Um policial militar agrediu dois estudantes dentro do CE Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os estudantes fazem parte da AMES-Rio e estavam ajudando o grêmio da escola a organizar uma manifestação contra um professor acusado de assédio. Os dois diretores da AMES e mais um estudante foram detidos.
Gabriel Puga | Redação RJ
JUVENTUDE – Estudantes organizavam uma manifestação na manhã desta quarta-feira (25) pedindo o afastamento de um professor acusado de assediar as alunas quando foram agredidos por um policial militar. O caso aconteceu no CE Senor Abravanel (antigo CE Amaro Cavalcanti), localizado no Largo do Machado, Zona Sul do Rio de Janeiro.
O que dizem os estudantes agredidos?
Marissol Lopes é uma estudante de 19 anos e atualmente preside a Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AMES-Rio). Foi agredida com dois socos e teve a sua camisa rasgada. “Eu tenho vindo desde o início do ano aqui na escola ajudar o grêmio estudantil a organizar as lutas pelas melhorias na escola. Não é a primeira vez que somos recebidos com violência. A secretaria de educação, mesmo sabendo que temos direito de entrar nas escolas, prefere que as estudantes sejam assediadas do que ver a luta estudantil organizada”, denuncia.
Theo Oliveira tem 18 anos, é secretário-geral da AMES-Rio e também foi agredido. “Viemos por uma denúncia justa das estudantes. Há anos que professores são denunciados por assédio e a SEEDUC-RJ não faz nada. Eu só fui defender a Marissol e o policial me jogou no chão.”, relata em entrevista ao Jornal A Verdade.
Também foi detido João Herbella, diretor do DCE UFRJ e do Centro Acadêmico da Escola de Comunicação. Ele foi para apoiar a manifestação e o seu “crime” foi gravar o que os policiais fizeram com os outros dois estudantes.

O que diz a Secretaria de Educação?
Em nota, a SEEDUC-RJ afirmou que “a direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos”. A AMES-Rio e AERJ, entidades estudantis presentes no momento, questionam qual é o perigo que cartazes e palavras de ordem dos estudantes poderia trazer. A realidade é que a Polícia Militar foi convocada para intimidar a luta estudantil. Não é a primeira vez que a PM age com brutalidade dentro de uma escola, mesmo na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo as associações, em 2024, a PM entrou no CE André Maurois, no Leblon e jogou spray de pimenta em estudantes.
“É isso que significa a militarização das escolas que a direita tanto agita como a solução para os nosso problemas. Essa semana relembramos os 58 anos do assassinato de Edson Luís pela ditadura militar por lutar como estamos lutando. Queremos chamar todos os estudantes para uma grande manifestação amanhã começando na Prefeitura do Rio às 14 horas, em memória de Edson Luís, contra o assédio e a repressão nas escolas.”, convoca Marissol.