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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Bilionário australiano revela que o desemprego só existe para aumentar os lucros

Bilionário defende que o desemprego precisa aumentar pois isso faz os trabalhadores aceitarem condições ainda mais precárias de trabalho e salários baixos.

Núcleo UP – Zona Oeste | São Paulo


 SOCIEDADE – Em uma palestra o fundador do Gurner Group, que começou a carreira com um empréstimo do seu avô, defendeu abertamente que o desemprego precisaria crescer de 40% a 50% porque durante a COVID a produtividade diminuiu, ou seja, o lucro dos capitalistas caiu.

Durante a pandemia que matou milhões de pessoas, outras milhares foram internadas, muitas com problemas de ansiedade e com um aumento da fome ao redor do mundo, Tim Gurner deixa claro que a única preocupação do capitalismo e seus gestores é o lucro acima de qualquer coisa, inclusive a vida.

No vídeo divulgado, o bilionário ainda engana o público dizendo que “precisamos fazer a economia sofrer, precisamos lembrar as pessoas que elas trabalham para o empregador, e não o contrário”.

Uma mentira, porque não existe produção sem os trabalhadores, mas existe sem o burguês. O que os capitalistas, como ele, fazem é cercar a demanda do mercado privatizando as empresas. O motivo pelo qual não existe um McDonalds no deserto do Saara é porque lá não existe demanda.

Apesar de essas falas serem chocantes, os capitalistas sempre propagaram a mesma mensagem de formas menos explícitas. Em 2019, o então presidente do Banco Itaú, Candido Bracher disse que o nível elevado de desemprego, na casa de 12%, permite crescimento sem impacto sobre a inflação. “Quando tem fator de produção sobrando tanto, significa que podemos crescer sem pressões inflacionárias”, afirmou.

A mensagem é a mesma: “crescer sem pressões inflacionárias” significa aumentar os lucros sem gerar novos empregos ou aumento geral de salários, uma vez que com alto nível de desemprego os capitalistas oferecem salários mais baixos e como o medo constante de perder o emprego está sempre à espreita, os trabalhadores ficam com poucas opções.

Sempre vai existir desemprego no capitalismo

O desemprego é vantajoso para a burguesia na medida em que cumpre um papel econômico e político. O capitalismo requer que haja um exército industrial de reserva para se manter de pé, ou seja, a estrutura capitalista necessita de uma quantidade de força de trabalho disponível que exceda as suas necessidades de produção. Em outras palavras, o desemprego é estrutural ao modo de produção capitalista.

O aspecto econômico do desemprego diz respeito à margem de lucro que os bilionários podem ter em cima da produção da classe trabalhadora. A força de trabalho está sujeita à lei da oferta e da demanda: o aumento da fila de desempregados pressiona para uma redução dos salários.

Há também o aspecto político da manutenção de um elevado exército industrial de reserva. As demissões funcionam como um aparelho de adestramento da classe trabalhadora, principalmente quando ela está pouco organizada.

Por isso, a demissão pode ser instrumento de “castigo” àqueles trabalhadores “fora de controle” e um recado aos demais. Ainda mais numa conjuntura de amplo desemprego, onde é difícil esses trabalhadores arranjarem outro lugar para trabalhar.

Portanto, o desemprego estrutural é benéfico aos capitalistas, já que estes podem manter uma alta margem de lucro, asseguram a disciplina entre os trabalhadores e garantem uma estabilidade política maior. Ora, o trabalhador com alto poder de barganha pode parar a produção por meio de greves, levando a classe dominante a ter de se sujeitar aos anseios do proletariado.

As demissões e o fascismo

Vivemos, atualmente, uma conjuntura fascista no Brasil e no mundo. É possível enxergá-lo em situações como a presença massiva de políticos de extrema direita na composição da legislatura no Brasil, as guerras imperialistas, figuras como Trump e Javier Milei e a aprovação de leis que atacam direitos humanos básicos em todo o mundo.

Fruto da crise capitalista iniciada em 2008, a ofensiva declarada por parte da burguesia emprega medidas extremas de exploração contra os trabalhadores para que sejam eles que paguem pela crise.

Por definição, o fascismo é “a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro. (…) É o poder do próprio capital financeiro”, segundo Dimitrov.

Como elucidam os artigos “Big Techs anunciam milhares de demissões para diminuir salários” e “Cultura Inglesa ataca seus trabalhadores com demissão em massa”, do Jornal A Verdade, inúmeras empresas têm feito demissões em massa mesmo quando batem lucros recordes, não sustentando as justificativas de “cortes de gastos”.

Isto só demonstra o quanto não podemos separar estes eventos da conjuntura geral. Enquanto o povo morre de fome, o capital financeiro cresce para cima do povo trabalhador para explorá-lo ao máximo, fazendo uso do desemprego como ferramenta de rebaixamento de salários e, como Gurner coloca em seu depoimento, de adestrar a classe trabalhadora.

Afinal, o fascismo revela o medo da classe dominante da organização dos trabalhadores, de forma que se vêem obrigados a tomar medidas mais drásticas e violentas para manter a ordem das coisas.

Precisamos lutar contra esse sistema!

O fascismo e o desemprego como ferramenta da burguesia são faces do sistema capitalista. Algo que a fala de Gurner traz à tona é que o funcionamento desse sistema e fenômenos como o desemprego estrutural não são “naturais” ou “resultados inevitáveis da ordem das coisas”, mas uma ação consciente e intencional da burguesia, dos burgueses, os indivíduos que detém o poder.

Sabemos que o pleno emprego só será possível na sociedade socialista, mas podemos começar com alguns pontos: a organização dos trabalhadores em sindicatos combativos, controle social dos monopólios, planificação da economia, redução da jornada de trabalho para 6 horas, aumento geral dos salários e garantia de descanso em dias festivos e feriados.

Dessa forma, em resposta ao que Gurner afirma (“precisamos lembrar as pessoas que elas trabalham para o empregador”), precisamos reforçar o contrário: que quem produz as riquezas é a classe trabalhadora.

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