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domingo, 14 de abril de 2024

Trabalhadores são tratados como lixo em Campina Grande

Redação PB


Os trabalhadores da empresa General Goods, em Campina Grande (PB), vêm sofrendo graves violações dos seus direitos desde que assumiu a responsabilidade pelo serviço terceirizado de limpeza urbana da cidade por meio de uma licitação no valor de R$ 23 milhões. Instalada na cidade de Campina Grande há somente quatro meses, a empresa já comprovou estar despreparada para prestar esse serviço.

As denúncias são muitas. Desde falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), até a negativa de fornecimento da carta de acidente de trabalho para que o trabalhador possa requerer afastamento pelo INSS. Posturas que demonstram a pouca importância que a empresa dá aos direitos dos trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Limpeza Urbana no Estado da Paraíba (Sindlimp-PB), atendendo às denúncias, fez inúmeras visitas à empresa desde o mês passado, e comprovou os problemas sofridos pelos trabalhadores, como o desconto em folha sob a justificativa de pagar uma cesta básica, sendo que a empresa não a entrega há três meses.

Quando o sindicato começou a analisar o contrato entre a empresa e a Prefeitura, encontrou questões ainda mais graves do ponto de vista trabalhista que as já relatadas: a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos funcionários foi assinada com uma função distinta daquela que eles desempenham: consta como se trabalhassem dentro de prédios da Prefeitura, quando, na verdade, realizam o trabalho de limpeza das ruas da cidade. O esquema fraudulento beneficia amplamente a empresa, que, assim, não fica obrigada a pagar o adicional de insalubridade aos trabalhadores e que vai para o bolso dos patrões da General Goods.

“A Prefeitura não só tem conhecimento de tudo, como é conivente, e usa seus secretários para ameaçar os trabalhadores que entram em contato com o sindicato”, denuncia Radamés Cândido, presidente do Sindilimp-PB.

Prova dessa postura autoritária de ameaças é que o titular da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Campina Grande (Sesuma), mesmo sem ter autoridade para tal, pois não possui nenhum cargo na General Goods, impediu que 14 trabalhadores que estavam unidos ao Sindlimp-PB nessa luta voltassem a seus postos de trabalho após uma das paralisações realizadas pelo sindicato, com apoio da militância da Unidade Popular (UP) e da UJR.

As demissões aconteceram sem que os trabalhadores recebessem aviso prévio ou qualquer outra notificação da empresa. Na manhã do dia 17 de outubro, a patrulha do Sindlimp-PB foi, mais uma vez, para a frente da empresa denunciar esse absurdo e cobrar as cestas básicas. “Conduzimos os trabalhadores até a distribuidora em que estavam e, finalmente, depois de três meses de atraso, foram entregues duas das três cestas básicas, fruto da luta do sindicato. Negaram-se a entregar as cestas logo de início aos trabalhadores ‘demitidos’, mas a força da mobilização garantiu a entrega a todos. Essa vitória representa a primeira de muitas que virão, pois a luta continua e se fortalece”, afirma Radamés.

Matéria publicada na edição nº 282 do Jornal A Verdade.

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