No dia 04 de março, as trabalhadoras tercerizadas da empresa Normatel, responsável pela limpeza do Edifício Santos, o EDISA, sede administrativa da Petrobras, paralisaram as atividades reinvindicando melhores condições de trabalho.
Maíra de Souza | Santos (SP)
Trabalhador Unido – No mesmo edifício onde trabalhadores garantem a produção de 48% do Petróleo no país, cerca de 44 mulheres, divididas em dois turnos, são responsáveis pela limpeza de 25 mil metros quadrados, 17 andares com um fluxo de 3500 pessoas. Por essa jornada desgastante de 45 horas semanais, as trabalhadoras da Normatel Engenharia, recebem cerca de R$9,50 por hora e a ínfima PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) de R$135,00.
Em 2025, a Petrobrás, cujo símbolo é a própria soberania energética nacional, anunciou um lucro líquido de R$110 bilhões.
Enquanto isso, a terceirizada Normatel reduz a força de trabalho feminina à condição de quase-servidão, extraindo o máximo da força de trabalho por meio de jornadas extensas, salários humilhantes e ausência total de valorização profissional.
A Paralisação como resposta
No dia 04 de março, cerca de 40 mulheres paralisaram suas atividades e realizaram um ato em frente ao Edifício Santos, sede da Petrobrás. Com faixas, palavras de ordem e uma exemplar convicção na luta por justiça, denunciaram não apenas a Normatel, mas também o papel conivente do sindicato da categoria, que, até então, mantinha-se ausente diante das denúncias.
A principal reivindicação das trabalhadoras é o adicional de insalubridade por realizarem serviços de desentupir privadas, manuseio de produtos perigosos e limpeza de áreas com equipamentos que oferecem risco de choque elétrico.
A paralisação expôs a fragilidade do discurso patronal. Após algumas horas de ato, diante da visibilidade da injustiça e da pressão organizada das trabalhadoras, a Normatel Engenharia e os representantes do sindicato apareceram para uma suposta negociação.
O que a burocracia sindical e o silêncio patronal não resolveram em meses, a luta das terceirizadas começou a resolver em horas.
Nos dias posteriores à paralisação, o sindicato atuou para oprimir a construção da greve. Sua investida incluiu tentativas sistemáticas de silenciar as trabalhadoras, difundindo o medo e até levando mais de trinta homens até a porta do Edificio Santos, sede administrativa da Petrobras para intimidar as trabalhadoras e a militância da UP.
O ápice da intimidação veio quando, em conjunto com a diretoria da Normatel, o sindicato patronal utilizou o gestor da empresa para enviar ameaças explícitas de demissão às mulheres que participaram da paralisação.
A mensagem era clara: a ousadia de paralisar um braço da maior estatal do país, mesmo diante de lucros bilionários, seria punida. No dia 02/04 seis trabalhadoras foram demitidas após perseguições da empresa.
A luta segue
A paralisação do dia 4 de março em Santos e a repressão dos patrões revelam na prática que os interesses da classe trabalhadora são totalmente inconciliáveis com os interesses dos ricos
Por isso a categoria segue unida e utando pelas reinvindicações e contra a perseguição às trabalhadoras que lutam