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sábado, 18 de maio de 2024

Austeridade: a inimiga declarada da classe trabalhadora

Lutar contra as políticas de austeridade, que sacrificam milhares de vidas, é lutar a favor de uma sociedade socialista. A austeridade tira os poucos direitos que a classe trabalhadora possui para que os capitalistas se apoderem ainda mais das riquezas produzidas por essa mesma classe. 

Henrique Santos | Florianópolis


BRASIL – O conflito interimperialista da Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914-1918, revelou um fato que os capitalistas se esforçaram em esconder: a economia é também política. A pobreza, a miséria e a fome da classe trabalhadora não são reflexo de leis naturais da economia, mas sim de uma decisão política por parte dos capitalistas para aumentar seus lucros. No pós-guerra, com o avanço da organização da classe trabalhadora, os capitalistas precisaram redesenhar a nova ordem, a fim de garantir seus lucros: a ordem da austeridade, que viria a destruir a vida de milhões de trabalhadores.

Para retomar controle absoluto sobre a classe trabalhadora, os economistas burgueses propagaram o conceito da austeridade: “é preciso poupar, e depois gastar”; “é preciso crescer, estabilizar e somente depois distribuir”. As afirmativas são vistas em grandes mídias burguesas e em diversos debates sobre a política econômica brasileira. A austeridade fiscal, por exemplo, se realizou nos cortes orçamentários do Estado, principalmente dos programas de assistência social, além de uma forte taxação regressiva, que colocava o peso dos impostos sobre a classe trabalhadora. Essa política anti-povo foi implementada principalmente pelos governos fascistas de Michel Temer e Bolsonaro através, por exemplo, da proposta do ex-presidente Bolsonaro de reduzir em 94% o orçamento para políticas públicas dedicadas ao combate da violência contra a mulher. Ou, ainda, da recusa em reajustar o salário mínimo acima da inflação, acarretando na carestia da vida para a classe trabalhadora.

Outra medida anti-povo é a austeridade monetária. Para manter o “custo do dinheiro” elevado, os governos aumentam a taxa de juros, expandindo a remuneração de rentistas e capitalistas que vivem apenas de sugar os recursos do povo. Um dos principais efeitos negativos é a dificuldade do governo para tomar empréstimos, limitando os gastos com hospitais, escolas, ruas, transporte, programas sociais etc., atacando diretamente o povo, enquanto o lucro dos capitalistas não para de subir. Da mesma forma que os juros altos aumentam a remuneração de rentistas que não trabalham um minuto sequer ao dia, aumentam a exploração dos trabalhadores, que passam a pagar juros abusivos no cartão de crédito e no financiamento de suas casas, por exemplo.

Relação entre austeridade e Estado 

Engana-se quem pensa que a austeridade é sinônimo de “Estado pequeno”. Como a história demonstrou, o projeto da austeridade foi, historicamente, tarefa de ditadores fascistas. Benito Mussolini, por exemplo, subiu ao poder através da promessa de perseguir violentamente os operários revolucionários da Itália, numa aliança com os grandes e médios industriais, com os latifundiários e com os grandes investidores contra o povo organizado.

A primeira grande experiência neoliberal, que foi quem levou o projeto da austeridade até às últimas consequências, foi a experiência chilena, encabeçada pelo ditador fascista Augusto Pinochet. Essa experiência contou com a repressão militar, a tortura e até o sequestro e venda de crianças para garantir a privatização dos recursos públicos chilenos e a implantação de uma política assassina e anti-povo. Assim como ocorre com a perseguição sistemática de lideranças indígenas e camponesas que resistem à essa política no Brasil.

O Estado também serve como um meio importante de intensificar o trabalho dos operários, reduzir os salários e atacar a organização política dos trabalhadores. A austeridade empurra novas relações de trabalho: a jornada passa a ser mais intensiva, menos remunerada e os direitos trabalhistas são suprimidos. 

A guerra do povo trabalhador contra a austeridade 

Diante da violência intensificada pelas políticas de austeridade, é tarefa da classe trabalhadora organizada lutar contra essa política econômica e ideológica verdadeiramente assassina e se manifestar de maneira contundente e intransigente contra seus representantes intelectuais, como os economistas e a mídia burguesa, que defendem a austeridade do ponto de vista ideológico e filosófico, assim como contra seus representantes práticos, como os senadores, deputados, vereadores, ministros e presidentes, que executam-na de maneira prática através da política burguesa, das leis etc.

É preciso educarmo-nos com a teoria revolucionária e armar politicamente o nosso povo com a luta prática, permitindo que conquistemos uma vida melhor para a nossa classe. Nenhuma política de austeridade resiste às greves e às revoltas organizadas da classe trabalhadora, quando ela está determinada em extirpar a sociedade burguesa do mundo e substituí-la por uma nova sociedade mais justa e fraterna: o socialismo.

Lutar contra as políticas de austeridade, que sacrificam milhares de vidas, é lutar a favor de uma sociedade socialista. A austeridade tira os poucos direitos que a classe trabalhadora possui para que os capitalistas se apoderem ainda mais das riquezas produzidas por essa mesma classe. Apenas o socialismo é capaz de subverter esse esquema assassino e anti-povo por uma organização político-econômica verdadeiramente popular e justa para com todos.

 

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