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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Luta dos estudantes da UFPB conquista a redução do RU mais caro do Brasil

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Após anos de luta organizada, o movimento Correnteza junto aos estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) conquistaram a redução de 60% no valor da refeição no Restaurante Universitário.

Martone Viana e Isabele Ribeiro| Paraíba


EDUCAÇÃO- Uma vitória histórica marcou o início do semestre 2025.2 para os estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O preço do Restaurante Universitário (RU), que havia se tornado o mais caro do país em agosto e chegado à tarifa de R$ 17,33, foi reduzido para R$ 6,93 após uma longa e organizada mobilização estudantil. A conquista é fruto de uma trajetória de lutas que incluiu abaixo-assinados, debates, ocupações de espaços e a pressão constante por meio de petições em assembleias para audiências públicas com a reitoria.

A luta por um bandejão acessível não foi um ato isolado, mas parte da atuação do Movimento Correnteza, que se consolidou como a principal força de oposição dentro da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em âmbito nacional, o Correnteza tem crescido cada vez mais – um aumento de 40% em seu número de delegados no último congresso – e defende bandeiras como o fim da política fiscal que asfixia as universidades, a ampliação da assistência estudantil e, centralmente, a garantia de alimentação gratuita e o passe livre para os estudantes no transporte coletivo.

O RU da UFPB e a crise na assistência estudantil

O problema do RU da UFPB não é de hoje. Desde 2022, quando após muita luta conseguimos a reabertura do restaurante com o custo de R$ 10,00, o Movimento Correnteza veio denunciando o valor abusivo das refeições. Se naquela época o valor já estava alto e sob a intervenção na Reitoria, o que não imaginávamos era que o preço continuaria aumentando:  primeiro para R$15,01 e posteriormente para R$ 17,33.

De todos os valores que o RU já obteve, o de R$ 17,33 era o que mais afrontava e escancarava a precarização da educação pública e de qualidade. Mesmo quando conseguíamos nos alimentar, nos deparávamos com larvas e pino de panela na comida. Houve, inclusive, a intoxicação alimentar de pelo menos 300 alunos que comeram no restaurante no mesmo período.

A UFPB perdeu, nos últimos 10 anos, mais de R$ 200 milhões de reais em orçamento. Só no comparativo entre 2024 e 2025, houve uma redução de 4,68%, o que representa R$ 2.167.787,00 a menos no PNAES e R$ 930.853,00 a menos em bolsas acadêmicas. Esses cortes atingem diretamente as políticas de permanência e o combate à evasão estudantil. Ao mesmo tempo, a universidade virou refém das emendas parlamentares, que aumentaram 373%, tornando o orçamento cada vez mais dependente das negociações políticas no Congresso e sob sua influência na indicação de cargos e políticas educacionais.

Quem luta conquista!

A organização pela redução do preço do RU começou há mais de três anos com a coleta de assinaturas, demonstrando numericamente a insatisfação geral. Os abaixo-assinados deram lugar a debates intensos, onde se discutiam não apenas o preço da refeição, mas o modelo de gestão da universidade. Aos poucos, a luta dos estudantes ganhou corpo e voz, saindo dos grupos de conversa e tomando os espaços físicos da instituição. A tática se intensificou com ocupações, um ato de resistência e pressão direta que visava não apenas chamar a atenção, mas forçar um diálogo concreto com a administração da universidade.

Nesse sentido, a redução para R$ 6,93 é mais do que um alívio no orçamento mensal dos estudantes; é a comprovação de que a organização coletiva é eficaz. A pauta do RU se mostrou indissociável de outras reivindicações da assistência estudantil e os estudantes continuam se organizando pelo aumento no valor das bolsas e recomposição orçamentária da UFPB.

A mensagem que fica é nítida: quando os estudantes se unem, a mudança é possível. A batalha pelo bandejão na UFPB se tornou um capítulo inspirador na luta nacional por uma universidade verdadeiramente pública, gratuita e acessível a todos.

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