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sábado, 18 de maio de 2024

A UP, as lutas do povo e as eleições

Mais que eleger representantes, o povo precisa ver e acreditar na força que tem e só aprenderá isso por meio de suas próprias lutas, deixando de lado as ilusões com o personalismo político, que só propaga mentiras e enganações para a manutenção de privilégios e o enriquecimento de uma casta de políticos corruptos e fascistas.

Samara Martins | Vice-presidenta da UP


BRASIL – Em breve, começará o processo das Eleições Municipais 2024. É bem comum, nesses períodos, que o debate político das cidades fique restrito apenas à escolha de quem são “as melhores pessoas” para resolver os problemas do povo. Nada mais errado.

Não são, nem de longe, as eleições, o movimento capaz de transformar a vida das pessoas. A história do nosso país já deu provas concretas de que todas as grandes conquistas dos trabalhadores e demais camadas oprimidas só foram possíveis por meio de muitas lutas coletivas, e não de um parlamentar ou governante, como pregam algumas forças políticas, inclusive, que dizem defender a classe trabalhadora.

A Unidade Popular (UP), por sua vez, é o partido político que considera que a luta é o melhor e único caminho para a participação do povo na política. Defende que a população não deve esperar um “salvador da pátria” para resolver seus problemas. Portanto, no momento em que o povo está discutindo a política convencional, a UP se esforça para demonstrar que a luta é o “fazer político” do povo.

Por isso, o partido apoia e participa de todas as lutas desenvolvidas, mesmo nos períodos eleitorais. Exemplo disso foi em 2020, em Natal (RN), em que o centro da campanha à Câmara Municipal foi o apoio e a participação na Ocupação Emmanuel Bezerra, organizada pelo Movimento de Luta no Bairros, Vilas e Favelas (MLB). No ano seguinte, as famílias conquistaram sua inclusão em projetos de moradia na cidade.

Também em Belém (PA), em 2022, a campanha eleitoral da UP se mobilizou, já no primeiro dia oficial de campanha, em torno da Ocupação de Mulheres Rayana Alves, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario. Esta Casa de Referência contra a violência às mulheres segue atuante até hoje.

Isso significa que não devemos participar das eleições nem indicar candidatas e candidatos? Pelo contrário! Não só podemos como devemos lançar candidaturas. Nossos indicados devem ser aqueles referenciados nas lutas dos sindicatos, movimentos sociais e estudantis, organizações de mulheres, do povo negro e indígena, do movimento LGBTIA+, etc. Lançar agitadores que denunciem a falta de democracia dessas “eleições democráticas”, que impedem que partidos como a UP tenham tempo de TV e rádio (nem um segundo sequer). Devem fazer a campanha para quebrar essa “Cláusula de Barreira” que permite que partidos pequenos não tenham parte do fundo partidário e só recebam as sobras do fundo eleitoral (mesmo havendo um gasto exorbitante de recursos públicos apenas para partidos já antigos e com parlamentares eleitos).

Foi também nesse sentido que a UP republicou, em formato de cartilha, a resolução da Internacional Comunista intitulada “O Partido Comunista e o Parlamentarismo”, fruto da campanha do Fundo Partidário Popular, para ser lida pelos filiados nos núcleos de todo país, fazendo o debate de como a UP deve se posicionar nos processos eleitorais e nos mandatos que conquistaremos, pois, mesmo como apoio secundário às lutas, o Parlamento burguês (das classes ricas) deve ser uma tribuna de denúncias e desgaste do capitalismo.

Mais que eleger representantes, o povo precisa ver e acreditar na força que tem e só aprenderá isso por meio de suas próprias lutas, deixando de lado as ilusões com o personalismo político, que só propaga mentiras e enganações para a manutenção de privilégios e o enriquecimento de uma casta de políticos corruptos e fascistas.

Matéria publicada na edição nº 290 do Jornal A Verdade.

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