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Alejandro Quiñónez: A classe trabalhadora luta na Argentina

O jornal A Verdade entrevistou o companheiro Alejandro Quiñónez, membro da Corrente Classista e Combativa (CCC) e do Sindicato dos Trabalhadores de Estado na cidade de Quilmes. A Argentina vive um intenso período de mobilizações que culminaram na derrota de Mauricio Macri nas eleições presidenciais. Esse processo teve seu início na combatividade da classe trabalhadora organizada, gerando condições para modificar a conjuntura da Argentina no último período.

Renato Campos e Lenilda Luna


Foto: Reprodução/Facebook

As greves gerais organizadas pela classe trabalhadora na Argentina alcançaram grande êxito. Como ocorreu a preparação dessas greves?

Acreditamos que as greves são necessidades dos trabalhadores, não apenas os que estão na ativa, mas também os trabalhadores em geral. Nosso movimento operário atua em três eixos: os trabalhadores ativos, que estão no trabalho formal; os trabalhadores desempregados, que têm crescido com a crise no governo de Mauricio Macri; e os trabalhadores aposentados. Em 2017 houve uma manifestação convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical da Argentina, com a participação também da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA). Os mais de 200 mil trabalhadores foram às ruas nesta manifestação, mas não aceitaram a direção da CGT e pressionaram as centrais sindicais para marcarem a data da greve geral. A palavra de ordem era “Marquem a data ou vão à Puta que Pariu!”. Então a situação não podia mais se sustentar e as centrais sindicais foram obrigadas a trabalhar no sentido de construir uma greve geral. 

A situação dos trabalhadores pressionando as direções centrais, os trabalhadores desempregados, foram marcando a agenda política, como a exigência da Lei de Emergência Social para que o governo colocasse um salário social complementar, metade do salário mínimo. Essa luta durou cerca de dois anos. Isso marcou a unidade dos três setores que mais mobilizam os desempregados: a Central de Trabalhadores da Economia Popular, o Movimento Bairros em Pé, e nossa Corrente Classista e Combativa. Os três movimentos juntos conseguiam levar cerca de 200 mil companheiros. Separadamente, mobilizam 50 mil, mas, juntos, as mobilizações se potencializaram. Com essa luta, e o povo organizado nas ruas – pois chegamos a levar cerca de 250 mil companheiros –, conseguimos conquistar a Lei de Emergência Social no final de 2016. Essas conquistas geraram um impulso muito forte em nossas lutas, e ressalto aqui duas questões centrais. Por um lado, mostraram que os trabalhadores desempregados podem possuir suas próprias organizações e inclusive marcar a agenda política do governo, levando suas próprias reivindicações, que são Terra, Teto e Trabalho. Ao mesmo tempo, provaram que o caminho da unidade é o que necessitamos para enfrentar o governo e construir alternativas contra as reformas que ele propõe. Esse sentimento de unidade no movimento sindical fez com que as centrais sindicais deixassem de ser amigas do governo e entendessem a possibilidade de muitas lutas serem feitas. Praticamente todos os dias houve manifestações de diferentes setores, e isso culminou com a greve geral.

Como foram as respostas do Governo  a essa mobilização crescente?

A resposta do Governo era: “Nesse dia de hoje, nessa paralisação geral, foram perdidos tantos milhões de pesos”. Na Argentina há 35% de desempregados. E, considerando a renda mínima, existem 16 milhões de pobres em um universo de 46 milhões de habitantes.

Isso atingia a capacidade da greve, mas explicamos aos trabalhadores que estávamos em greve porque havíamos perdido todos os nossos direitos. A situação da greve tinha a ver com a situação das massas, com o contato com os sindicatos, associações, ou seja, a unidade que o movimento sindical poderia construir. Isso tinha avanços e recuos, mas está numa ascensão.

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