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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

EUA são a real ameaça à paz e à soberania na América Latina

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As últimas semanas consolidaram uma nova e violenta ofensiva do imperialismo estadunidense contra os povos da América Latina.

Indira Xavier e Heron Barroso | Redação


EDITORIAL – As últimas semanas foram marcadas pelo aumento das agressões do imperialismo estadunidense contra a soberania dos povos em diferentes partes do mundo, especialmente na América Latina.

Depois de meses de ameaças e de cerco econômico e militar, no dia 03 de janeiro, os EUA promoveram um ataque terrorista contra a Venezuela, que assassinou mais de cem pessoas e sequestrou o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Ambos foram levados de navio para uma prisão em Nova York, acusados de comandar uma “conspiração narcoterrorista” para exportar cocaína aos EUA. Porém, como não existem provas para sustentar essa mentira, o próprio Departamento de Justiça dos EUA teve que retirar a acusação. Ou seja: mais uma farsa montada cinicamente pelos imperialistas para justificar a invasão à Venezuela.

De fato, todo mundo sabe qual é o verdadeiro interesse dos EUA: transformar a Venezuela numa colônia e entregar o petróleo do país às petroleiras estadunidenses, como denunciou a última edição do jornal A Verdade.

A causa de todo o mal

Após a agressão militar contra a Venezuela, o ditador Donald Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio, que se acham donos do mundo, ameaçaram invadir o México, a Colômbia e Cuba. No caso de Cuba, no dia 29/01, o governo dos EUA impôs tarifas extras a produtos importados de países que vendam ou forneçam petróleo à ilha. Para o Governo Cubano, trata-se de um “brutal ato de agressão” contra o país e seu povo. “A cada dia, há novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é a exercida pelo Governo dos Estados Unidos contra as nações e os povos da Nossa América”, disse o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez.

De fato, ao longo da História, os EUA sempre impuseram pela força sua vontade sobre os países da América Latina e do Caribe. Desde que a chamada “Doutrina Monroe” (“A América para os americanos”) foi formulada, em 1823, a região passou a ser tratada como território sob controle exclusivo dos EUA, e qualquer governo que não se ajoelhasse diante de Washington pagaria caro as consequências.

Dessa forma, os EUA patrocinaram e promoveram golpes de Estado, ocupações ou intervenções militares para derrubar governos democráticos e colocar em seu lugar marionetes ou ditaduras fascistas. A lista é grande: Nicarágua (1912 e 1933), México (1913), Guatemala (1954), Paraguai (1954), Brasil (1964), República Dominicana (1965), Bolívia (1964 e 2019), Chile (1973), Uruguai (1973), Argentina (1976), Granada (1983), Panamá (1989), Haiti (2004), Honduras (2009), entre outros.

Em 1961, o então presidente John F. Kennedy determinou que a CIA organizasse e financiasse uma intervenção militar com o objetivo de derrubar o governo revolucionário de Cuba. Foram mobilizados mais de 1.500 mercenários, que desembarcaram em Playa Girón, na Baía dos Porcos. A invasão foi derrotada em menos de 72 horas pela brava resistência do povo cubano, comandado pessoalmente por Fidel Castro e Che Guevara, provando que o imperialismo ianque não é invencível e pode ser derrotado, inclusive no terreno militar.

No Brasil, o golpe militar de 1964 contou, desde o início, com total apoio da Casa Branca. Como revelou o documentário O Dia que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares, o plano para derrubar o presidente João Goulart e levar os generais fascistas ao poder contou com ativa participação dos presidentes dos EUA, John F. Kennedy e Lyndon Johnson, da CIA, do embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, e do Exército norte-americano. Foi enviada uma força-tarefa com o porta-aviões USS Forrestal, com capacidade para lançar até 90 aviões de caça e reconhecimento, dois navios de mantimentos, um porta-helicópteros e seis contratorpedeiros equipados com mísseis teleguiados e 110 toneladas de armas e munições.

Batizada de Brother Sam, a operação foi o desfecho de anos de conspiração dos Estados Unidos com militares e empresários traidores da Pátria para acabar com a democracia no Brasil e impor uma ditadura. Foram 21 anos de perseguições, prisões, sequestros, torturas, estupros, assassinatos e desaparecimentos contra mais de 50 mil brasileiros, inclusive crianças.

Pois bem, é com essa memória histórica que devemos olhar para a recente invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Maduro, tendo em mente que golpes e intervenções estrangeiras não são coisas do passado, e nunca esquecendo as sábias e sempre atuais palavras do comandante Che Guevara: “No imperialismo, não podemos confiar nem um tantinho assim”.

Luta anti-imperialista

Por isso, o ataque terrorista contra a Venezuela não pode ser considerado como um caso isolado. Se hoje os EUA fazem isso com a pátria de Chávez e Bolívar, quem garante que amanhã não será com o Brasil? Afinal de contas, somos um país rico em petróleo, florestas, reservas de água, minerais, terras raras e outras riquezas naturais alvos da cobiça imperialista.

Em resposta aos atos terroristas dos EUA e em defesa da soberania dos povos latino-americanos, manifestações e atos de repúdio têm sido realizados por toda a América Latina e Caribe. Na Venezuela, milhares de pessoas estão nas ruas exigindo a libertação de Maduro e Cilia, bem como a expulsão dos EUA do território venezuelano. Em Cuba, todo o povo está em estado de alerta para a defesa de sua soberania. Na Colômbia, também são constantes as manifestações e forte é o rechaço do povo nas ruas. Embaixadas e Consulados estadunidenses também são alvos de protesto no Equador, Argentina, República Dominicana, Bolívia e outros países. Em todas essas manifestações, uma certeza é unânime: “Não seremos colônia dos EUA!”.

No Brasil, o último dia 28/01 foi marcado por importantes mobilizações, reunindo de norte a sul entidades sindicais, partidos e movimentos sociais em repúdio aos ataques imperialistas. Foram realizados protestos em quase todas as capitais dos estados, como Belém, Fortaleza, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, entre outras.

No Rio de Janeiro, centenas de manifestantes marcharam com faixas, cartazes, bandeiras e agitando palavras de ordem. “O que Trump fez foi, na verdade, avançar sobre a Venezuela para garantir a retirada da sua matéria-prima mais valiosa, o petróleo. Fez isso como já fez em diversos outros locais, como no Iraque, e agora quer ocupar a Groenlândia e invadir Cuba. Por isso, atos como esse são fundamentais para impedir o avanço do imperialismo, para fazer essa denúncia e também para ampliar a solidariedade de todos os povos do mundo”, afirmou Juliete Pantoja, presidenta estadual da UP.

Já em São Paulo, a militância ocupou a Avenida Paulista, onde Leo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular, afirmou: “Quem é o Governo dos EUA para falar de democracia?! Ainda mais esse ditador e abusador de mulheres e crianças que está na Casa Branca! Trump criou uma polícia de fazer inveja à Gestapo nazista, o ICE, que persegue e assassina imigrantes e até cidadãos norte-americanos. Ele precisa ser barrado, e só a classe trabalhadora é capaz de impedir que o imperialismo destrua a humanidade”.

De fato, a época em que as contradições entre as potências imperialistas podiam ser resolvidas pacificamente ficou para trás. A cada dia, é mais violenta a disputa entre as potências imperialistas pela posse e o controle das fontes de matérias-primas fundamentais para manter a economia capitalista. Não se trata de uma questão de vontade de um presidente ou da “química” que possa existir com um ou outro imperialista, mas de uma lei objetiva do desenvolvimento capitalista, como explica Lênin:

“A posse de colônias é a única coisa que dá plenas garantias ao sucesso do monopólio contra todas as contingências da luta com o oponente, mesmo quando este procura se defender com uma lei que implante o monopólio estatal. Quanto maior o desenvolvimento do capitalismo, quanto mais sensível se torna a insuficiência de matérias-primas, quanto mais agudas são a concorrência e a corrida por fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais encarniçada é a luta pela aquisição de colônias.” (V. I. Lênin; Imperialismo, fase superior do capitalismo)

Por isso, é fundamental não recuar diante das ameaças e agressões imperialistas, fazer uma ampla campanha de denúncias dos crimes cometidos por essas potências, em especial pelos Estados Unidos, e desenvolver no povo brasileiro uma profunda consciência anti-imperialista. Sem isso, é impossível ganhar a classe operária para fazer uma revolução que ponha fim à dominação estrangeira sobre nosso país e que construa uma sociedade livre e soberana, o socialismo.

Editorial publicado na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

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