Delegados do campo de oposição do CONUBES, liderado pelo Movimento Rebele-se, denunciam a falta de democracia na entidade e fazem a defesa das reivindicações dos estudantes, principalmente o fim da militarização das escolas.
Felipe Annunziata e Leonardo de Paula | São Bernardo do Campo (SP)
JUVENTUDE – O segundo dia do 46º Congresso da UBES (CONUBES) foi marcado com um importante ato contra a militarização das escolas e o aprofundamento das diferenças na política entre o campo de oposição e do imobilismo. Durante a manhã desta sexta (17/04) ocorreram cinco debates, onde a juventude debateu o fim da escala 6×1, o avanço do fascismo, orçamento para educação, democracia e soberania no Brasil e no mundo e a militarização das escolas.
A bancada do Movimento Rebele-se garantiu presença nos debates com muita agitação e cobrando mais democracia na Entidade. Além disso, em todos os espaços a juventude combativa defendeu a candidatura de Yasmin Farias, ex-presidente da Associação dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AERJ) à presidência da UBES.
“O imobilismo tem um princípio que é estar ‘fechado’ com políticos específicos, e por isso deixa de lutar pela educação, deixa de lutar lado a lado com os estudantes. O [Movimento] Rebele-se é contra isso, a gente é oposição porque acredita que é necessário estar na base e não ter rabo preso com político.”, afirmou Pedro Henrique, diretor da União dos Estudantes de Duque de Caxias (RJ) e presidente do grêmio do Instituto de Educação Governador Roberto Silveira.
Na parte da tarde, ocorreram outros grupos de trabalho que tratavam sobre a luta das escolas técnicas, meio ambiente e esporte. No debate sobre as escolas técnicas, Ana Luiza, coordenadora da FENET reafirmou a luta da entidade para garantir bandejões nos Institutos Federais. “O papel do movimento estudantil é lutar para que a promessa só bandejão nos IF’s seja cumprida. Nós precisamos da resposta do MEC, nos foram prometidos 270 bandejões que ainda não foram construídos. Isso afeta a nossa formação, prejudica milhares de estudantes”.
Em novembro de 2025, a Federação organizou uma greve que mobilizou mais de 20 mil estudantes de todo país. Diante da pressão, o então ministro da educação foi obrigado receber os coordenadores da FENET e prometeu a construção dos bandejões nos Institutos Federais neste ano.

Oposição denuncia problemas na estrutura
Uma das contradições que se manifestaram também foi no fato de que, mesmo o CONUBES tendo recebido patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal, aparentemente não foi suficiente ou não foi bem investido o recurso, já que, enquanto sobram seguranças nos espaços do congresso, falta estrutura de alimentação e transporte.
Até agora a tesouraria da entidade, controlada pelo imobilismo, não prestou nenhuma conta sobre os recursos utilizados para garantir a infraestrutura do evento. A falta de transparência tem sido a regra dentro da UBES nas últimas décadas, onde a oposição é impedida de ter acesso aos principais dados da entidade e as decisões são tomadas sem qualquer espaço democrático pelo campo do imobilismo.
“Tem vários estudantes mudando seu voto, porque perceberam as coisas que o imobilismo faz com a gente. Deixam sem comida, atrasa o ônibus, não deixam a gente falar, isso desmobiliza”, afirmou Iara Mesquita secretaria-geral da Ares-DFE (Associação Regional dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal e Entorno), entidade fundada neste ano por estudantes de várias escolas que se encontravam sem representação geral na região de Brasília.
Em outra demonstração de autoritarismo por parte do campo do imobilismo, durante a tarde no debate sobre o meio ambiente, o mediador da mesa, ligado à situação, impediu que estudantes ligados ao movimento Rebele-se se inscrevessem para falar o que gerou revolta e um enorme protesto da bancada da oposição.

Estudantes marcham contra militarização
Ao final do dia, o conjunto dos participantes realizaram uma manifestação contra a militarização das escolas. Vários estados do país têm ampliado a quantidade de escolas militares (sob a fachada de “cívico-militares”) e colocado a presença de PMs para realizar atividades pedagógicas dentro das escolas.
Apesar disso, ainda há um clima entre os delegados que a entidade faz pouco para lutar contra a realidade. “Os estudantes são perseguidos pelas direções e não vemos a UBES se mobilizar contra isso. Por isso eu acredito que com nossa candidata Yasmin a nossa Entidade estará mais presente nas escolas, puxando greves e lutas.”, afirmou Tacila, vice-presidente da União Florianopolitana dos Estudantes Secundaristas.
No fim, a manifestação demonstrou um espírito de rebeldia dos estudantes secundaristas, que tem sido os mais afetados pela intervenção de policiais na educação pública do país. A bancada da oposição, liderada pelo Movimento Rebele-se demonstrou muita força e combatividade durante as intervenções e palavras de ordem. Ao longo da marcha, se destacaram as presenças das entidades secundaristas locais dirigidas pelo movimento e da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (FENET).