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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Trabalhadores da petrobras fazem greve por melhores salários e mais direitos.

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No final de 2025 milhares de petroleiros cruzaram os braços nso seus locais de trabalho exigindo melhores salários e planos de carreira. A histórica greve da categoria gerou um prejuizo bilionário aos acionistas e fortaleceu a categoria em todo país

João Gabriel | São Paulo


Trabalhador Unido – No último mês de dezembro os 18 sindicatos que representam os petroleiros de norte a sul do país foram unanimes em seu grito de guerra nas assembléias: “GREVE!”. A respostada categoria ocorre após a apresentação da 4ª proposta de acordo coletivo de trabalho (ACT) pela cúpula que administra a empresa hoje. A insatisfação reside no não atendimento das demandas apresentadas pelo conjunto do sindicatos é principalmente o aumento dos salários e melhorias no plano de carreira. Além disso também estavam na mesa a readequação do plano de défcit do fundo de pensão, que após rombo compromete a renda dos aposentados.

A petrobras é a empresa pública mais valiosa do país, além de atuar em um setor determinante para a soberania nacional, apesar disso, passa por um profundo processo de desmonte apartir da privatização que inicia já no governo de Fernando Henrique Cardoso com o fim do monopólio do setor do petroleo e a abertura de seu capital na bolsa de valores.

Com os governos Temer e Bolsonaro aprofunda o papel do mercado em especial após onda de cortes de investimento no setor e venda de refinarias, gasodutos e BR Distribuidora empresa responsável por distribuição e comercialização de combústíveis.

Apenas no ano de 2025, até setembro, a empresa já havia lucrado R$ 94,5 bilhões. Apesar disso, essa fortuna gerada por milhares de trabalhadores que extraem o petróleo dos nossos oceanos e o transformam em combustíveis que movimentam o país, é entregue de mão beijada para um punhado de acionistas e investidores, em geral estrangeiros, que receberam cerca de R$ 54 bilhões desse montante.

“Nossa revindicação não é nenhum exagero, é a devolução do que permenos no ultimo período de ataques no governo Temer e Bolsonaro. Lula foi eleito dizendo que atenderia as demandas da categoria petroleira, mas até agora vemos a mesma lógica, lucro para os acionistas e porta fechada para a gente. A greve foi gerada pela própria empresa que ignorou completamente nossa demanda, quando veio a proposta os trabalhadores já queriam saber quando é que começava a greve, então foi só acontecer as assembleias e a categoria mostrou a sua força.” – Marcelo, diretor do Sindpetro e militante do MLC

Greve é a escola do socialismo

Diante de um cenário como esse, a unidade e força da categoria se expressaram na combatividade em que rechaçaram o acordo mas também nos piquetes que garantiram a continuidade da greve. Mesmo no período de festas de final de ano, em que costuma-se estar mais próximo da família e amigos, diversos trabalhadores levaram seus filhos, esposas para os piquetes, o que aumentou a força e o animo da categoria a cada dia.

Foi determinante também o papel que a Unidade Popular cumpriu nessa mobilização, realizando brigadas nas vesperas do natal na porta das refinarias e terminais de todo o Brasil, dialogando com a categoria e crescendo a atuação do Movimento Luta de Classes entre os petroleiros. Destacou-se a atuação da UP no litoral paulista, em São Sebastião todos os dias haviam atividades como rodas de conversas temáticas junto ao Olga, FNR e MLB.

Segundo Leidiane, do Movimento Olga isso foi determinante para aprofundar a relação da luta da categoria com o movimento mais geral dos trabalhadores brasileiros:
“No inicio estavamos pensando como poderiamos intervir junto ao sindicato, e logo chegamos juntos a conclusão que deveriamos trazer o que apenas pelo movimento grevista não é possível observar. Então organizamos rodas de conversa sobre o racismo, assédios e violencia contra mulher no ambiente de trabalho e com isso conseguiamos aprofundar a relação dessas opressões com a exploração do sistema capitalista, e a necessidade de por fim a esse regime”

E continua: “em poucos dias já eramos praticamente parte da categoria. Apartir da contribuição das companheiras grevistas vimos a urgência de orgazarmos núcleos do olga dentro da empresa e aumentar a luta contra a exploração e opressão das mulheres.”

Como consequência das rodas de conversa, sempre surgiam dúvidas e provocações entre os grevistas a cerca do sistema capitalista e como supera-lo, assim ganhou força a propaganda do socialismo. Em cada dia um militante se responsabilizou por falar sobre como construir o socialismo, apartir das lutas e da organização dos trabalhadores no Partido Comunista Revolucionário. Também cresciam dia após dia as vendas do jornal A Verdade e das edições Manoel Lisboa que eram as leituras complementares a todo o bate papo que acontecia nos piquetes.

Greve histórica mostra força da categoria.

“Conquistamos pequenos avanços, na pauta revindicada, o reajuste foi menor do que queriamos e ainda parcelado, meio por cento agr e meio por cento ao longo de 2026. Mas a principal conquista foi consientização e mobilização da categoria. Isso vai fazer que a próxima greve seja ainda mais forte. Além disso está claro a necessidade de crescer o setor revolucionário dentro desses sindicatos, e com isso vários grevistas se filiaram a UP, crescemos o núcleo do MLC e fundamos o primeiro núcleo do Olga aqui na cidade. As próximas greves temos que estar na cabeça igual os companheiros fizeram na BYD. Com os revolucionários dirigindo os sindicatos e as greves arrancaremos mais direitos!” – Relata Marcelo.

Apenas no primeiro semestre de 2025 houveram 536 greves, é evidente que existe um avanço da revolta dos trabalhadores sobre o aumento da exploração que o período atual do capitalismo os impõe. Entretanto não são todas as categoria que tem essa revolta levada a cabo por uma greve. Isso se dá também pelo fato e diversos sindicatos não representarem os interesses específicos dos trabalhadores e por vezes, na verdade, defenderem seus interesses e compromissos com patrões e governos.

Essa greve da petrobras evidenciou a necessidade da união dos trabalhadores ao redor de seus sindicatos e do papel da democracia nessas entidades para que seus interesses sejam sustentados por meio da luta.

Mesmo com a saída precosse de parte de sindicatos filiados a FUP (Federação Unica dos Petroleiros), entidade que tem relação direta com CUT e o governo Lula, também ocorram assembléias que rechaçaram a proposta defendida pela cúpula da entidade por considerarem a proposta de ACT rebaixada e reconhecer que a greve é a única forma de pressionar a administração ceder.

Mesmo com a debandada da FUP, ainda se manteve paralisada 80% durante quse os 16 dias que duraram a greve, o que gerou prejuizo estimado em R$3,2 bilhões. É justamente esse impacto que fez com que a empresa agilizasse por meio da justiça medidas para por fim a greve, por meio de um dissídio coletivo de greve.

Segundo Emanuel Menezes, petroleiro e militante do MLC:
“Desde o primeiro dia defendemos a continuidade da greve! Esse é o sentimento de toda a categoria e soubemos expressar bem isso, a greve foi encerrada de maneira prematura. Está claro que a social democracia, que ainda dirige a maior parcela de sindicatos da categoria, é imcapaz de conduzir a luta por nossos direitos até as últimas consequências, não são capazes de defender a categoria. Por isso a UP e o MLC cumpriram um papel muito importante pois conquistamos muito respeito da base, e vamos agora com mais força enfrentar os desafios do próximo período e das próximas lutas da categoria.”

Soberania nacional é a Petrobras 100% pública!

Além das revindicações da categoria, somaram-se demandas nacionais à greve. Dada a importância do setor do petroleo para nosso país, e o processo de privatização que a pretrobras sofre também é bandeira dos grevistas a empresa voltar a ser 100% pública. Dar fim ao lucro para acionistas estrangeiros e passar a usar esse recurso para resolver as demandas do povo, como investimento em saúde e educação.

Também é uma questão de soberania nacional, basta observamos oque ocorre na venezuela com o ataque de Trump que sedento por petróleo prepara as condições para a guerra comercial se tornar um confronto aberto entre as potência imperialistas e tentar salvar os capitalistas de seu país da crise do sistema capitalista.

Defender a reestatização completa de todas as empresas dos setores estratégicos de nossa economia, além da necessidade do controle popular sobre a produção e o lucro dessas empresas é o verdadeiro caminho para por fim à crises e a exploração do trabalho humano.

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