No campus São Paulo do IFSP, falta de bandejão e incerteza no pagamento das bolsas levou a uma paralisação estudantil de 48 horas. Liderados pelo DCE, Grêmio Charlie Chaplin e FENET, estudantes conquistaram contrato emergencial para o bandejão, data para pagamento das bolsas e diversas outras vitórias
Júlia Cacho* | São Paulo (SP)
EDUCAÇÃO – Para os estudantes do campus São Paulo do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a volta às aulas foi sem bandejão e com atraso no pagamento das bolsas de auxílio-permanência. Em um país onde 70 milhões vivem em insegurança alimentar, os estudantes passaram a ter que trazer marmitas todos os dias ou não comer durante o período das aulas.
Para enfrentar essa situação, as 18 entidades estudantis do campus, tendo como vanguarda o Diretório Central dos Estudantes do IFSP (DCE IFSP), o Grêmio Livre Estudantil Charlie Chaplin e a Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET), organizaram uma assembleia geral no dia 29 de fevereiro. Nela, os estudantes aprovaram por unanimidade uma paralisação de 48 horas a partir do dia 13 de março, o Dia Nacional de Luta pela Assistência Estudantil convocado pela FENET.
Com a mobilização, diversas reivindicações foram conquistadas. Entre elas, a instalação de 4 novos micro-ondas para uso dos estudantes, o início de um contrato emergencial para o bandejão, um indicativo de data para o pagamento das bolsas, um plantão de inscrição para o auxílio-permanência, o abono das faltas durante os dias de paralisação e mais transparência na prestação de contas do campus.
“Construímos um ato no IF que mobilizou muitos estudantes e entregou uma carta de reivindicações ao diretor. Nenhum estudante passou fome durante os dois dias de paralisação, pois entregamos mais de 400 marmitas com a luta e o apoio das entidades”, disse Karla Albuquerque, presidente do DCE IFSP.
Apesar das diversas conquistas, os estudantes sabem que a luta não terminou. “Continuamos num campus sucateado, que todo semestre tem estudante na lista de espera da bolsa. Além disso, apesar de haver a volta do bandejão, a primeira refeição custa 5 reais e a segunda é 13 reais! A luta precisa continuar, por mais orçamento para a Educação e políticas de permanência para os estudantes”, afirmou Victoria Simões, membro da FENET e tesoureira do Grêmio Charlie Chaplin.
*Diretora da FENET