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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Ocupação Carlos Marighella é invadida pela polícia civil às vésperas do carnaval 

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A festa do “maior carnaval de rua do mundo” é também palco da exclusão do povo pobre, negro e periférico. Em mais uma tentativa de criminalização daqueles que lutam por uma vida digna a Polícia Civil invade a ocupação Carlos Marighella que resiste há quase 3 anos no coração de Salvador na luta por moradia digna e a construção de uma sociedade socialista. 

Isabella Tanajura | Salvador


LUTA POPULAR – Na quarta-feira, 7, às vésperas do carnaval, a Ocupação Carlos Marighella sofre nova invasão pela polícia civil da Bahia. A ação violenta das polícias em relação às ocupações urbanas no estado não é uma novidade e esse tipo de atitude costuma se agravar à medida em que as festas de carnaval se aproximam. 

Organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), a ocupação Carlos Marighella resiste há pouco mais de dois anos e meio na luta por moradia digna. Localizada na principal avenida de comércio da capital baiana, a Av. Sete de Setembro, a ocupação fica em frente Praça Castro Alves em que tradicionalmente desfilam foliões e trios elétricos todos os anos no “maior carnaval de rua do mundo”. Neste ano a prefeitura de Salvador inclusive planeja realizar o “encontro de trios” com a abertura do Carnaval bem em frente à ocupação em que é materializada a luta de mais de 290 famílias organizadas no movimento. 

A invasão pela Polícia Civil realizada nesta quarta-feira é mais uma das tentativas de criminalização da ocupação e daqueles que lutam. No ano passado, durante os primeiros dias do carnaval no circuito Osmar, a ocupação foi novamente invadida pela Polícia Civil sem mandado judicial e moradores foram revistados, humilhados e agredidos. Essa situação também ocorreu em dezembro de 2021, no período em que o centro da cidade recebe quantidades imensas de turistas e a ocupação foi invadida de forma ilegal também pela Polícia Civil. 

Povo tem direito a morar e viver no centro 

O lucro das grandes festas carnavalescas vai para os mais ricos do país que enchem os bolsos às custas do trabalho do povo e da expulsão das pessoas mais pobres do centro da cidade. Não é novidade que é de interesse da prefeitura e governo do estado enxotar violentamente as famílias da ocupação Carlos Marighella para dar espaço a grandes empreendimentos hoteleiros ou de entretenimento. 

O projeto “Salvador 360” da Prefeitura de Salvador é um exemplo de que durante o ano inteiro há um projeto de gentrificação do Centro Histórico de Salvador afastando o povo do centro da cidade para dar lugar a hotéis de luxo, start-ups e outros investimentos de alto padrão. 

No final de 2023 foi divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de desocupação dos estados brasileiros revelando que, mais uma vez, a Bahia volta a ter a maior taxa de desocupação do país em 13,3%. Essa mesma pesquisa apontou Salvador como a capital com a maior taxa de desocupação do Brasil no 3º trimestre de 2023 com 15,1%. 

Neste cenário é evidente que o trabalho em Salvador é acima de tudo precarizado e informal. Durante o carnaval muitos trabalhadores ambulantes veem na festa a oportunidade de fazer dinheiro para sustentar suas famílias. Entretanto, o descaso da prefeitura de Bruno Reis com esses trabalhadores é flagrante, a exemplo do ano passado em que o direito de se credenciar para trabalhar durante o carnaval foi negado aos trabalhadores. 

É evidente que este sistema não serve ao povo e, por esse motivo, movimentos sociais como o MLB devem perseverar na luta pelos direitos básicos dos trabalhadores a moradia e na construção de uma sociedade mais justa e socialista.

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