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terça-feira, 28 de maio de 2024

Enchentes no Rio Grande do Sul deixam milhares de desabrigados

As fortes tempestades e o ciclone que atingiram o Rio Grande do Sul (RS) no mês de setembro causaram a segunda maior enchente já registrada do Vale do Rio Taquari-Antas.

Millene da Rosa | Redação RS


BRASIL – As fortes tempestades e o ciclone que atingiram o Rio Grande do Sul (RS) no mês de setembro causaram a segunda maior enchente já registrada do Vale do Rio Taquari-Antas. De acordo com a última atualização da Defesa Civil do estado, o total de mortos já chega a 49 pessoas. Cerca de 10 pessoas permanecem desaparecidas, mais de 900 pessoas ficaram feridas e 25 mil estão desabrigadas em mais de 100 municípios atingidos. 

A tragédia, contudo, era anunciada: em junho deste ano, tempestades deixaram 15 mil desabrigados e milhares sem energia elétrica. A população sofre as consequências pela forma com que são historicamente explorados as terras e os biomas da região. O Município de Muçum foi o mais afetado pela enchente do Rio Taquari, e se destacou, em 2016, como principal área de desmatamento do pouco que ainda resta da Mata Atlântica. 

Diante deste cenário, os desastres naturais têm se intensificado nas últimas décadas. Ondas de secas (em 2019, 2021 e 2022) e de enchentes (em 2020 e 2023) se revezam, muito em decorrência desta forma predatória, própria do sistema capitalista, de se relacionar com o ecossistema local. A previsão é que situações assim fiquem cada vez mais frequentes e que os estragos ocorram, justamente, sobre as populações pobres que vivem próximas às margens dos rios e em situação de risco.

A incapacidade dos governos 

As respostas institucionais são mínimas e atrasadas, afinal poucas são as iniciativas de políticas públicas duradouras e preventivas para a região. A criação de restaurantes comunitários, reflorestamento massivo, criação de complexos habitacionais em locais seguros e incentivo para desocupação de zonas de risco parecem muito distantes no horizonte do planejamento público municipal e estadual. Ao invés disso, somente ações paliativas e emergenciais, como a disponibilização de espaços públicos para ocupação temporária, pequenos pagamentos e novas linhas de crédito, são implementadas.

Por dias, as cidades atingidas permaneceram sem qualquer fornecimento de água e energia, sem sinal de internet nem telefone e dependendo inteiramente de doações de alimentação, produtos de higiene básica e água potável.

Para restabelecer os serviços mais essenciais, os Governos do Estado e dos Municípios estão reféns das empresas privadas, que controlam inteiramente esses serviços. O fornecimento de energia elétrica no estado é controlado majoritariamente pelo Grupo Equatorial e pela RGE desde a privatização da CEEE em 2022, pelo Governo Eduardo Leite (PSDB), mas que já vinha sendo posto em prática por governos anteriores.

A Corsan, responsável pela maior parte do saneamento básico e fornecimento de água no estado, teve seu processo de privatização finalizado em julho deste ano, com a venda ao grupo Aegea, também presente em Mato Grosso, Mato Grosso Sul, São Paulo, Espírito Santo e diversos outros estados.

Qual a solução?

Soluções definitivas passam pelo reflorestamento produtivo, com a incorporação de espécies frutíferas e alimentícias nativas, o turismo ecológico fundado na riqueza da biodiversidade local e cultura tradicional como forma de geração de empregos e a fiscalização da proteção socioambiental, com a proteção e promoção de direitos dos povos tradicionais, para citar alguns exemplos.

A soberania e segurança do povo só pode ser restaurada se a ele pertencerem os serviços imprescindíveis à sua sobrevivência. O contrário é entregar as estatais a companhias privadas que pertencem a um grupo pequeno de burgueses que as utilizam para priorizar o seu lucro às custas da população, como vem sendo feito.

O cenário de destruição deixado pelo ciclone no RS deixa clara a missão dos trabalhadores e das trabalhadoras, que são os mais afetados pelas enchentes: para mudar o rumo da história e possibilitar a existência humana na Terra, é indispensável pensar e agir no caminho do socialismo, do controle dos meios de produção pela e a serviço da classe trabalhadora.

Matéria publicada na edição nº 281 do Jornal A Verdade.

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