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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Israel destrói saúde de Gaza para matar mais palestinos, diz Samah Jabr

Samah Jabr, chefe da unidade de saúde mental do Ministério da Saúde da Palestina, conta em entrevista ao jornal A Verdade sobre a campanha de Israel para assassinar os trabalhadores da saúde de Gaza. “Destruir o sistema de saúde significa que os palestinos vão continuar morrendo mesmo que os bombardeios parem amanhã”, ela denuncia

Guilherme Arruda | São Paulo (SP)


O grande número de trabalhadores da saúde assassinados desde o começo do massacre de Israel contra o povo palestino não é obra do acaso. Eles são um dos alvos preferenciais da violência sionista, revela Samah Jabr, psiquiatra e chefe da unidade de saúde mental do Ministério da Saúde da Autoridade Palestina. “O mundo inteiro deve dirigir seu olhar” para os crimes que Israel está cometendo neste momento, ela diz.

Samah esteve no Brasil no fim de junho para lançar seu livro “Sumud em tempos de genocídio”, em uma programação organizada pelo coletivo Desorientalismos. O jornal A Verdade conversou com a autora durante um encontro com a imprensa promovido pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP).

A médica e defensora da libertação da Palestina também compartilhou uma série de reflexões sobre o futuro da saúde mental em seu país e detalhes sobre casos de prisão, tortura e morte que envolvem trabalhadores da saúde, que serão apresentadas em nova matéria do jornal A Verdade. Confira, agora, as reflexões da psiquiatra sobre a situação do sistema de saúde de Gaza e o papel da imprensa no genocídio em curso.

Matar trabalhadores para destruir o sistema de saúde

Para Samah Jabr, a própria quantidade de trabalhadores da saúde mortos desde o início da guerra já revela que Israel busca deliberadamente atingi-los. Segundo as estatísticas do Ministério de Saúde da Palestina, a cifra chegou a 500 profissionais assassinados até o domingo passado (24/6), quando Hani al-Jafaraawi, chefe do serviço de emergência e ambulâncias da Faixa de Gaza, foi morto em um ataque aéreo a uma clínica pediátrica.

A onda de mortes, ela explica, faz parte de uma estratégia arquitetada por Israel para tornar ainda mais difícil a sobrevivência do povo palestino: a destruição do sistema de saúde. Desde que as forças israelenses começaram a bombardear hospitais, centros comunitários de saúde e ambulâncias, pessoas com doenças crônicas não têm conseguido acessar os remédios de que precisam e pacientes de câncer pararam de receber tratamento em Gaza, alerta a psiquiatra.

Na prática, “destruir o sistema de saúde significa que os palestinos vão continuar morrendo mesmo que os bombardeios parem amanhã”, denuncia Samah.

Ela defende que seus colegas de profissão não se restrinjam a tratar silenciosamente dos feridos e façam mais denúncias sobre a situação em Gaza. “As condições políticas é que estão produzindo sofrimento entre os palestinos. A violência [de Israel] também é uma crise de saúde pública”, ressalta a médica.

Mídia burguesa contra imprensa popular

Além disso, a psiquiatra avalia que o governo Netanyahu e do Exército sionista não podem ser considerados os únicos perpetradores do genocídio contra o povo palestino, cujo saldo de vítimas já se aproxima de 38 mil mortos e 10 mil desaparecidos. A imprensa internacional, em sua visão, também cumpre um papel central na organização do massacre.

“A mídia contribui com a visão orientalista de meu povo como bárbaro e selvagem”, ela critica. Só disseminando essa visão preconceituosa, que leva à ideia de que as vidas palestinas são descartáveis, é que se pode apresentar como “resgate humanitário” a operação militar que matou 280 palestinos e feriu outros mil para retirar quatro israelenses da Faixa de Gaza no dia 8 de junho, ela frisa.

Por essa razão, Samah Jabr opina que “os donos dos grandes meios de comunicação também deveriam ser condenados pelo Tribunal Penal Internacional”, assim como foram o primeiro-ministro e os generais israelenses.

Nesse cenário de cumplicidade da mídia comercial com o genocídio, a médica acredita que a imprensa popular tem um papel decisivo na denúncia dos crimes que estão acontecendo na Faixa de Gaza. “Só os cidadãos palestinos com seus celulares nas mãos e os jornalistas ativistas confrontaram as mentiras de Israel”, ela lembra.

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