Unidade Popular realiza seu primeiro Encontro Trans do Brasil em Belém, no estado do Pará
Nicole Bel | Belém (PA)
BRASIL — No fim de janeiro deste ano, militantes da Unidade Popular no Pará construíram a primeira experiência no Brasil de um encontro Trans no nosso partido. A construção desta atividade representa o início da pavimentação de uma linha coesa e decidida à cerca dos objetivos, necessidades, deveres e tarefas que o conjunto de nossa militância deve considerar para avançar no processo de organização das pessoas trans.
Com a presença de uma importante diversidade de militantes trans e cis, esclarecendo dúvidas sobre os papéis de gênero, as condições que marginalizam pessoas trans e discutindo sobre as raízes materiais da opressão que é imposta sobre essa população, um debate extremamente produtivo foi fomentado. Por meio da contribuição de cada militante, foi possível traçar um panorama acertado sobre a necessidade de organizar o conjunto da população trans que compõe a classe trabalhadora, e como as lutas e demandas específicas encontram-se em acordo com a necessidade de romper com o sistema capitalista, a fonte de toda a opressão de nossa classe, e o quão imperioso é a construção da sociedade socialista.
A conjuntura que nos é apresentada hoje demonstra de forma muito clara: a maneira com que o fascismo se desenvolve tanto nacional quanto internacionalmente tem utilizado como uma de suas armas o espantalho das pessoas trans e o suposto risco da ideologia de gênero. Usam de nossos corpos como pressuposto para atacar mais e mais nossos direitos, permitindo sempre mais violência contra nós. E tudo isso é utilizado meramente como uma cortina de fumaça que permite cada vez mais ataques ao povo trabalhador, para que cada vez mais a grande burguesia perpetue seu poder e a exploração de nosso povo.
Organizar as pessoas trans e lutar por dignidade
Diante de tudo isso, diante da falta de perspectiva de vida que toda população trans enfrenta principalmente no Brasil, com as piores condições de acesso à educação, saúde e emprego, não nos cabe outra alternativa se não trilharmos pelo caminho revolucionário. Pois lutar pela nossa vida é lutar para romper com a miséria imposta ao nosso povo todos os dias. É reconhecer que não há forma possível de termos qualquer chance de uma vida digna sobre um sistema que busca constantemente nossa morte. Como coloca Victor Rivas de forma extremamente acertada: Lutar contra a transfobia é lutar contra o capitalismo.
É fundamental destacar a importância da contribuição teórica de cada militante e de cada leitor, que com determinado acúmulo foram capazes de redigir importantes matérias ao Jornal A Verdade que serviram de alicerce e apoio essencial no debate, por meio da leitura coletiva realizada no encontro. Cada militante trans que contribui ao redigir uma matéria, ajuda a construir e fundamentar mais ainda a linha de nosso partido nesse aspecto, e eis nosso objetivo: construir um partido que realmente represente nosso povo, que é constituído pelas pessoas trans, pelas mulheres, pelo povo negro, por toda classe trabalhadora e nosso interesse em comum – o fim da exploração e a miséria de todos pelo lucro de uma minoria privilegiada.
Com a existência de um primeiro encontro Trans, cabe ao nosso partido a construção de mais atividades como essas ao redor do Brasil. Para que nosso acúmulo se torne cada vez maior sobre a pauta Trans, para termos melhores condições de abordar sobre a questão dentro de todos os espaços, e tenhamos em nossas mãos a firmeza de ter a linha mais acertada que guie as pessoas trans e todo conjunto do nosso povo ao caminho revolucionário de libertação de nossa classe. A vitória é certa, e cabe ao nosso povo conquistá-la.