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domingo, 14 de abril de 2024

Israel: Estado sionista mergulhado na crise

Fernando Alves | Redação


“Israel está no limiar de uma guerra civil”. As palavras são do presidente Isaac Herzog e define a atual situação política em que vive o país. Nos últimos meses, as manifestações populares têm sido cada vez maiores. Israel tem sido marcada por dias nacionais de lutas. Mais de 600 mil israelenses já foram às ruas nessas jornadas contra as medidas autoritárias do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que está impondo um projeto de reforma do sistema judiciário com o objetivo de dar mais poderes ao Parlamento, que é o espaço onde o seu governo tem total controle, já que a composição da maioria dos deputados e partidos é de extrema-direita.

Como vem ocorrendo em grande parte dos países mundo afora, Israel também vive uma profunda polarização política na sociedade. São os reflexos latentes da grave crise econômica, social e política que assola o mundo, efeitos da luta de classes.

Se as medidas apontadas por Netanyahu forem efetivadas, ocorrerá desequilíbrios entre as estruturas do Estado, com o pêndulo do peso ficando favorável ao governo aplicar com maior rigor sua política sionista reacionária de xenofobia, de guerra contra os direitos e a soberania do povo palestino e de intolerância religiosa contra cristãos e mulçumanos. Será dar plenos poderes à extrema-direita israelense e seu governo fascista.

 

A reforma do sistema judiciário

As medidas do projeto do governo retiram as atuais atribuições da Suprema Corte e submete seus poderes ao Parlamento. O primeiro objetivo é alterar a composição da comissão que indica os novos juízes para o tribunal. Em seguida, o texto apresenta medidas morais de combate ao feminismo para frear as lutas de reivindicações pelos direitos das mulheres, da comunidade LGBTQIA+ e pelo Estado laico; garantir privilégios aos grupos ultra religiosos, com reforma nos currículos escolares e implantação de matérias especiais que sedimentam as bases do ensino mais conservador; descontos nos impostos em favorecimento aos segmentos religiosos; militarização sem controle; redução dos órgãos de controle à corrupção dos membros do governo; e plena garantia para as políticas expansionistas na criação e manutenção de colônias sobre os territórios palestinos.

A crise é tão grave, que o próprio ministro da defesa do governo Netanyahu, Yoav Gallant, disse que a reforma representa uma ameaça à própria segurança nacional. Também o Mossad (serviço secreto israelense), partes do Likud (partido de Netanyahu) e setores da direita liberal se manifestaram contrários ao projeto. Essa é a realidade de Israel, um Estado sem uma Constituição.

Nos últimos meses, as ruas de Tel Aviv e de outras cidades foram tomadas por multidões em protesto. Sem sinalizar para um recuo de seus projetos, o governo vem se tornando inviável e a única saída apontada pelos atos de rua é a renúncia do primeiro-ministro.

A queda de Benjamin Netanyahu representaria mais uma derrota de um governo com características neofascistas, como já ocorreu com Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil, por exemplo. Ou seja, um colapso na política do imperialismo estadunidense na região, mexendo na correlação de forças do Oriente Médio e do mundo polarizado entre blocos econômicos e militares.

A velha tática do “inimigo externo”

Embora acuse outros países e o povo palestino de terroristas, Israel é a expressão maior do terrorismo de Estado. A prova cabal é a política sistemática de massacres, ataques e cerceamento dos direitos e soberania do povo palestino em seu próprio território e, principalmente, sua política expansionista de aniquilação da nação palestina como território e como povo, com políticas de incentivos financeiros e logístico-militares na implantação de colônias. 

Atualmente, mais de 500 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia (território palestino), com número recorde de assentamentos desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

Para que essa política de expansão se consolide, Israel adota uma campanha permanente de propaganda de guerra sistemática “contra o terrorismo”. Mas o que acontece, na verdade, é que o governo israelense mantém sistemáticas inserções militares nos territórios palestinos, de revistas aos cidadãos e cerco às cidades.

Essa é a tática para manter segura uma base ideológica de massas que garanta aos partidos e grupos sionistas e terroristas a manutenção do poder no país. Por isso, os recentes ataques à Palestina e ao Sul do Líbano como justificativa para adotar suas reformas políticas e neoliberais.

Com uma crise interna sem precedentes em grau elevado, uma divisão política nunca vista e as incursões militares na Faixa de Gaza, o governo quer assegurar sua manutenção no poder. Mas as condições estão muito desfavoráveis. Caminhando para o isolamento e sem alternativas, a política de Netanyahu o levará a uma possível derrota política sem precedentes.

Matéria publicada na edição nº 270 do Jornal A Verdade

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