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segunda-feira, 9 de março de 2026

As doenças do capitalismo na nova geração: Quando o sistema transforma a vida em mercadoria, o adoecimento se torna inevitável.

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O Monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora final da propriedade privada capitalista. ( Karl Marx. O capital Livro I).

Alberes Simão- Petrolina (PE)


 SAÚDE- Vivemos uma epidemia silenciosa. Em cada esquina, em cada tela, há jovens cansados, ansiosos e deprimidos, tentando sobreviver em um mundo que os consome por dentro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o suicídio já é quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, mas o que o sistema não diz é que o verdadeiro culpado tem nome: capitalismo.

Este modelo de sociedade que transforma tudo em lucro e todos em competidores produz miséria emocional. Somos bombardeados por cobranças, metas, comparações e ilusões de sucesso. No capitalismo, os avanços da ciência servem apenas para enriquecer um punhado de pessoas. O trabalhador é explorado até a exaustão; o estudante, sufocado pela pressão do desempenho; o desempregado, culpado por não “vencer”. O capitalismo não só rouba o tempo e o corpo, mas também envenena a alma.

A fábrica de ansiedade

O jovem de hoje nasce conectado, mas vive isolado. A internet, apresentada como liberdade, virou uma vitrine de sofrimento. As redes sociais impõem um padrão de felicidade impossível, criando uma geração que sorri nas fotos e chora em silêncio. A lógica é simples: quanto mais inseguros, mais consumimos; quanto mais sozinhos, mais obedecemos.

Com base em registros da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), o jornal Folha de São Paulo mostrou que, de 2013 a 2023, ocorreu um expressivo crescimento da ansiedade entre crianças e jovens. As principais causas apontadas pela reportagem são: crises econômicas, climáticas, autodiagnósticos simplistas e uso excessivo de celulares e jogos (FSP, 31/05/2024). A situação é tão alarmante, que nem os meios de comunicação da própria burguesia conseguem esconder os fatos.

A “liberdade” capitalista é uma farsa. Somos “livres” para escolher entre mil produtos, mas não para decidir o rumo da própria vida. O sistema promete sucesso a todos, sabendo que só poucos o alcançarão e culpa cada um por não conseguir. Essa é a violência psicológica do neoliberalismo: transformar exploração em “mérito pessoal”. Luiz Falcão, em seu livro o Capitalismo e as doenças, fazendo uma análise do momento social em que vivemos, afirma:

“Os Arautos da burguesia, da mesma forma que culpam os desempregados por não conseguirem emprego, a natureza pelas tragédias climáticas e os pobres pela pobreza, responsabilizam o ser humano pelas doenças.”

O lucro acima da vida

Enquanto milhões adoecem, as indústrias farmacêuticas faturam bilhões vendendo antidepressivos. A tristeza virou mercado. A dor virou mercadoria. O sofrimento é lucrativo e por isso o sistema não quer curá-lo. Prefere anestesiar. Não é coincidência que os países mais capitalistas sejam também os que registram os maiores índices de ansiedade e suicídio. O “progresso” que prometem é construído sobre a destruição da vida coletiva e a privatização da esperança.

Resumindo: A vida da classe operária na moderna sociedade capitalista consiste em superexploração, metas e cobranças abusivas, assédio e falta de perspectiva no trabalho.

Saúde mental é luta de classes

 O livro “Capitalismo e as Doenças” aponta que o adoecimento da população não pode ser compreendido apenas sob uma perspectiva biológica, pois está profundamente relacionado às estruturas do sistema capitalista. Segundo o autor, a lógica da exploração do trabalho e da busca incessante pelo lucro contribui para o desgaste físico e mental dos indivíduos, transformando a saúde em um elemento secundário diante da produtividade. Além disso, Falcão argumenta que a desigualdade social, característica do capitalismo, limita o acesso aos serviços de saúde, fazendo com que o direito à vida saudável seja condicionado à posição econômica. Nesse contexto, a medicalização dos problemas sociais atua como uma estratégia de ocultamento das verdadeiras causas do adoecimento, desviando o foco das condições precárias de trabalho e de vida. Assim, o autor demonstra que o capitalismo não apenas convive com as doenças, mas também cria e mantém as condições sociais que favorecem sua reprodução.

Falar de depressão e suicídio não é só uma questão médica; é uma questão política e de classe. A saúde mental do povo trabalhador não será alcançada com remédios caros ou palestras motivacionais, mas com mudança radical das condições de vida. Precisamos recuperar o sentido coletivo da existência: o apoio mútuo, a solidariedade, a organização. Nenhum algoritmo substitui um abraço, nenhum lucro compensará a perda de um camarada.

A juventude que hoje sofre é a mesma que pode romper as correntes. Transformar a dor em revolta, e a revolta em ação. Porque só uma sociedade socialista onde a vida valha mais que o lucro poderá curar as feridas abertas por séculos de exploração.

Viver é resistir. Lutar é libertar

Enquanto o capitalismo nos adoece, a luta coletiva nos cura. Que cada lágrima derramada se transforme em combustível para a transformação. Que a juventude, ao invés de se render ao desespero, erga-se em nome da vida, da dignidade e da esperança. Porque o suicídio não é o fim individual é a denúncia de um sistema que mata em silêncio. E só a revolução pode calar essa máquina de sofrimento.

Esse ano de 2026, a União da Juventude Rebelião (UJR) e a Unidade Popular organizaram diversas atividades em todo país visando aprofundar ainda mais a colaboração mútua, o espírito de coletividade e companheirismo. Rodas de conversa, caminhadas, trilhas, campeonatos de futebol e outros esportes, mostrando que é possível trocar as horas nas telas por ações que estimulem a saúde mental, a consciência de classe e a natureza, mostrando que uma outra sociedade é possível, e que práticas como essas comprovam isso. O autocuidado também é feito no coletivo, onde também cuidamos uns dos outros enquanto também nos fortalecemos.

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