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Consciência e dominação de classe

“O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência.”

Natanael Sarmento


Foto: Adonis Guerra/SMABC

BRASIL – A burguesia utiliza diversas cortinas de fumaça com escopo de ocultar a sua exploração sobre o proletariado, conservar a sua dominação e exercer a opressão sobre todas as outras classes. Somente no plano das quimeras e ilusões, sob o capitalismo, os homens são livres e iguais, enquanto na existência real são separados e desiguais, em odiosas divisões econômicas, sociais, culturais, em multidões de pobres e miseráveis e reduzido número de nababos capitalistas.

Os arautos da burguesia proclamam que a desigualdade e hierarquização social – ou estratificação social – é algo natural, em todas as sociedades, inevitável, que pessoas nascem ricas ou pobres, por acaso, e que podem mudar de condição social, ricos empobrecerem e pobres enriquecerem, o  que chamam de  mobilidade social. Atribuem à mobilidade a capacidade ou o esforço pessoal, estudo, trabalho, mérito, senão à grande sorte dos apostadores lotéricos, ou demérito, desídia, preguiça, etc. Tudo isso é uma meia verdade e, como não há verdade por metade, é retumbante mentira. Essa é a ideologia que interessa a burguesia, e enquanto os pobres e proletários do mundo acreditarem nessa conversa para boi dormir, permanecerão explorados e oprimidos.

Para enganar os explorados e oprimidos, a burguesia conta com seus agentes, tipos sociais cooptados e comprados de outros estratos sociais, jornalistas, juízes, legisladores, professores, pastores, clérigos, os “intelectuais” – que se banqueteiam com as sobras da burguesia, para defenderem o capitalismo, o mercado, enfim a vida burguesa, combaterem os comunistas e socialistas que pretendem acabar com a exploração capitalista. 

É nesse sentido que a malta de pensadores da burguesia recorre à sopa de letrinhas para dividir as classes sociais em A, B, C, D, E, considerando padrões de bens de consumo, moradia, escolaridade e outras quinquilharias da lógica de bufarinheiros.

Mas esse truque de mágica de bugigangas foi desmascarado desde o século XIX pelo eminente pensador Karl Marx. Com base científica da economia política, Marx define as classes pelo lugar das pessoas em face dos meios de produção, da propriedade das matérias primas e da circulação de riqueza.

Nesse sentido, objetivamente, os possuidores dos meios de produção – proprietários das fábricas, fazendas, maquinarias, matérias-primas e da circulação e do comércio – que são as minorias de proprietários ricos, são os capitalistas burgueses exploradores e opressores de todas as outras pessoas. Não são ricas por razões naturais, mas justamente por controlar os meios de produção e impor essa dominação – acumular riqueza privativamente de produtos, bens e trabalho social dos milhões de despossuídos, os sem teto, sem terras, sem propriedades, trabalhadores urbanos e rurais, empregados terceirizados, desempregados, dos excluídos.

Toda e qualquer formação social guarda resquícios de formações anteriores, as mudanças de estruturas sociais não são mecânicas. Arrendamentos, jornadas, meação, outras formas de relações pré-capitalistas subsistem, até mesmo, o trabalho sem salário, análogo à escravidão.

Contudo, tais sequelas do passado não são as formas econômicas da relação de produção predominantes. Sob a dominação da burguesia capitalista, predominam relações restituídas de trocas, mormente da forma salário. Burgueses controlam meios de produção e circulação e mercados, proletários assalariados, que nada possuem, além da força de trabalho, trocam a única coisa que possuem, deles próprios, a capacidade ou força de trabalho. Simples assim.

 Dominação de classe se dá através de duas formas de violência, uma visível, pela repressão ostensiva, as polícias, Forças Armadas, aparatos repressivos judiciais e policiais repressivos do Estado burguês. Outra, oculta, silenciosa e mortal, como o câncer que se espalha pelo corpo social, a ideologia, as leis, os valores, a visão de mundo e de sociedade.

Essa força age no convencimento, na persuasão e assim se explica por que tão poucos dominam tantos, por tanto tempo. É a força da ideologia da classe dominante burguesa que prevalece nas sociedades capitalistas. Numa explicação rasa, para fácil entendimento: o pobre sonha ser rico, ser o patrão, viver a vida do seu opressor.

O proletário sem a consciência revolucionária da sua classe pensa com a cabeça da burguesia patronal. Ele não tem consciência revolucionária da classe proletária, sua consciência é reacionária, serve ao opressor, ao explorador. Ele não luta para acabar com a exploração, embora material e objetivamente, seja proletário, explorado, espoliado, subjetivamente, é aprisionado pela ideologia da burguesia opressora dele a da sua classe.

Mas nem sempre estar numa classe significa pensar como essa classe e para essa classe, ser classe para si. O proletariado tem um potencial revolucionário no capitalismo porque é a classe explorada e oprimida, é capaz de lutar pela libertação e pela revolução socialista, implantar a democracia da maioria, a ditadura do proletariado.

Quando a classe operária adquire essa consciência torna-se classe para si.  É a consciência revolucionária do caráter de exploração capitalista e da necessidade da luta revolucionária.  Do controle dos meios privados de produção serem retirados das mãos de poucos exploradores e passarem ao controle social dos trabalhadores. Da necessidade de a produção social ser partilhada, socialmente e não privativamente. Da distribuição das riquezas produzidas em benefícios de toda sociedade, sem exploradores e explorados, ricos e pobres.

Na odiosa divisão de classes do Brasil, somente seis pessoas controlam mais de 50% do PIB. Temos mais de 50 milhões de pessoas em situação de pobreza e miséria. É necessário que cada trabalhador e trabalhadora, cada pobre do país, saia da mera lamentação da vida que leva ou da indignação ética e crítica e parta para ações efetivas e concretas, para o que Marx chamava de práxis – a teoria materializada na prática transformadora do mundo.

Arregaçar as mangas, lutar e apoiar material e moralmente os movimentos sociais e revolucionários, no Brasil e mundo, defender os países socialistas das infâmias lançadas pela burguesia capitalista, defender política e ideologicamente os que lutam por moradia digna para todos, por reformas urbana e agrária, pelos direitos das mulheres, indígenas, negros contra o racismo estrutural, defesa das minorias vulneráveis LGBT+, ingressar em Partidos que defendem e que efetivamente lutam pelo socialismo, sem temor e sem ilusão de classes que os “proletários nada têm a perder  a não ser os grilhões que os prendem.

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