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Campanha #OndeDoi denuncia violência contra mulheres

Em todo mundo, casos de abuso e violência contra as mulheres acontecem diariamente. A campanha Onde Dói está mobilizando mulheres para denunciar essa violência praticada por profissionais médicos, que usam de sua posição para cometer abusos contra as pacientes. 

Por Celina Guimarães


Imagem: Divulgação

MULHERES – Nina Marquetti tinha 16 anos quando foi sozinha ao pediatra levar o resultado de um exame de estômago. O doutor Allessio Fiori Sandri Junior, profissional conhecido em Umuarama, no Paraná, decidiu examinar a adolescente mais uma vez. Agora, sem a presença da mãe. Quando se deitou na maca, Nina sentiu o médico puxar a calça e a calcinha dela para a altura do joelho.

O abuso sexual que se seguiu marcou a vida da atriz brasileira. Hoje ela mora em Nova York e só conseguiu trazer o trauma à tona através de uma peça de teatro que ela mesma escreveu, dirigiu e encenou.

Tratar do assunto no palco foi só o primeiro passo. Poucos meses depois Nina se tornou porta-voz da campanha Onde Dói, organizada por coletivos de mulheres para mapear casos de abusos cometidos por profissionais de saúde. No segundo dia da campanha, #OndeDói se tornou o segundo assunto mais comentado do twitter no Brasil. Em menos de uma semana, recebeu mais de 400 relatos de vítimas de abusos e já tem mais de 4.000 seguidores, apenas no Twitter.

No Brasil e no mundo, as mulheres estão relatando casos semelhantes ao de Nina na página www.ondedoi.com e no Instagram da campanha, que encaminha as vítimas para organizações de acolhimento e apoio emocional e jurídico. Nina escolheu esse nome para a campanha por dois motivos: enquanto introduzia o dedo na vagina da adolescente, o médico fingia que estava examinando a paciente e perguntava “onde dói?”. Além disso, como diz a atriz, “só quem já passou por isso sabe onde dói”. Foi uma dor difícil de suportar. Nina tentou o suicídio mais de uma vez. “Algumas, conscientemente, outras sem saber exatamente o que eu estava fazendo”, conta.

Na polícia de Umuarama já existem seis boletins de ocorrência registrados contra o doutor Alessio. Foram dez anos de silêncio. Mas ela sempre soube que um dia faria algo, não só para lidar com o trauma, mas principalmente para impedir que esse pediatra continuasse abusando de outras meninas. Se não foi fácil tratar do assunto abertamente, no começo, agora Nina diz que se sente cada vez mais forte e encontrou no coletivo Mulheres da Resistência o apoio de que precisava para se curar e chamar a atenção para um problema que afeta milhares de mulheres, como a resposta da campanha mostra.

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