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domingo, 26 de maio de 2024

Luta de classes se radicaliza na Colômbia

Após 11 meses de sua posse, Petro enfrenta uma grande crise política, que vem se arrastando há meses. Uma crise que surge e se acentua a partir de importantes mudanças, que vão trazer melhorias para a população colombiana.

Fernando Alves | Belo Horizonte


INTERNACIONAL – Com décadas de governos reacionários e de extrema direita, alinhados e articulados com os interesses da Casa Branca e servindo como a principal base política dos Estados Unidos na América Latina, a Colômbia elegeu um presidente do chamado campo democrático e popular. Trata-se de Gustavo Petro. 

Após 11 meses de sua posse, ocorrida em agosto de 2022, Petro enfrenta uma grande crise política, que vem se arrastando há meses. Uma crise que surge e se acentua a partir de importantes mudanças, que vão trazer melhorias para a população colombiana. A principal é a reforma da saúde, em que o governo retira parte do poder de entidades privadas (as EPS – Entidades Promotoras de Saúde) que controlam os recursos repassados pelo Estado através do Sistema Geral de Saúde e que se encontram subordinadas por essas empresas, além de outras melhorias no sistema que visam atender melhor a população. Também, o governo apresentou um projeto de distribuição das terras e para a reforma agrária, medidas que geram ainda mais divergências; além de importantes mudanças para a pasta da Educação.

Foram essas propostas e projetos apresentados por Petro, que levaram a crise política no interior de seu governo.

Ilusão de classes

Durante o processo eleitoral, Petro fez alianças que foram além de sua base histórica de esquerda, recorrendo a alianças com o Partido Liberal, a U (Centrista) e o Partido Conservador, configurando a Coligação que compõe o atual governo. Esses partidos estavam controlando ministérios estratégicos (Defesa, Finanças, Negócios Estrangeiros, Interior, entre outros).

Contrários as reformas propostas, esses partidos buscaram impedir qualquer mudança na melhoria da vida da população, sobretudo dos mais pobres. A crise se agudizou a partir de fevereiro, quando Petro afastou Alejandro Gavíria e mais dois ministros, defendendo a renúncia dos integrantes da Coligação de seu governo. Em abril, outros seis ministros foram substituídos (Agricultura, Ciência, Interior, Saúde, Transporte, Tecnologia e Informações). Porém, a mais contestada mudança aconteceu no Ministério da Fazenda, com a saída de José Antonio Ocampo, economista e acadêmico das universidades de Harvard e Yale e profundamente ligado ao mercado financeiro.

Paralelo a essa crise e divisão política de sua base, a extrema direita e outros partidos conservadores vem realizando várias manifestações denunciando o governo de envolvimento em casos de corrupção. Diante da crise, Gustavo Petro vem conclamando a população às ruas, incentivando as mobilizações populares pelas mudanças.

A Colômbia segue sendo um dos países mais violentos da América Latina.  Com uma população estimada em mais de 51 milhões de habitantes, segundo o Departamento Nacional Administrativo de Estatística (DANE), dos quais mais de 77% vivendo em áreas urbanas, um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 323 bilhões e tendo como base econômica a produção de bens primários (alimentos – café, cana de açúcar e milho; minérios e combustíveis fósseis – petróleo, carvão gás natural e esmeraldas; maior produtor de flores do mundo), o país segue um clima de instabilidade muito grande. São mais de 9 milhões de colombianos vivendo em extrema pobreza.

Vale ressaltar que o território colombiano se transformou no terceiro maior investimento militar dos EUA no mundo, promoveu uma grande propaganda anticomunista e anti-insurgente, ensinou e treinou técnicas de perseguição, tortura, assassinatos, prisão e desaparecimento político de opositores, incentivou e financiou o narcotráfico.

Até hoje o imperialismo estadunidense não desarmou seu aparato militar e seus tentáculos na Colômbia. Por isso, a luta popular e revolucionária precisa avançar na Colômbia e na América Latina, para derrotar o imperialismo e o capitalismo, construindo uma sociedade de homens e mulheres livres, o Socialismo.

Matéria publicada na edição nº274 do Jornal A Verdade.

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