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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Elitização e privatização do carnaval geram aumento da violência policial contra foliões

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Apesar de ser a maior festa popular do mundo, o carnaval é um período de grande aumento da violência policial nas periferias das grandes cidades do Brasil. Além disso, empresários e acionistas usam da “festa do povo” para lucrar milhões com a privatização de espaços públicos.

Redação SP


CULTURA – Todos os anos, durante cinco dias, o povo brasileiro ocupa as ruas para celebrar a cultura popular, afastar a tristeza gerada pelas opressões do sistema e compartilhar a felicidade. Esse é o carnaval. 

Infelizmente, o Brasil tem encarado um aumento da insegurança nesse período. Segundo a Atlas da violência, entre 2012 e 2022, fevereiro foi o terceiro mês mais violento do ano para a classe trabalhadora, em especial nos feriados de carnaval.

Para além do abuso de álcool por parte dos foliões, fator que potencializa a violência, a truculência policial tem papel protagonista nesse cenário. Em 2025, foram diversas cenas que rodaram o país de agressões por parte das polícias militares e indignaram trabalhadores em todo o Brasil.

Agressões a foliões

O carnaval de 2025 foi especialmente violento. Em Brumadinho (MG), após comemorações de carnaval,  indígenas dos povos Pataxó e Pataxó-Hãhãhãe tiveram suas aldeias atacadas com gás de pimenta e agressões por parte da polícia militar do estado governado por Romeu Zema (NOVO).

Além disso, 5 lideranças foram presos após solicitar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) depois de terem sofrido agressões e passado mal com o gás lacrimogêneo lançado na aldeia.  

Parecido aconteceu em Juiz de Fora onde o bloco Carnaval da Praça foi dispersado após a PM lançar gás lacrimogêneo nos foliões. A artista MC Xuxu, organizadora do bloco, foi agredida e detida. “O incômodo da PM começou quando a gente gritou contra o Bolsonaro. Tinha muita gente no bloco. Muita criança no palco. Levaram a Xuxu e o Gustavo que são organizadores (do bloco). Deram uma coronhada no Gustavo e muita gente passou mal por causa do gás lacrimogêneo” declarou uma foliã que presenciou as agressões. 

Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, a polícia mais letal do país, a PM da Bahia já realizou mais de 100 chacinas entre 2022 e 2025. No carnaval do ano passado, 12 jovens foram assassinados após uma operação militar realizada no carnaval no bairro Fazendo Coutos, periferia de Salvador.

Já neste ano, nas prévias do carnaval de Olinda (PE), os “laranjinhas” como são conhecidos os efetivos recém egressos da Polícia Militar, dispersaram sem motivo aparente as festividades do bloco “Troça Carnavalesca Mista John Travolta”. 

Com uso de spray de pimenta nos foliões, inclusive no maestro de frevo Óseas Leão de 70 anos que ia na frente da orquestra do bloco, a polícia acabou com a festa planejada por meses por parte dos organizadores. “Não vi necessidade daquilo. Um momento que a gente esperou, que era para ser mágico e de alegria acabou se tornando um caos”, relata  Mayara Joanna Gomes da diretora da troça.

Privatização do carnaval

Um dos setores mais atingidos pela repressão policial são os trabalhadores ambulantes que, com o grande índice de desemprego no Brasil, tem no carnaval sua principal fonte de renda do ano. Nas principais capitais do país, para se instalar uma tenda ou barraquinha de vendas é necessário pagar valores absurdos para o poder público que, além de privatizar as festas populares, não garante nenhuma segurança ao trabalhador.

Em 2024, também na Bahia, muitos trabalhadores que não conseguiram se cadastrar para trabalhar no carnaval de Salvador foram reprimidos e expulsos a pancadas pela Polícia Militar do estado. Além de expulsos, muitos foram multados pelas prefeituras locais.

“O prefeito Bruno Reis (União Brasil) fala que todas as licenças já foram vendidas. E o que esse povo está fazendo dormindo aqui na porta há um mês? Tem gente que conseguiu tirar 6 licenças, 10 licenças de uma vez e está vendendo pelo triplo do valor”, relatou Lucilene, trabalhadora ambulante que denuncia a privatização do carnaval.

Além disso, a PM é acionada por realizar a segurança de diversos espaços públicos que, durante o carnaval, são cedidos para camarotes de grandes empresas. Como é o caso do carnaval de São Paulo, que contará com o maior investimento de sua história, com um valor de R$26,7 milhões(R$1,4 milhões a mais que ano passado) por parte da AMBEV, maior produtora de cervejas do mundo.

Além da elitização dos carnavais de rua, quem também sofre são os desfiles que, cada vez mais, tem seus ingressos encarecidos. Um exemplo disso são os “camarotes patrocinados” como é o caso do Camarote Bar Brahma que, com vista para o Sambódromo do Anhembi, pode chegar a custar 2.990 reais por pessoa.

Apesar das privatizações e da violência, carnaval segue sendo maior festa do mundo

Mesmo com o aumento da violência e as privatizações dos blocos populares, o carnaval de 2026 promete ser um dos maiores que já foram celebrados no Brasil. Segundo dados do Ministério do Turismo, são esperados mais 26 milhões de foliões nas ruas de todo o país este ano. O que representa um aumento de 20% em relação ao ano de 2025.

Apesar dos ricos, o carnaval é uma festa popular nascida da cultura da classe trabalhadora que, mesmo com toda a violência, repressão e tentativas da burguesia de privatizar a “festa do povo” segue sendo a maior festa popular do mundo. Como diz o enredo da Vai-Vai em 2026:

“Quem trabalha tem alma e coração/Não é ferro nem máquina de exploração/Faz valer o suor, não leve a mal/ Se duvidar, vai parar geral!”

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