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Os 50 anos batalha de Stonewall

Em 2019, completam-se 50 anos da ação direta que instituiu o dia 28 de junho como Dia Internacional do Orgulho LGBT. Trata-se da rebelião de Stonewall, uma sequência de revoltas, atos de rua e enfrentamentos ocorridos nos Estados Unidos no final da década de 1960.

Stonewall Inn foi uma casa noturna periférica, frequentada principalmente por pessoas LGBTs pobres, que não tinham acesso aos glamorosos e excessivos cassinos e bares LGBTs existentes à época. Era propriedade da máfia italiana, que se aproveitava da exclusão dessas pessoas dos espaços comuns da sociedade para reuni-las em um local onde supostamente poderiam exercer suas identidades.

Ali, as batidas policiais eram constantes, e não eram raros os casos de assédio moral, espancamento, estupro e até assassinatos, já que LGBTs eram vistos como aberrações. Vale lembrar que, nos anos 1960, a mentalidade hegemônica vigente nos Estados Unidos já era extremamente moralista, racista e machista. A violência do Estado era respaldada por vozes ultraconservadoras que ecoavam dentro do parlamento, embasados num discurso religioso de suposta defesa da família. O local chegou a ser fechado algumas vezes, e as pessoas eram frequentemente espancadas pela polícia em tocaias nas vielas da região.

A rebelião

Nas primeiras horas do dia 28 de junho de 1969, durante mais uma abordagem violenta da polícia fascista de Nova York, centenas de jovens cansados de serem oprimidos se rebelaram: armaram-se de paus e pedras e montaram uma resistência que durou vários dias. Foram montadas barricadas nas ruas, que conseguiram repelir a repressão policial. Esse ato de resistência deu origem, poucos dias depois, à realização da primeira marcha do orgulho LGBT, que, naquele momento, traduziu-se numa importante ferramenta de visibilização e diálogo com a sociedade. Desde então, atos políticos são organizados ao redor do mundo no mês de junho e julho para celebrar o Dia Internacional do Orgulho LGBT, lembrando da rebelião de Stonewall como um marco na história da luta pelos direitos LGBT.

A luta pela emancipação da população LGBT não começou em Stonewall. Foram muitos anos de uma militância clandestina, subterrânea e invisível. Apenas após 1917, com o advento da Revolução Russa, os debates sobre a descriminalização da homossexualidade começaram a avançar na Europa, sendo a União Soviética o primeiro país do mundo a descriminalizar a prática homossexual, em 1922.

Na contramão, países capitalistas centrais, como a Inglaterra, mantiveram sentenças vexatórias ou até a pena de morte para casos de homossexuais assumidos (como o caso de Alan Turing, pai da computação, gay assumido e condenado à castração química pelo governo inglês). O fato é que as jornadas de lutas ocorridas em junho de 1969 no bar Stonewall Inn impulsionaram de forma definitiva a organização dos LGBTs em torno dos direitos sociais.

Hoje, no Brasil, sequer há mecanismos institucionais que quantificam a violência sofrida pela população LGBT. Sabe-se, por esforço dos movimentos sociais, que nosso país está no topo das listas dos que mais matam transexuais e travestis em todo o mundo. O Governo Bolsonaro piorou ainda mais o quadro, já que os poucos instrumentos institucionais existentes, que nunca foram suficientes, foram descartados: a retirada da população LGBT das diretrizes de Direitos Humanos (MP 870), o fim do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT (Decreto Nº 9.759) e, mais recentemente, o rebaixamento do Departamento de IST, AIDS e Hepatites Virais, referenciado em todo mundo.

Em tempos de fascistização, o exemplo das batalhas de Stonewall se mostra ainda mais vivo e atual do que nunca. A luta organizada, como mostra a história, é a única garantia da construção de um futuro justo e sem discriminação.

Marc Brito, membro do Diretório Nacional da Unidade Popular

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