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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Prefeitura de Porto Alegre cortou verbas do setor de água e esgoto

Trabalhadora do DMAE denuncia que serviços de água e esgoto foram precarizados pela prefeitura de Porto Alegre. Retenção de R$400 milhões pode ter piorado desastre das enchentes

Redação RS


O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) é a autarquia responsável pelo abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem urbana na Capital gaúcha. A falta de planejamento e os cortes de verbas no setor vem desde a gestão do ex-prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Em entrevista ao jornal A Verdade, a engenheira civil Sandra Darui, coordenadora do Conselho de Representantes Sindicais da Dmae, denuncia que o prefeito de Porto Alegre reteve o valor de R$ 400 milhões do Dmae, com o objetivo de privatizar a empresa.

Quais foram as políticas da Prefeitura para combater as enchentes? 

O governo atual não implantou uma política clara de combate a enchentes. Desde 2019, quando o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) foi extinto e as funções foram incorporadas ao Dmae, houve várias ações: reformas nas estruturas físicas das casas de bombas, reformas de grupo motor bomba, início da automação das mesmas, dragagem de arroios em toda a cidade, contratação de empresas para manutenção da microdrenagem. No entanto, as iniciativas eram do Dmae por conta do corpo técnico e dos servidores, não da Direção Geral do Departamento. O grande problema é que se mudou de um órgão para outro, mas não vieram todos os técnicos e nem foram contratados mais servidores, apesar de solicitado concurso para todas as áreas do Dmae. O Conselho de Representantes Sindicais (Cores) avalia que as receitas deveriam estar aumentando, pois o número de economias cadastradas era de 622 mil, em 2011, e passaram a ser 736 mil, em 2021. Entretanto, as receitas diminuíram nos últimos dez anos. Para o Cores, tal redução é consequência da política tarifária do órgão, que não acompanhou os índices de reajustes oficiais e pela falta de efetivo de servidores na área comercial para fazer fiscalizações necessárias, autuações de infrações, corte de economias inadimplentes e atualização cadastral dos imóveis.

Qual o papel dos trabalhadores no enfrentamento dessa tragédia?

O papel dos trabalhadores foi fundamental para que se garantisse o funcionamento das estações de bombeamento e tratamento de água de forma rápida (apenas uma não está operando agora porque a área das ilhas ainda segue alagada), estações de bombeamento e tratamento de esgoto e casas de bombas de águas pluviais. O Dmae tem equipes trabalhando 24 horas por dia para que as unidades voltem à normalidade. A retomada só foi possível porque tivemos auxílio de outras companhias públicas de saneamento (Sabesp, Copasa, Casan, Sanepar, Corsan), pois a defasagem de trabalhadores do Dmae é muito grande. Temos mais de 3.000 vagas criadas, mas apenas 1.050 preenchidas. Resultado da política de sucateamento dos serviços públicos da Prefeitura. O problema só não foi maior porque houve um time de técnicos dedicados.

Matéria publicada na edição nº 293 do jornal A Verdade

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