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segunda-feira, 9 de março de 2026

Operários da Ypê sofrem com péssimas condições de trabalho

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Operários da Ypê são expostos à vazamentos químicos e a inalação de produtos tóxicos sem receber adicional de insalubridade. Além disso, faltam equipamentos de EPI enquanto a empresa lucra bilhões e submete trabalhadores à escala 6×1.

Igor Tadeu e Vanessa Patrucci | Jaguariúna (SP)


Brasil – Diversos trabalhadores da empresa de produtos de higiene Ypê têm denunciado aos militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) as degradantes condições de trabalho a que estão submetidos diariamente. 

Conforme relatam os funcionários nas Brigadas Operárias, ocorrem casos frequentes de acidentes de trabalho no dia a dia dos trabalhadores. A empresa ignora condições básicas de segurança para uma indústria química do porte da Ypê, desde a falta de EPI ‘s, a riscos de lesão para homens e mulheres que carregam peso nas mãos ininterruptamente durante o processo produtivo sem o auxílio de uma máquina especializada.

De acordo com um operário que prefere não se identificar: “Tínhamos uma paleteira elétrica, mas quebrou e não consertaram porque disseram que vão comprar uma nova ao invés de consertar, estamos esperando há meses e enquanto isso são 10 sacos de 25kg por reator, isso umas 60 vezes por turno” disse o trabalhador da linha de produção. 

Descaso com a saúde do trabalhador 

Em outras áreas, o cenário de descaso com a saúde e integridade da pessoa também é visto. Os depósitos de armazenamento de químicos estão fora do padrão adequado, onde os reagentes ficam expostos lado a lado sem a organização ideal, faltam estruturas básicas de segurança, como bacias de contenção, chuveiro de emergência e lava olhos.

Ainda há sérios problemas relacionados à infraestrutura, como fiação exposta, armários que armazenam inflamáveis sem estrutura corta-fogo e que ficam próximos ao estoque de caixas e área de mata, causando um grave risco de incêndio. 

Outra trabalhadora da área, relata: “Trabalho em um dos laboratórios da Ypê e acesso constantemente o almoxarifado de químicos que apelidamos de ‘Cativeiro’ devido às péssimas condições estruturais e mesmo levando para liderança nada foi feito. Em uma visita do time de segurança ao local, que só aconteceu porque acionei após falta de atitude dos encarregados, os técnicos de segurança relataram sentir um forte cheiro de clorofórmio*”.

E continua “Nós que frequentamos sempre já não sentimos mais, a gente acaba se acostumando com a exposição prolongada.” 

Operários do setor de sabão em pó também relataram ficarem expostos à inalação de pó durante sua jornada de trabalho. Além disso, denunciaram que com as chuvas a situação fica ainda pior, pois além da inalação, sofrem com o risco de queda, uma vez que o chão fica extremamente escorregadio.

Ao denunciar esses absurdos aos encarregados, em especial à falta de máscaras EPI ‘s para o caso de vazamento de ácido sulfúrico, o superior disse: “Não será necessário disponibilizar máscaras para todos, em caso de vazamento é só tampar o nariz e correr”. 

Na mesma reunião, funcionários relataram um vazamento do ácido que gotejava de uma válvula quebrada, e que era contido provisoriamente com ajuda de um saco. Ao invés da gestora solicitar o conserto ou a substituição, sugeriu contornar o vazamento alegando não haver verba para essa demanda.

A partir das brigadas operárias, trabalhadoras sentem confiança de denunciar os crimes cometidos pela Ypê (Foto: Igor Tadeu, Jornal A Verdade)
A partir das brigadas operárias, trabalhadoras sentem confiança de denunciar os crimes cometidos pela Ypê (Foto: Igor Tadeu, Jornal A Verdade)

Operários sem adicional de insalubridade

Segundo dados revelados pela própria empresa, em 2008 o faturamento do grupo Ypê poderia ser estimado em R$900 milhões. Nos dias de hoje, certamente a cifra ultrapassa o valor de 1 bilhão de reais. Enquanto isso, paga um salário de miséria, rouba o tempo de vida de seus funcionários mantendo a escala 6×1 e os obrigando cumprir horas-extras não-remuneradas. Além de não pagar o adicional insalubridade

Segundo uma ex trabalhadora da empresa, a fala de adicionais de insalubridade não é uma novidade. “Entrei sabendo que não existiam os adicionais, mas lá dentro, conhecendo todos os processos, não fazia sentido não haver. Quando conversei com meus colegas sobre o assunto, percebi que o tema era um tabu entre todos”

A mesma funcionária decidiu investigar o porque a empresa não cumpria o compromisso previsto por lei: “Decidi que ia perguntar sobre isso durante a reunião semanal para nossa gestora, onde todos estariam presentes e poderiam ouvir a explicação, não houve resposta. Cobrei diversas vezes, durante essa mesma reunião e também nos bate papos individuais. Meses se passaram e saí da empresa sem respostas.”

“Quando eu trabalhava na Ypê, passei por sucessivas crises de ansiedade por conta da pressão do trabalho. Chegava a vomitar quatro vezes por semana por conta disso. Não podia ir ao banheiro com frequência, nem para vomitar, pois tinha que ficar o tempo todo no atendimento. Também, na época, ouvi falar de um acidente de trabalho em que um funcionário teve as duas pernas amputadas por conta de uma empilhadeira.”, relatou outra ex funcionária ao Jornal A Verdade

Os brigadistas do Jornal A Verdade, militantes da UP e do MLC organizaram um protesto e estenderam uma faixa na frente da empresa em denúncia ao que os operários e operárias sofrem diariamente. Em todas as conversas na porta da empresa a militância e os trabalhadores leem as novas edições do jornal, tomam o café da manhã juntos organizam suas denúncias para barrar a escala 6×1

*Clorofórmio é um composto químico. Sua exposição à longo prazo pode gerar danos ao sistema nervoso central e compromete o funcionamento de alguns orgãos vitais

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