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sábado, 18 de maio de 2024

Empresas chinesas exploram trabalhadores em aliança com o agronegócio

Nos últimos quinze anos, o bloco russo-chinês se aproveitou do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para realizar suas manobras. Assim, a China se tornou o maior parceiro comercial-econômico do Brasil e o principal destino das exportações brasileiras, fazendo, inclusive, significativos acordos com o agronegócio.

Bluma | Goiânia


TRABALHADORES – Com o aprofundamento das crises do capitalismo, as potências imperialistas (países ricos) buscam novas formas de abocanhar mercados dos países pobres e historicamente subjugados para que seus monopólios (grandes empresas) conquistem mais lucros.

Nos últimos quinze anos, o bloco russo-chinês se aproveitou do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para realizar suas manobras. Assim, a China se tornou o maior parceiro comercial-econômico do Brasil e o principal destino das exportações brasileiras, fazendo, inclusive, significativos acordos com o agronegócio.

No dia 09 de fevereiro de 2024, foi veiculado pela imprensa burguesa do Estado de Goiás e portais oficiais da Prefeitura de Itumbiara e Governo Estadual o “grandioso acordo” com a “gigante chinesa” WeiChai, empresa especializada na indústria pesada de produção e exploração agrícola, montadora de motores e máquinas agrícolas. Ela deve instalar sua primeira fábrica da América Latina naquele município, o 12º mais populoso de Goiás.

Dizia o site da Prefeitura: “Esforços para vinda da indústria envolveram o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. O ano novo no calendário da China começa agora em fevereiro. 2024 é o ano dedicado ao dragão, que simboliza vitalidade e altivez”. A negociação, que se dava desde setembro de 2023, envolveu viagens de Caiado e Dione Araújo à China e também garantiu a vinda de outras empresas da potência imperialista para o estado, como a Paper (indústria de celulose), a Alibaba (exportação, comércio eletrônico, logística e tecnologia) e a Chint Power (“energia limpa”).

Milhares de operários explorados

Toda pompa e grandiosidade empregadas pela propaganda da oligarquia Caiado, que cria uma imagem personalista do governador interessado na Presidência da República, não conseguem esconder – e até enaltecem – o fato de que a “gigante” WeiChai só possue tal porte, tamanho e poder político-econômico, porque explora mais de 147 mil trabalhadores no mundo, sendo que cerca de 100 mil são operários e operárias chineses. De acordo com o site Market Screener, do Reino Unido, a WeiChai verificou um lucro de cerca de 9 bilhões de yuans, em 2023, o equivalente a mais de R$ 6 bilhões.

Tal é a verdadeira face do “falso socialismo chinês”: a traição do marxismo e a restauração do capitalismo. Por isso, vemos uma empresa que entrega religiosamente lucros bilionários para seus acionistas todos os anos, explora centenas de milhares de trabalhadores do seu e de outros países e acorda negócios com capitalistas sanguinários e verdadeiros fascistas escravistas, como as oligarquias latifundiárias de Goiás (famílias Caiado, Bulhões, Fleury, etc).

O faturamento de exportação de produtos agropecuários representou US$ 11,7 bilhões para o Estado de Goiás no ano de 2022, um crescimento de 63,3% em relação ao ano anterior (Casa Civil, Governo do Estado de Goiás). Mas a realidade da população é a seguinte: em 2022, 858 mil pessoas faziam apenas uma refeição por dia ou ficavam sem comer e outras 901 mil estavam na chamada “insegurança alimentar moderada” (Vigisan/O Popular); 228 mil pessoas estão desocupadas/desempregadas (PNAD Contínua do IBGE); 401.650 pessoas estão em déficit habitacional, cerca de 5,7% da população, principalmente pelo alto preço de aluguel (Instituto Mauro Borges), e vale dizer que a capital Goiânia teve a maior alta de aluguel residencial do país em 2023, com reajuste de 37,3% (O Popular).

Enquanto o capital chinês se multiplica com o aperto de mãos da burguesia goiana, os braços das massas trabalhadoras que geram tal riqueza suam e sangram.

Goiás e o trabalho análogo à escravidão

Em março de 2023, foi deflagrada e revelada uma das maiores operações-resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão, retirando 212 trabalhadores desse regime desumano em Araporã (MG) e nas cidades goianas de Porteirão e Itumbiara.

“Empregados” no plantio da cana-de-açúcar, os trabalhadores escravizados foram retirados clandestinamente dos Estados do Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. Sua exploração rendia lucros para quatro fazendas e uma usina, além da prestadora de serviços que realizava a “ponte” e os “gatos”, contratadores que organizam o transporte sazonal das vítimas.

Como denunciou o partido Unidade Popular (UP), de Goiás:

As principais atividades que representam o estado da escravidão contemporânea em Goiás estão relacionadas à agricultura, e o campo concentra o maior número de resgates. É inegável que o latifúndio é a pedra fundamental que baseia esse tipo de exploração desumana, que submete pessoas a situações degradantes, moradias precárias, alimentação imprópria e, em certos casos, até mesmo a restrição de locomoção. Jornadas insalubres e exaustivas são comuns, e a remuneração é ínfima e costuma se assemelhar ao modo de produção feudal, com taxas e impostos por uso de ferramentas.”

Por tudo isso, é urgente uma luta profunda contra essa estrutura capitalista patriarcal e oligárquica podre e venenosa que enxergamos no Estado de Goiás e no Brasil, expressas tanto no latifúndio rural dos “coronéis” quanto na financeirização privada de recursos estratégicos para nosso desenvolvimento urbano-industrial, entregues para monopólios estrangeiros.

A união da classe trabalhadora do campo e da cidade é essencial para derrotar o poder político parasita da burguesia nacional e internacional e para desenvolver a luta pela revolução socialista, que respeite os recursos naturais, os povos originários, a classe trabalhadora, com segurança, alimentação, moradia, educação e trabalho.

Matéria publicada na edição nº 290 do Jornal A Verdade.

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