UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Meus caminhos

Manuel Palmares | São José (SC)


CARTA – Os caminhos que me trouxeram até aqui foram de muitas dificuldades e sem compreensão do que a vida poderia me oferecer. Jamais compreendi o que realmente seria da minha vida, o que daria significado a cada década que passasse.
E me restava apenas decidir, buscar condições dignas para que meus filhos pudessem sobreviver sem dificuldades, longe das minhas inseguranças e das humilhações que já havia passado como um jovem. Não havia esperança naquela comunidade onde todas as tardes sabíamos que mais um foi morto ou havia decidido “entrar para o corre”.

Eu não queria ser morto. Sempre tive medo da morte. Medo de saber se não haveria continuidade após deixar esse corpo. Entre conversas, jogos de bola, aulas perdidas nas vielas da comunidade, faltava pouco para ingressar no que me daria uma esperança de ter alguém que me protegesse, e que eu protegesse, condições de comer e dar o que comer aos meus filhos. O crime sempre esteve próximo, mesmo que não pareça, mas, em muitos momentos de desespero, furtar sem ter o que pôr na mesa nunca foi imoral para mim.

Mas na cultura me encontrei e saí daquela condição. Foi onde comecei a compreender a importância da política. Passei pelo Terreiro e encontrei ações sociais na comunidade. Aprendi o valor da coletividade e, ao lado de uma grande companheira que tive, conheci os comunistas, pela literatura. Um livrinho de bolso, “Passado e presente” e a biografia do “Marighella”. Foi onde comecei a admirar essa caminhada tão determinada desses homens que haviam passado por esse momento de 1964. Foi quando entrei na universidade, coisa que jamais esperava acontecer na minha vida. Estava eu aqui em Floripa, na universidade, tudo havia mudado. Apenas uma coisa não mudou: a pobreza e a possibilidade de necessitar, cogitar ter que furtar ou vender drogas, ainda mais onde a droga é quase liberada. Vários playboyzinhos querendo se chapar para curtir a “Ilha da Magia” nos bares em que eu trabalhava. Era fácil.

Um colega surge entre as aulas de Serviço Social e me convida para fazer um trabalho no bairro com um tal de MLB. E bem aqui estou, após muitos desafios e apostas de várias/os camaradas. Tentei em muitos momentos me afastar das tarefas, mas, quando me afastava destes camaradas, percebia que a vida ficava mais difícil. Ao lado deles, estudava e compreendia o porquê eu estava naquelas condições. Não era culpa minha e, a cada reunião, ficava mais evidente que eu e mais muitos brasileiros estamos sendo colocados neste lugar. Inclusive, eu ter que roubar e me tornar um criminoso perante essa sociedade burguesa, geraria lucro para os vermes desta sociedade.

Caí em consciência e, dentro das minhas possibilidades, fiz o que tinha que ser feito: me dedicar a ser parte deste gigante Partido de Manoel Lisboa, Emmanuel Bezerra, Manoel Aleixo, Amaro Luiz de Carvalho e Amaro Félix Pereira.

Me dedico a cumprir esse caminho revolucionário, pois, apenas com nossa dedicação diária, poderemos denunciar e enfrentar quem vem explorando nosso povo desde a escravidão e tortura dos povos originários e africanos que aqui sofreram.

Nesse final de semana, fez mais sentido ainda quando fui democraticamente escolhido para estar ao lado de revolucionárias que admiro e respeito, com o compromisso de representar os valores desse gigante Partido no estado mais racista e fascista do Brasil.
Só agradeço a confiança e tenho certeza que buscarei me elevar sempre ao nível dos nossos mais honrados camaradas.

E a caminhada que farei, por muitas décadas de vida, será dedicada ao grande e gigante PCR, pois, enquanto existir fôlego e força neste peito, caminharei em direção de conquistar a massa a lutar pelos seus direitos. E, se em algum momento eu esmorecer, lembre-me de onde eu vim e de onde eu estou, pois, sem dúvidas, caminhar elevando essa grande bandeira me fará levantar a cabeça e enfrentar os desafios mais fúteis e individuais desta vida. E seu eu tombar, tombei honrado por ter vivido ao lado de cada camarada que aqui eu conheci. Irei sem preocupação. Deixarei meus livros às novas gerações e minha história para os que tiverem dúvida que não existe solução.

Obrigado a esse Partido por me permitir caminhar sobre suas orientações, pois, com elas, iremos vencer e trazer paz ao povo da nossa nação.

Carta publicada na edição nº 290 do Jornal A Verdade.

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