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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Sequestro de Nicolás Maduro é ato terrorista do Governo Trump

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Na madrugada do dia 3 de janeiro, uma violenta operação militar dos EUA, resultou na morte de cerca de 100 pessoas e no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Rafael Freire | Redação


EDITORIAL – Na madrugada do dia 03 de janeiro, um ataque terrorista das Forças Armadas dos Estados Unidos aniquilou a vida de cerca de 100 pessoas na Venezuela para sequestrar o presidente do país, Nicolás Maduro (63 anos), e Cilia Flores (69 anos), advogada, ex-deputada e esposa do presidente. Ambos sofreram ferimentos (Maduro, na perna, e Cilia, na cabeça e nas costelas) e estão presos num presídio em Nova York. Estima-se que outros 100 cidadãos venezuelanos ficaram feridos devido aos bombardeios lançados sobre residências e instalações militares na capital Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Do total de mortos, 74 eram militares, a maioria responsável pela Guarda Presidencial, que combateu a Força Delta estadunidense por quase duas horas no Forte Tiúna, principal alvo da “Operação Resolução Absoluta”. Segundo as informações oficiais dos seus respectivos governos, 42 militares pertenciam às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas da Venezuela e 32 às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

O jornal A Verdade teve acesso a documentos que indicam que a CIA infiltrou agentes na alta cúpula do Governo (civil ou militar), o que levou à localização exata onde Maduro se encontrava. Quem entregou a cabeça do presidente numa bandeja – em troca de um punhado de dólares –, cometeu ato de traição à Pátria, pois, na verdade, entregou a soberania do povo venezuelano às garras do imperialismo.

Intervenção militar imperialista

A agressão dos EUA à Venezuela foi extremamente violenta. Segundo informou o Ministério do Interior venezuelano, “as explosões foram tão fortes que há pessoas que não se sabe onde estão. Pessoas fragmentadas de tal forma que é impossível identificá-las. O DNA de restos humanos encontrados estão sendo analisados. Um ultraje completo enquanto as pessoas dormiam”.

Muitos inocentes foram assassinados pelas bombas do presidente fascista Donald Trump. Uma delas é Rosa Helena González, de quase 80 anos, assassinada por um míssil que atingiu o prédio onde morava, em Catia La Mar. “De madrugada, ouvimos as explosões e as moradias estremeceram. Decidimos evacuar o edifício. A maioria já havia saído quando o míssil atingiu o prédio”, relata Jonathan Mayora outro morador. “Lembro dela como uma mulher trabalhadora e colaboradora com a comunidade”, acrescentou em depoimento ao veículo La Hora de Venezuela.

Wilman González, de 54 anos, eletricista e sobrinho de Rosa, conta: “Eu me levantei e fui socorrer meus irmãos aturdidos com o impacto, que foi tão grande que uma máquina de lavar saiu voando e caiu em cima da minha tia. Havia uma máquina de lavar em cima dela! Consegui colocá-la sentada em uma cadeira. Neste momento, ela disse que não conseguia respirar”. Rosa chegou a ser atendida num hospital, mas não resistiu a uma parada cardíaca.

Os objetivos de Trump na Venezuela

Os diversos governos dos Estados Unidos, que se autodeclaram como maiores defensores da paz e da democracia, não têm o menor pudor em usar seu enorme arsenal militar para impor sua vontade aos povos e nações, como fizeram no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia e, mais recentemente, na Faixa de Gaza, onde mais de 70 mil palestinos foram assassinados das mais formas mais desumanas pelo Exército nazista de Israel, com total apoio político, militar e financeiro da Casa Branca.

Da mesma forma que fizeram em 2003, quando mentiram ao mundo dizendo que o Iraque possuía armas de destruição em massa para justificar a invasão daquele país, desta vez, os Estados Unidos criaram a falsa narrativa de que o presidente da Venezuela era chefe de um cartel de drogas internacional.

Porém, segundo a organização venezuelana Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista (Upra), em entrevista ao jornal A Verdade, “somente 5% das drogas que saem da região fazem isso através da Venezuela. Isso já desmente o discurso de Trump, já que se ele realmente estivesse interessado em combater o tráfico de drogas, desenvolveria iniciativas sociais em seu próprio país, controlaria os navios que chegam aos portos e colocaria inteligência no Pacífico, onde 95% do dinheiro sai, e não nas costas do Caribe venezuelano, onde o tráfico é mínimo”.

No dia seguinte ao sequestro, os EUA não só retiraram essa acusação, como o ditador Donald Trump admitiu seu verdadeiro objetivo: “O petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e ‘voltará a fluir’ com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país”, que pretende instalar no país as empresas petrolíferas estadunidenses para “consertar a ineficiência da produção do petróleo”. Ele também deixou claro que sua intenção é administrar a Venezuela “até que tenhamos certeza de uma transição segura”.

Eis, porém, a verdade:

Os EUA são o país que mais consome e lucra com o tráfico de drogas em todo o mundo. Invadiram a Venezuela e sequestraram seu presidente porque querem transformar o país novamente numa colônia e entregar todo o petróleo venezuelano (a maior reserva do mundo, estimada em 300 bilhões de barris) aos monopólios estadunidenses do petróleo Chevron, ConocoPhillips, Devon e ExxonMobil, que já ganham imensas fortunas explorando os trabalhadores e roubando o petróleo do Iraque, da Síria e do Brasil, entre outros países.

Além disso, com essa invasão, Trump pretende intimidar os demais países da América Latina e, em particular, seus atuais governantes, para que se curvem à vontade dos EUA e entreguem suas riquezas naturais aos monopólios capitalistas.

O fato é que o imperialismo não é apenas inimigo dos povos da América Latina, como profundamente antidemocrático, terrorista e fascista.

A fraqueza do imperialismo

Ao contrário do que afirmam o ditador Trump e os grandes meios de comunicação da burguesia, o discurso e as ações do Governo dos EUA não são um sinal de sua força, mas sim de sua decadência.

De fato, o sistema imperialista-capitalista vive a maior crise desde 1929 e, por isso, recorre à guerra para proteger os lucros da burguesia e impor sua vontade aos povos. Não é à toa que Lênin, em seu livro Imperialismo, fase superior do capitalismo, o classificou como “capitalismo agonizante”.

Por isso, esse crime dos EUA contra a soberania da Venezuela precisa ser denunciado a todo o povo brasileiro e aos povos do mundo, pois, se hoje os EUA fazem isso com a Venezuela, amanhã, poderão fazê-lo com o nosso país.

Resistência e solidariedade

Apenas dois dias após a intervenção militar imperialista, ocorreram dezenas de atos encabeçados pela Unidade Popular (UP) para denunciar a ação. Na região Norte, houve protestos em frente ao Consulado estadunidenses em Manaus (AM), em Porto Velho (RO) e em Belém (PA), na casa da ONU.

No Nordeste, protestos foram organizados em João Pessoa, Campina Grande e Patos (PB); em Recife (PE), onde o ato marchou até o Consulado dos EUA; em São Luís (MA), Salvador (BA), Natal e Mossoró (RN), e na capital do Ceará, Fortaleza.

Em Brasília, a militância se concentrou no Museu Nacional e foi em caminhada até a Embaixada dos EUA num ato muito combativo. No Mato Grosso, as manifestações ocorreram em Cuiabá e Sinop, onde foi realizado um escracho com o retrato do Donald Trump e a bandeira dos EUA. Em Goiás, a manifestação se deu na Praça do Bandeirante.

No Rio de Janeiro, cerca de 2 mil pessoas se concentraram na Cinelândia e caminharam pelas ruas do Centro até a porta do Consulado Geral dos EUA. O ato contou com uma forte intervenção de Marcos Vilella, pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR), que denunciou a natureza destrutiva do imperialismo mostrada no ataque à Venezuela e a necessidade de se lutar pela revolução socialista no Brasil.

Em São Paulo, os manifestantes queimaram a bandeira norte-americana na frente do Consulado dos EUA, onde ocorreu o ato unificado que juntou milhares de pessoas na denúncia contra o imperialismo. Já em Minas, o ato teve concentração na Praça Sete, em Belo Horizonte; em Vitória (ES), ocorreu em frente à Assembleia Legislativa.

No Rio Grande do Sul, a manifestação também ocorreu na frente do Consulado ianque, onde a brigada militar reprimiu os manifestantes. Em Santa Catarina, ocorreram atos em Florianópolis, Itajaí e Blumenau.

Povo venezuelano resiste e luta

Em Caracas, capital da Venezuela, e em várias regiões do país, já ocorreram centenas de manifestações exigindo respeito à soberania nacional e libertação para Nicolás Maduro e Cilia Flores.

Um povo quando se conscientiza dos seus direitos e de que, lutando contra os interesses imperialistas, pode construir um caminho próprio, não abre mão facilmente de suas conquistas. Foi com a nacionalização do petróleo desenvolvida desde os governos do presidente Hugo Chávez, há cerca de 25 anos, que esta grande riqueza nacional foi convertida em ações de educação, saúde, cultura e moradia para a população mais humilde.

Por fim, é necessário levantarmos com muita e energia a bandeira da luta anti-imperialista. Devemos desenvolver na classe operária e no povo a consciência de que, para derrotarmos de uma vez por todas o fascismo e o imperialismo é fundamental realizar a Revolução Socialista em nosso país, fortalecendo a luta revolucionária em toda a América Latina.

Editorial publicado na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

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