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quinta-feira, 5 de março de 2026

Greve dos Metalúrgicos da KABI conquista direitos no Rio de Janeiro

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Trabalhadores da KABI fazem greve vitoriosa, barram o parcelamento de salários e fortalecem a luta contra a escala 6×1.

Rafael Figueira e João Casares – Rio de janeiro (RJ)


Desde o início do ano, a militância do Movimento Luta de Classes (MLC) vem construindo uma grande campanha de denúncias contra a famigerada escala 6×1 nas fábricas metalúrgicas da Zona Norte do Rio de Janeiro, utilizando o panfleto nacional do MLC e brigadas periódicas do jornal A Verdade.

Durante essa mobilização, fomos informados do ataque criminoso aos direitos do trabalhador  na fábrica KABI Strong, onde os funcionários ficavam meses sem receber e, quando ocorria o pagamento, os salários eram parcelados.

Diante dessas denúncias, nossa militância intensificou o contato com os operários na porta da fábrica e produziu um panfleto específico a partir das denúncias deles sobre essa situação. Com isso, conseguimos o contato de diversos trabalhadores indignados que, por medo de represálias e do assédio moral da empresa, não queriam conversar em frente à unidade, mas aceitaram realizar reuniões individuais para tratar do problema.

Após essas reuniões, organizamos uma plenária on-line para apresentar a proposta de paralisação para o dia 04/03, Dia Nacional de Paralisação contra a Escala 6×1 em todo o Brasil. O objetivo foi fortalecer a mobilização específica dos metalúrgicos e somar forças à luta nacional.

Devido à firmeza dos operários, no dia 04/03, a militância do Movimento Luta de Classes (MLC) e da União da Juventude Rebelião (UJR) garantiu um piquete combativo na porta da fábrica. O som das palavras de ordem e o café da manhã compartilhado na calçada romperam o silêncio da exploração, transformando a madrugada fria em um símbolo de resistência e solidariedade operária.

Chegamos ao local com uma hora e meia de antecedência e utilizamos o carro de som para organizar a primeira assembleia. Garantindo que nenhum trabalhador seria filmado ou fotografado para evitar riscos de retaliação, iniciamos uma greve operária pelo recebimento dos salários e pela garantia de estabilidade do dia de pagamento. Com a greve estabelecida, convocamos o sindicato para formar uma mesa de negociação mista com a empresa.

Após a primeira assembleia, outras demandas surgiram. A empresa se recusava a pagar o dissídio de 6% conquistado pela categoria em outubro do ano passado e condicionava um “bônus” de 10% à assiduidade, pontualidade e metas de produção. Reivindicamos o pagamento integral do dissídio coletivo — um direito dos trabalhadores — com os retroativos desde outubro para todos os funcionários. Além da definição de um dia fixo para o pagamento e da abolição do parcelamento de salários, exigimos que nenhum trabalhador sofresse descontos ou punições por exercer o direito de greve.

No meio da manhã, o proprietário surgiu com o cinismo típico da burguesia, afirmando que “tirava do bolso” para manter a empresa. Enquanto os trabalhadores amargavam contas atrasadas e geladeiras vazias, o patrão encenava uma falsa compreensão, mas negou-se a fixar o dia do pagamento. Diante dessa postura intransigente e desrespeitosa, os operários responderam com a única linguagem que o capital entende: decidiram, em assembleia, pela continuidade da greve.

Ainda no primeiro dia, o patrão revelou sua face mais perversa ao tentar usar a fome como arma contra o movimento. Anunciou o fechamento da cozinha e o corte da alimentação, além de ameaçar demitir quem lutava por comida na mesa. Tais ataques, longe de acovardar a categoria, apenas inflamaram a indignação. O patrão mentiu ao dizer que a greve era ilegal, ignorando que o calote nos salários é o verdadeiro crime.

No dia 05/03, chegamos cedo à porta da fábrica, desta vez acompanhados pelo sindicato e com a notícia de que outro responsável pela unidade havia solicitado uma reunião com a comissão. Na ocasião, fomos informados de que a Justiça havia intervindo na empresa, que se encontra em Recuperação Judicial (ou Fiscal), e que um dos critérios para tal processo é a garantia de que não haja atrasos salariais.

Nessa reunião, o administrador judicial comprometeu-se a:

  • Pagar o dissídio retroativo;
  • Garantir um dia fixo para o pagamento já em março;
  • Apresentar, até segunda-feira, uma solução para o pagamento referente a fevereiro;
  • Garantir a não retaliação dos trabalhadores grevistas.

Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião de mediação com a Justiça, o sindicato, o MLC e a direção da fábrica para resolver pendências como a situação da cozinha e pagamentos de férias atrasadas.

Com essas decisões registradas em ata pela Justiça e assinadas por todas as partes, os trabalhadores celebraram a vitória de quem não se curvou. Em assembleia, decidiram encerrar a greve com o orgulho de quem recuperou a dignidade através da luta. O sentimento geral era de que a KABI já não é a mesma: agora, o operário entra na fábrica de cabeça erguida, sabendo da força que tem quando está unido.

A vitória na KABI prova que o único caminho para a emancipação da classe operária é a luta direta e organizada. Só o socialismo libertará os trabalhadores da escravidão assalariada! Seguiremos presentes na porta da fábrica, mas também dentro, pois essa luta consolidou um núcleo do Movimento Luta de Classes na KABI Strong. Estaremos atentos quanto ao cumprimento do acordo e prontos para retomar a luta, ao lado dos trabalhadores, sempre que necessário.

Só a luta coletiva é capaz de barrar a exploração e conquistar direitos! A vitória na KABI é um combustível para as próximas batalhas.

Pelo fim da escala 6×1!
Rumo à construção de uma sociedade onde quem produz tudo, a tudo pertença!

 

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