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domingo, 14 de julho de 2024

Aniversário de 50 anos de Sabotage marca a sua imortalidade no rap nacional 

O mês de abril se encerrou com o aniversário de 50 anos do rapper, conhecido na favela do Canão como Maurinho, e internacionalmente como Sabotage. Conheça a história de vida deste artista da cultura popular que retrata a vida do povo na periferia.

Gabriela Torres Martins | Curitiba


CULTURA – O mês de abril se encerrou com o aniversário de 50 anos do rapper, conhecido na favela do Canão como Maurinho, e internacionalmente como Sabotage.

Mauro Mateus dos Santos nasceu na periferia da zona Sul da capital de São Paulo. Filho de Ivonete Mateus de Melo, preto e de santo feito no Candomblé, Sabota foi conhecido pela irreverência, pela criatividade, pela capacidade de elaboração lírica e pela dimensão de referências na arte. Trabalhou com nomes da música nacional – que iam de RZO, Black Alien e Cascão, até figuras como Chorão, do grupo Charlie Brown Jr. e a banda Sepultura.

Questionado sobre a música mais marcante de sua vida, em sua última entrevista em 2002, respondeu de prontidão: Quando ouvia ‘O Meu Guri’ [de Chico Buarque], aquilo era o meu retrato no morro. Porque eu era vendedor de droga. E, quando vinha a polícia, corria para dentro do morro, guardava os bagulhos em tal lugar, a arma em outro, trocava de roupa e ia para dentro do meu barraco.”

 

Que o dinheiro nunca compre a sua postura

Sabotage transformou a sua arte em um instrumento de denúncia da realidade da maioria dos trabalhadores do estado de São Paulo. Na luta contra a fome, viu no crime a única oportunidade de sobrevivência da sua família, e retratou as dificuldades de viver a vida de sobrevivente que os moradores da periferia vivem, sem acesso à moradia digna, educação e saúde. “A favela é uma circunstância que o governo criou (..) ‘Excelentíssimo não sei o quê, aqui tá precisando de mais emenda, mais dinheiro, de luz e água’. ‘Ah, depois nóis vê’. Tudo bem… Aí a favela vai crescendo, sem água, sem luz, sem comida, e vai ficando na mente das pessoas a revolta. Eu olho no olho das pessoas daqui e vejo a revolta das pessoas, a criançada se perde, o barato aqui é loco”. 

Maurinho, como era chamado no Canão, era conhecido por ser bem humorado e se dava bem com as crianças, sempre visto em uma das vielas da comunidade, sentado com um caderno universitário e um pedaço de lápis, escrevendo as letras que o tirariam do tráfico e o levariam para a História. Após muita luta, lançou o seu álbum “O Rap é compromisso” no ano de 2000, com a produção de Helião e Daniel Ganjaman.

Nas noites frias na fogueira assalto era meu tema

Pra quem nasceu na Zona Sul, o sofrimento é evidência

Aqui não tem paz, aqui não tem sinceridade

Não tem nenhum filha da puta sem maldade

Necessidade na Espraiada, o crime em sua porta

Também polícia, revólver, droga, caminho da roça

É óbvio que aqui as estatística me diz

Na miguelagem ou então já sabe, só no sapatinho

(País da fome, 2002)

Foi assassinado no final de janeiro, aos 29 anos, após acompanhar a sua companheira até o ponto de ônibus, em direção ao trabalho. É considerado por diversos estudiosos como um dos principais cronistas contemporâneos, e se consolidou como um dos maiores ícones da música negra do início do século XXI, sendo até hoje uma das principais referências da cultura Hip Hop nacional.

 

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