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Para onde vai a Alemanha?

No último dia 24 de setembro, os alemães foram às urnas escolher os representantes no parlamento e eleger o Primeiro Ministro do país. Segundo os dados do Escritório Eleitoral Federal, 76,2% dos eleitores compareceram às urnas, frente a 71,5% em 2013. No total, 42 partidos participaram da eleição, bem mais que os atuais 33 partidos no Brasil, sendo que a Alemanha, com 357.168 Km², cabe no estado do Mato Grosso do Sul.

O bloco conservador, liderado por Angela Merkel e formado pelos partidos União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã da Baviera (CSU), obteve 33% dos votos, uma queda de 8,5 pontos em relação há quatro anos e o seu segundo pior resultado desde 1949, quando obteve 31%.

O Partido Socialdemocrata (SPD), liderado por Martin Schulz, obteve o pior resultado de sua história, caiu para 20,5%, mais de cinco pontos abaixo das eleições gerais anteriores.

Os herdeiros do nazismo, o partido Alternativa para Alemanha (AfD), defensores das ideias xenófobas e racistas de Hitler, que não havia conseguido o coeficiente eleitoral necessário de 5% para ter representantes no Bundestag (parlamento alemão) na última eleição, desta vez obteve 12,6% dos votos.

O Partido Liberal (FDP), que também não conseguiu o mínimo para entrar no Legislativo na última eleição, retorna agora à Câmara com o apoio de 10,7% dos eleitores.

A Esquerda (Die Linke), um partido com características de frente e que reúne vários setores da esquerda alemã, obteve 9,2% dos votos, seis décimos mais que em 2013, enquanto o Partido Verde ficou com 8,9%, meio ponto a mais que nas eleições anteriores.

Um balanço do resultado eleitoral

Angela Merkel vai governar a Alemanha pela quarta vez seguida. Esse fato, indica a incapacidade dos conservadores em apresentar uma nova liderança que sustente o projeto político neoliberal imposto através da União Europeia.

É interessante lembrar que na Alemanha, assim como na Venezuela, a reeleição é ilimitada, entretanto, diferente da Venezuela, não se viu nenhuma voz na imprensa acusando Merkel de ser uma ditadora. O motivo é óbvio: ela é uma representante dos interesses da burguesia.

Podemos acrescentar que a vitória de Merkel facilita o trabalho dos presidentes dos países aliados na condução da política neoliberal e imperialista da União Europeia, a exemplo do banqueiro Macron, presidente da França, que contará com uma forte parceira durante todo o seu mandato.

O elemento mais debatido do resultado eleitoral na Alemanha é a chegada do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha ao parlamento. Esse fato é mais uma indicação do avanço da extrema direita na Europa e no mundo. Resultados semelhantes de partidos de extrema direita já vinham acontecendo em outros países europeus, como França, Grécia e Portugal.

Nesse cenário de crise econômica do capitalismo, o núcleo duro da burguesia começa a acionar o seu cão de guarda, o fascismo. A conjuntura pavimenta o caminho para projetos de radicalização, tanto à direita, quanto à esquerda. O caminho da conciliação tem sido frequentemente derrotado. O resultado da eleição na Alemanha é também uma expressão disso.

A composição do parlamento alemão de uma maneira geral será mais conservadora que a anterior. A votação dos Liberais torna essa tendência uma realidade, o que implica a presença de pautas mais reacionárias.

Por fim, o partido A Esquerda (Die Linke) praticamente não conseguiu crescer. O que atesta a sua incapacidade de apresentar algo novo, radical e revolucionário nesse processo eleitoral. A grande lição das eleições gerais na Alemanha é: a conjuntura está vomitando as coisas mornas.

Magno Francisco da Silva, mestre em História Social pela UFAL

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