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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Encontro de estudantes secundaristas fundam entidade ARES-Alto Tietê

Por Breno S. Nascimento e Pedro Baskia


ITAQUAQUECETUBA (SP)| Em outubro ocorreu o Encontro de Estudantes Secundaristas do Alto Tietê sediado no IFSP no campus de Itaquaquecetuba e contou com a presença de estudantes de diversos municípios da região do Alto-Tietê que debateram os problemas do ensino regional e nacional e aprovaram a criação da ARES da região.

A importância deste encontro se destaca ante o histórico da região de desvalorização da educação, o difícil acesso ao ensino superior público, a falta de segurança e perseguição a estudantes nas escolas.

A mesa de abertura contou com presença de grandes entidades, movimentos estudantis e sindicais como ARES-ABC, FENET, Rebele-se e MLC, onde foi discutido assuntos como a importância da luta do movimento estudantil contra a ditadura militar no Brasil e como os grêmios devem ser a vanguarda na defesa de uma educação de qualidade e libertadora.

 Logo após a mesa de abertura, abriu-se o espaço para que os estudantes falassem sobre suas escolas, assim com entusiasmo foi reforçado sobre a importância do evento e denunciaram com muita valentia os problemas do ensino da região, como: falta de passe livre estudantil, falta de grêmios em escolas particulares, de psicólogos e de segurança nas escolas e contra o NEM (Novo Ensino Médio). “O encontro foi um momento de expansão, lá nós entendemos mais sobre nossos direitos, o que precisa mudar e como fazer para mudar. Como, por exemplo, a questão do assédio, muitas vezes parece que a direção está mais preocupada em dizer como uma garota se deve vestir do que dizer para um estudante que assédio é crime” diz Adriane, estudante secundarista da região.

(Foto: Pedro Baskia / Rede Jav)

LUTAS NA REGIÃO DO ALTO-TIETÊ

A região do Alto-Tietê é marcada profundamente pelo histórico da influência neonazista nas escolas. Em 2019, a escola Raul Brasil, localizada na cidade de Suzano, foi atacada por integrantes de grupos neonazistas que já tinham comportamentos racistas e fascistas bem antes de praticarem o massacre. Esse ocorrido demarcou um crescimento do fascismo nas escolas, esses estudantes sendo reverenciados até mesmo como heróis e citados em novas tentativas de massacres.

Há falta de infraestrutura nas escolas, como no IFSP campus de Suzano por exemplo, os estudantes que fazem apenas o ensino técnico tem que pagar o absurdo de R$23,00, um preço que foge da realidade dos estudantes periféricos da região, isso acompanhado também por cortes de água e energia em algumas escolas e a ausência de materiais para a prática de esportes. Além disso, os estudantes lidam com casos de opressão vinda de alguns docentes que reproduzem o machismo, racismo e homofobia, surgindo agressões verbais e não verbais contra pessoas transgêneros. 

Mas, na região, também  está presente a grande garra dos estudantes que lutam diariamente por uma melhora na educação, através dos grêmios e outras mobilizações. Como, por exemplo, na ETEC de Itaquaquecetuba, onde os estudantes, juntamente com a FENET e o movimento Rebele-se, fizeram uma greve e manifestação reivindicando a merenda escolar para os estudantes, depois de muita luta, saíram vitoriosos.

Na E.E Batista Renzi, conseguiram garantir que os estudantes pudessem votar para barrar o PEI (Programa de Ensino Integral), se tornando uma das únicas escolas da cidade de Suzano a não funcionar nesse modelo de ensino, que tem causado evasão e precarizado mais a educação. Mesmo com tantas demandas, o Alto-Tietê não contava com uma presença ativa dos movimentos estudantis, porém, com a ascensão do movimento Rebele-se na região, os estudantes se sentiram confiantes para ingressarem em um movimento estudantil ativo e combativo! 

(Foto: Pedro Baskia / Rede Jav)

FUNDAÇÃO DA ARES-ALTO TIETÊ

Após as mesa de abertura o encontro contou com fase de falas e mesas de debates assim incorporando mais ideias e pautando quais vãos ser as batalhas do próximo período, como a revogação do Novo Ensino Médio, o combate a onda fascista e o neonazista nas escolas, luta por investimentos na educação e de infraestrutura de cultura e esporte, a defesa e maior acesso a universidades públicas e a continuação das lutas por merenda e passe livre estudantil. 

Durante a fase de propostas do Encontro, para fazer avançar o movimento estudantil na região, foi votada e aprovada a fundação histórica da Associação Regional de Estudantes Secundaristas do Alto Tietê (ARES-Alto Tietê), uma ferramenta para unir a luta dos estudantes contra os golpes do conservadorismo e do nazifascismo na educação da região. Com grande entusiasmo, diversos estudantes já estão ingressando na ARES-ALTO TIETÊ.

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