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sexta-feira, 27 de março de 2026

Londrina (PR) passa a ter a segunda maior tarifa de ônibus do Brasil

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Enquanto empresas de transporte de Londrina mascaram dados, trabalhadores e estudantes começaram a pagar R$ 6,25 para se locomover dentro da cidade. Trabalhadores são os mais afetados pela política entreguista e neoliberal de Tiago Amaral (PSD).

Juno Devergenes | Redação PR


TRABALHADOR UNIDO – Londrina é a segunda maior cidade do Paraná, com 555.965 habitantes (IBGE). No entanto, é a segunda cidade mais cara do Brasil inteiro para andar de ônibus. Em janeiro deste ano, a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) apresentou seu reajuste de R$ 11,84 para R$ 11,86) e a Londrisul, de R$ 10,22 para R$ 10,85, dos quais R$6,25 são pagos na passagem e o restante é pago por meio de impostos da Prefeitura. A CMTU foi conivente com o aumento usando o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a compra de carros como justificativa.

“Nós estamos falando de praticamente 102 carros novos, uma frota em que você tem mais de 55% de ônibus que atende a população de Londrina com ar-condicionado, com carregador de celular, levando esse conforto”, disse Bianchi, presidente da CMTU.

Essa justificativa é estranha para os usuários mais frequentes dos ônibus. Os carros que andam ao centro da cidade até são seguros e limpos (não se pode dizer o mesmo da periferia), mas a ineficiência das frotas tira até 4 horas do dia de quem precisa trabalhar e estudar. 

Estudantes trabalhadores sofrem mais

Os estudantes, desde 2018, precisam pagar metade do valor da tarifa, como relata Mariana Sousa, que estudou Direito na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e hoje trabalha em dois empregos para pagar as contas. Ela pega ônibus desde que se mudou para Londrina em 2016 para estudar. Sempre vim e voltei da faculdade de ônibus, só que naquela época, a gente não pagava a tarifa. Aí depois começou com uma palhaçada que o estudante deveria pagar, e aí começamos a pagar meia, mas até aí tudo bem, era meia que a gente pagava”, relata. 

Depois que começou o mestrado, tudo ficou mais difícil porque ela se mudou para mais longe e aí precisa fazer integração. “Preciso pegar dois ônibus e aí começa a ficar pior porque cansa mais e eu tô achando muito absurdo pagar, eu já achava absurdo pagar cinco e pouco, agora é R$ 6,25! Fora que o ônibus não tem melhoria nenhuma, muitas vezes o ônibus tá fedorento, tá impedido, tá lotado, não tem lugar pra sentar, eu acho isso um absurdo, tem ônibus que tem ar-condicionado, mas tem ônibus que não tem…Fora quando o motorista passa nos pontos correndo, é um absurdo, é muito caro pagar R$ 6,25 em uma tarifa, sabe?”

Os estudantes universitários que precisam trabalhar são os que mais sofrem com a ineficiência do transporte, encarando três turnos de trabalho e perdendo seu tempo de descanso nos carros “confortáveis, com ar-condicionado e carregador de celular”.

Bruna Medeiros, estudante de Serviço Social da UEL, pega cinco ônibus por dia para ir ao trabalho, ao estágio, à faculdade e retornar para casa. “É difícil porque às vezes não tem quantidade de ônibus suficiente, parece. Então demora muito para chegar o ônibus”, denuncia. Ela também relata que nem sempre os ônibus têm ar condicionado “como estão falando que sempre tem”. Ela também conta que mesmo com o meio passe, a tarifa acaba saindo cara. “Quando estava R$ 5,25 já era caro, então agora vai ficar pior ainda. Eu e minhas amigas comentamos sobre isso. Todo mundo ficou meio preocupado com a situação, porque às vezes tem gente que não consegue ir para a faculdade no final do mês, que está sem passe já”, diz.

Povo nas ruas, pela Tarifa Zero em Londrina

Apesar da desculpa esfarrapada para justificar o valor exorbitante da passagem, os dados da planilha de custos de ambas as empresas mostram que a aquisição de novos veículos não é a maior fonte de gastos. A CMTU, até a data em que este artigo foi escrito, só disponibilizou a planilha de custos de 2024, que não apresenta notas fiscais, e possui diversas anomalias contábeis.

Ano Referência Tarifa Técnica TCGL (R$) Tarifa Técnica Londrisul (R$) Tarifa Pública (R$) Subsídio da prefeitura (R$) Número de passageiros pagantes Quantidade total de ônibus
2022 5, 46 5, 46 4, 00 25,2 milhões 1.905.012 327
2023 6, 97 5, 76 4, 80 33 milhões 2.216.313 353
2024 8, 49 8, 04 5, 75 94,9 milhões 2.224.636 357
2025 11, 84 10, 22 5, 75 177 milhões 2.381.593 382
2026 11, 86 10, 85 6, 25 118 milhões Não informado 384 (102 novos)

Fontes: TCGrandeLondrina, CMTU Londrina, CBN Londrina, G1 Globo, Bonde, Jornal A Verdade e Portal Londrina.

Tais dados demonstram que, de 2023 para 2025, o valor da tarifa técnica quase dobra, indicando que, ou houveram aumentos nos custos, ou a eficiência piorou. No entanto, a compra de 102 novos veículos foi realizada entre 2025 e 2026, quando o aumento foi menor. Na planilha de custos de 2024, além da diferença de 30 centavos por litro de diesel entre uma empresa e outra, o pneu da Londrisul é R$ 815 mais barato (45,55%), e a recapagem é de R$ 140 menos custosa (315,38%). Além disso, ambas empresas pagam o mesmo salário para os motoristas (R$ 3.405,65), mas a equipe administrativa apresenta custos discrepantes: enquanto a diretoria da TCGL apresentou um custo de R$ 35.243,96 por mês, a diretoria da Londrisul registrou  R$ 7.776,89 por mês. As despesas administrativas por veículo também são divergentes: a TCGL, R$ 2.095,68 e a Londrisul, R$ 1.178,82. O custo fixo total por quilômetro da TGCL foi de R$ 4,1996, enquanto na Londrisul foi de R$ 3,0332.

Por fim, a TCGL registrou o maior número de passageiros por km rodado (12%), o que reduziriam os custos, mas sua tarifa técnica é 9,3% mais cara. Se a TCGL operasse com a mesma estrutura de custos unitários de pneus, diesel e administração da Londrisul, sua tarifa técnica deveria ser substancialmente menor que R$ 10,00 devido ao seu IPKe (Índice de Passageiros Equivalentes por Quilômetro) superior.

Após perceber tais inconsistências, a CMTU pediu uma auditoria, que não foi realizada pois a empresa que o prefeito fascista José Tiago Camargo do Amaral contratou (LG Mobilidade Urbana) foi investigada pela Polícia Civil por suspeitas de fraude e simulação de concorrência, e duas das três empresas que apresentaram orçamentos para balizar o preço da prefeitura pertenciam ao mesmo grupo familiar. Além disso, um servidor da CMTU estaria envolvido no direcionamento do contrato.

Quem é leitor do Jornal A Verdade já sabe o que esses números estranhos mostram: o uso da máquina pública e das empresas privadas para tirar dinheiro do povo trabalhador. A população sabe muito bem que o valor da tarifa é injustificável, que ano que vem vão inventar mais alguma desculpa para aumentar mais ainda, e o problema continuará existindo.

Por isso, a Unidade Popular, juntamente com a Frente Classista Combativa de Londrina, iniciou uma jornada de ações pela Tarifa Zero na cidade, com atos públicos, brigadas do Jornal a Verdade e panfletagens nos terminais centrais e regionais, reivindicando a TARIFA ZERO e a estatização do transporte público. Duas mídias da imprensa burguesa fizeram a cobertura do ato do dia 30 de janeiro, mas nenhuma delas publicou uma matéria sequer.

Enquanto o trabalhador percebe que tais problemas jamais serão resolvidos pela gestão da prefeitura e pelos políticos da burguesia, a UP está presente para apresentar a única solução possível: A organização da nossa classe e a construção de uma sociedade nova, sem fraudes insustentáveis, a sociedade Socialista com a ditadura do Proletariado.

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1 COMENTÁRIO

  1. Sendo a segunda passagem mais cara do Brasil o serviço do transporte coletivo de Londrina podia ser melhor o serviço de transporte coletivo Urbano e uma porcaria perde muito tempo andado de ônibus podia ter mais ônibus circulado para não perder tado esperado ônibus no ponto

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