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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

MLB realiza ocupação vitoriosa de empresa de saneamento privatizada no Pará

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90 famílias organizadas no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas ocupam empresa de saneamento e conquistam abastecimento de água para ocupações em Belém.

Beatriz Eleres | Belém do Pará


LUTA POPULAR – Mais de 90 famílias organizadas no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), crianças e jovens, na manhã de hoje (04/02) realizaram uma ocupação de um polo das Águas do Pará no centro de Belém.

O ato reivindicou a melhoria dos serviços de saneamento básico e distribuição de água, principalmente para os bairros periféricos como Guamá, Jurunas, Maracangalha, Pratinha, Bengui e para a Ocupação Welfesom Alves e a Ocupação de Mulheres Rayana Alves, onde os moradores não têm abastecimento diário de água e quando finalmente chega às torneiras, recebem uma boa quantidade de barro e bactérias.

“Lá em casa, no Maracangalha  moram minha mãe de 80 anos e meu pai com Alzheimer que precisa de água várias vezes ao dia para suas necessidades fisiológicas e a água, quando vem é com um cheiro horrível. Mas, a conta não deixa de chegar todo mês” relata Maria do Socorro, moradora do bairro da Maracangalha, que descreve alguns dos desafios para conseguir realizar suas tarefas cotidianas e cuidar de sua família idosa.

Vitória das famílias

Ao final da tarde do mesmo dia, as famílias conquistaram a vitória de 2 caixas d’água, uma para cada Ocupação apoiada pelo movimento, além de abastecimento periódico doado pela empresa Águas do Pará. O que querem os lutadores sociais do MLB é que seus direitos básicos não estejam à venda e beber água, tomar banho, cozinhar e lavar roupas todo dia não sejam realidades distantes.

“É importante que façamos a luta para reivindicar o direito à água, porque se esperarmos a comoção dos governadores, prefeitos e empresas, não vamos conquistar nada. Quando ocupamos, é uma afronta ao sistema vigente que concentra riquezas, como a própria água. O povo briga pelo seu direito básico, como na Ocupação Welfesom Alves, onde moramos há 4 meses e não temos água para lavar roupa e precisamos de ajuda de vizinhos, parentes e apoiadores” afirma Jon da Rima, integrante da coordenação estadual do MLB.

Privatização deixou água mais cara no PA

Há 2 anos, o processo de privatização dos serviços de saneamento básico e distribuição de água no estado do Pará foi efetivado. Àquela época, os movimentos sociais denunciaram as consequências futuras de entregar as estatais para o setor privado, como consta na matéria de Welfesom Alves para o Jornal A Verdade n° 284 que define esse serviço público transformado em “mercadoria a ser vendida e entregue aos ricos”.

Hoje, a situação agravou-se: contas cada mês mais caras, dias seguidos de parada no abastecimento de água nos bairros mais populosos da capital paraense, demissões em massa, baixa nos salários, além de um tratamento de limpeza insuficiente que resulta em água contaminadas chegando nas casas dos 99 municípios nos quais a empresa atua.

Portanto, a garantia do direito universal de acesso à água potável segura e saneamento deve ser uma preocupação fundamental de quem luta por uma realidade digna. Uma sociedade em que água, comida e casa não sejam mais letra morta em discursos bonitos mas sim, uma realidade concreta para todos os trabalhadores, mulheres, crianças e idosos.

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