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segunda-feira, 22 de julho de 2024

Josué de Castro: 50 anos da imortalidade do cientista que estudou a Fome no Brasil

“Denunciei a fome como um flagelo fabricado pelos homens contra outros homens, assistiremos nos anos futuros ou a integração econômica do mundo ou a desintegração física do planeta. A paz depende mais do que nunca do equilíbrio econômico do mundo, a segurança social é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas.”

Alberes Simão | Recife


HISTÓRIA – Josué Apolônio de Castro, pernambucano de Recife, nasceu no dia 5 de setembro de 1908. Aos 21 anos, formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e aos 29 anos, em Filosofia. Médico, professor, escritor, cientista, geógrafo, sociólogo, e, acima de tudo, Castro foi um humanista, a fome e a paz eram suas maiores obsessões.

Autodidata e poliglota, era apaixonado por cinema.  Ele era também vaidoso e charmoso, aos seus 28 anos conheceu sua companheira, a ex miss Pernambuco Glauce do Rego Pinto, com quem compartilhou sua vida até sua morte, em 1973. Com ela viveu um romance de toda a vida e teve três filhos. 

Em 1935, com apenas 27 anos de idade, produziu seu primeiro estudo sobre as condições de vida dos operários do Recife, um dos documentos mais contundentes que motivou a criação do salário mínimo no Brasil. Em sua trajetória, publicou 22 livros, traduzidos em mais de 25 idiomas, seu livro Geografia da Fome, de 1946, desenhou um panorama da fome no Brasil.

Em 1950, publicou Geopolítica da Fome, no qual fez um registro da miséria no Brasil e no mundo. Foi presidente da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), que é um organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para a alimentação e agricultura, foi deputado federal pelo PTB por dois mandatos, de 1955 a 1959 e 1959 a 1962, e foi embaixador do Brasil na ONU. Recebeu o prêmio Roosevelt pela Academia de Ciência Política e Sociais dos Estados Unidos da América, o Prêmio Internacional da Paz, o título de Cidadão do Mundo e duas vezes foi indicado ao prêmio Nobel da Paz. 

Em 1964, o cientista Josué de Castro foi perseguido pela Ditadura Militar fascista e, consequentemente, foi aposentado compulsoriamente pela Escola de Filosofia do Rio de Janeiro. Assim, ele ficou afastado de suas funções como pesquisador. Josué de Castro em toda sua máxima pesquisa abordou e apontou causas e consequências da fome que mantinha à margem da dignidade humana os que estavam abaixo da linha da pobreza e, sobretudo, buscou alternativas para mudar este panorama.

Castro humanizou a geografia e a sociologia inserindo o ser humano e suas circunstâncias no mundo dos mapas e das estatísticas. Retratou miséria e desigualdades sem perder a esperança e sem deixar de propor soluções, ressaltando que a humanidade dispõe de recursos naturais, técnicos e financeiros suficientes para resolver este problema. Josué de Castro vem a falecer em 1973, com 65 anos, no seu exílio na França.

Morreu com saudades do seu país, onde ele pôde explorar a vida do nosso povo sob a margem do capitalismo que só produz fome e miséria, deixando a camada mais pobre em situação de extrema vulnerabilidade econômica. 

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