino para lucrar ainda mais.

Data nasce de movimentos revolucionários feministas

As mulheres são grande parte da força de trabalho e a maioria da população. A organização das trabalhadoras tem a capacidade de promover grandes mudanças. O principal evento histórico que motivou a ONU a reconhecer oficialmente o Dia Internacional da Mulher em 1977, deu-se em 8 de março de 1917 na Rússia, quando dezenas de milhares de mulheres, especialmente operárias têxteis e familiares dos soldados mandados para morrer nos campos de batalha, entraram em greve e, sob o lema “Pão e Paz”, marcharam pelas ruas da antiga capital Petrogrado (atual São Petersburgo), convocando o operariado russo a juntar-se a elas para combater a monarquia e exigir a retirada da Rússia da I Guerra Mundial. O movimento causou grande agitação social com a paralisação de cerca de 90 mil trabalhadores, o que culminou na derrubada da opressiva ditadura czarista e na instituição de um Estado socialista que se provou a maior experiência de emancipação feminina da história.

Como disse Alexandra Kollontai, dirigente comunista russa, “O dia Internacional das Mulheres de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir desse dia”.

A história mostra que o 8 de março, muito além de apenas mais uma data para presentear as mulheres, como sugere o senso comum propagado pela cultura patriarcal, nasce com um forte conteúdo político subversivo, que precisa ser resgatado a fim de elevar a necessidade de superação do capitalismo.

*Militante do MLC – Movimento Luta de Classes em Caxias do Sul (RS)

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  1. Minha Mae, bem como, sua Irma, minha Tia, foram vitimas desta explosao.Ambas trabalhavam ai, neste inferno, no dia 22 de julho de 1943, minha Tia Maria Amanda Bohn vitima desta explosao, morreu, minha Mae, Laura Leocadia Bohn, nome de solteira, Laura Leocadia de Carvalho, nome e casada, sobreviveu, sequelada, morreu ateuma semana antes de completar noventa anos. Isto foi um crime de guerra ao meu ver, nunca denunciado, nunca investigado e, muito menos, punido. Mas nunca e tarde para se fazer justiça e eu, ainda hoje, com meus 68 anos espero ver justça para minha Mae e minha Tia. Eu, como filha, muito ouvi da minha acerca do que aconteceu. Como se faz justiça para todas as vitimas deste horror, bem como, para todas as suas familias???

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