O último dia do congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) foi marcado pela continuidade da plenária final e um ato político em solidariedade à Cuba. A bancada do Rebele-se evidencia a continuidade das lutas do movimento estudantil pela educação, contra o imobilismo da UBES e contra o imperialismo estadunidense.
Nathalia Vergara | São Bernardo do Campo (SP)
JUVENTUDE – Nos dias 16 a 19 de abril de 2026, estudantes secundaristas do país todo se reuniram para pautas as próximas lutas do movimento estudantil e eleger a nova gestão da maior entidade de estudantes do Brasil: a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES). O último dia do congresso foi marcado pela continuidade da plenária final e um ato político em solidariedade à Cuba.
O ato “Cuba resiste! De Playa Girón ao bloqueio dos Estados Unidos: a resistência do povo cubano e os desafios atuais” rememora os 65 anos da vitória em Playa Girón e evidência a solidariedade aos povos que lutam contra o imperialismo não apenas na América Latina, mas no mundo. Estiveram presentes no evento militantes do PCBR e PCB, mas, também, Vivian Mendes, Presidente Estadual da Unidade Popular de São Paulo e membro do movimento paulista de solidariedade à Cuba, e Loretta Blanca, conselheira de assuntos econômicos e comerciais de Cuba no Brasil, da embaixada cubana.
Entre palavras de ordem, os presentes homenagearam Fidel Castro e Che Guevara, inspirações da juventude revolucionária, e exigiram o fim dos ataques imperialistas em Cuba e na Palestina.
O ato ocorrer durante um congresso estudantil reforça o papel dos estudantes na emancipação da classe trabalhadora, exatamente como ocorreu em Cuba, com adolescentes de 14 a 16 anos como linha de frente confrontando o império estadunidense. Loretta, que iniciou sua militância como secundarista, diz: “defendemos a revolução com e para os humildes com as nossas vidas. Enfrentamos, primeiramente, a milícia e mercenários de Playa Girón, e o comandante chefe se colocou à frente dos estudantes para defender o processo revolucionário contra os ataques imperialistas, dando início ao socialismo”.
Loretta também fez paralelos dos ataques à Cuba com as agressões na Venezuela, Irã, Palestina e Líbano, mas também aponta que não houve mudanças e melhorias em países que ainda estão sob a influência do capitalismo.
“Estamos há três meses sem receber um barco de petróleo, sobrevivendo apenas com o que podemos produzir e isso não é justo, por isso seguimos lutando e denunciando o que acontece no mundo. Revoluções são feitas por jovens e pessoas com pensamento progressista que se levantam contra as correntes nazistas que atualmente prevalecem no mundo. Por isso, agradecemos a solidariedade e saudamos o movimento estudantil brasileiro”.
Vivian Mendes evidencia que a luta dos socialistas deve ser inspirada na revolução cubana e no fato de que Cuba sempre solidarizou-se a todos os países e não abaixaram a cabeça a ninguém.
“É nossa obrigação histórica levantarmos e fazer essa defesa ao povo cubano, como eles fizeram conosco durante a ditadura militar. É inaceitável vermos um país irmão ser asfixiado e não fazer nada. O Estado brasileiro deve enviar petróleo à Cuba e nós devemos cobrar para que seja feito. Cuba é a revolução e a revolução é o futuro da humanidade, é a expressão do que é a soberania de verdade, que é o poder na mão do povo. Vamos construir a revolução em nosso país e nunca mais vai faltar petróleo e solidariedade”.

Tese “Não temos tempo a perder” denúncia imobilismo e imperialismo
O movimento estudantil secundarista no Brasil sempre foi pautado pela organização dos estudantes para as principais demandas da educação e da classe trabalhadora em todo país. Já na sua fundação, a UBES se destacou na luta pela nacionalização do petróleo, na luta contra a Ditadura Militar Fascista e pela conquista das liberdades democráticas em nosso país.
Nas últimas décadas, no entanto, a direção política imobilista da entidade tem jogado essa tradição de luta fora, como práticas antidemocráticas durante o congresso e imobilizações para uma luta estudantil que seja, de fato, combativa e revolucionária. A candidatura de Yasmin Faria, ex-presidente da Associação dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AERJ), visou denunciar estas práticas.
“Sabemos o potencial que a entidade tem para organizar a luta, por isso estamos apresentando uma candidatura à presidência da entidade depois de tanto tempo. Acreditamos que é possível ter uma UBES que não ande a reboque da luta dos estudantes, mas na vanguarda, organizando, disputando a consciência dos estudantes para uma educação que seja mais avançada e para uma luta que defenda a educação pública hoje”, diz Yasmin.
Para além da denúncia do imobilismo e das práticas antidemocráticas como o atraso dos ônibus da oposição e tentativas de fraudes durante a eleição, o principal resultado político deste CONUBES foi o aprofundamento da organização dos estudantes em defesa da educação pública, e na luta contra o fascismo e a intervenção imperialista. Do norte ao sul, todas as bancadas do Rebele-se fizeram um trabalho político e ideológico na formação dos delegados, apresentando a União da Juventude Rebelião (UJR) como a escola do socialismo.
“Transmitimos o valor da luta para o congresso. Ter a Yasmin como presidenta vem, principalmente, de uma luta que a gente fez no nosso estado para formar grêmios estudantis livres, combativos, que não dependam da direção, e da luta por mais estrutura e segurança nas escolas, como a luta contra o assédio. Todas essas lutas formaram a entidade que a gente tem hoje e a candidata que a gente tem hoje para a UBES”, evidencia Marina Grutter, presidente da AERJ.
Movimento Rebele-se se prepara para as próximas lutas
Ao longo do dia, os estudantes se animaram para aprofundar as lutas do movimento estudantil após o congresso. Entre as reivindicações está a jornada de luta do dia 28 de maio para receber os bandejões conquistados pelos Institutos Federais, que ainda não foram entregues.
Vinicius Brainer, presidente da Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas (APES), aponta outras lutas reivindicatórias do Rebele-se: “As principais lutas que a gente tem tocado nas escolas da Paraíba envolvem a infraestrutura das escolas, o combate ao assédio e a organização dos grêmios livres, o o que também reflete a realidade das escolas de todo o país”.
O tom ao longo do dia foi de combatividade e alegria, com os estudantes buscando uma nova perspectiva de vida e de uma nova postura da entidade.
“A galera ficou muito animada nesses dias de congresso, principalmente porque muita gente teve o primeiro contato com o Rebele-se e a UJR. Foi uma oportunidade de conhecer o trabalho que a gente faz nas escolas e também o que é o socialismo. Muita gente já disse que vai voltar para Belo Horizonte com a cabeça mudada, entendendo que o que a gente faz não se limita à UBES e às salas de aula, mas é uma luta para a vida toda. Nosso papel aqui não é só derrotar o imobilismo, mas mostrar qual é o caminho que a entidade deve seguir: a política do movimento Rebele-se”, exemplifica Cacau dos Anjos, presidente da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande BH (AMES BH).
Durante a centralização da bancada, que ocorreu entre o ato político e a plenária final, os estudantes evidenciaram que os problemas atuais da juventude são reflexo dos ataques imperialistas e fascistas. Para os estudantes do Rio de Janeiro, por exemplo, a mobilização é contra a militarização das escolas, reflexo do governo de Cláudio Castro. Já em São Paulo, a luta é para expulsar Tarcísio de Freitas do Palácio dos Bandeirantes, em uma marcha em defesa da vida que ocorrerá em 20 de maio.
“Vamos sair do congresso com a compreensão de que vamos seguir a luta e nossas resoluções: pelo passe livre irrestrito, pelo fim dos assédios nas escolas e contra a Sala do Futuro e a plataformização da educação”, disseram os diretores da Associação Regional dos Estudantes Secundaristas do ABC Paulista (Ares ABC), local que sediou o congresso, denunciando o processo de privatização do ensino e o método de seleção de conteúdos nas salas de aula.
Os estudantes de Florianópolis, por sua vez, lutam contra a censura imposta por Jorginho Melo aos grêmios estudantis associados à União Florianopolitana dos Estudantes Secundaristas (UFES), ocupando, pela segunda vez, a Secretaria da Educação de Santa Catarina.
O congresso se encerrou com o espírito de que o Rebele-se iniciou, a partir da mobilização do CONUBES, uma série de jornadas de luta do movimento secundarista em todo o Brasil, por uma educação de qualidade, contra o fascismo e pelo socialismo.